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Pesquisa indica ajuda de canabidiol contra esquizofrenia

canabidiol contra esquizofrenia

Neste artigo evidenciamos com estudos e pesquisas o uso do canabidiol contra esquizofrenia. Confira.

A esquizofrenia é uma doença crônica que pode progredir em diversas fases, embora a duração e os padrões dessas fases possam variar.

Pacientes com esquizofrenia tendem a apresentar sintomas psicóticos em média de 12 a 24 meses antes de procurarem atendimento médico, mas o transtorno agora é reconhecido mais cedo durante seu curso.

Os sintomas da esquizofrenia normalmente comprometem a capacidade de executar funções cognitivas e motoras complexas: assim, os sintomas muitas vezes interferem acentuadamente nos relacionamentos profissionais, sociais e na capacidade de cuidar de si mesmo. Desemprego, isolamento, deterioração dos relacionamentos e diminuição da qualidade de vida são desfechos comuns.

 

No Brasil, estima-se que existam cerca de 2 milhões de portadores da doença. 

Subtipos e diagnóstico da esquizofrenia

Alguns especialistas classificam a esquizofrenia em subtipos com déficits e sem déficits, com base na presença e na gravidade dos sintomas negativos, tais como: afeto embotado, perda da motivação e redução do sentido de propósito.

Os pacientes do subtipo com déficit têm sintomas negativos proeminentes, os quais não são explicados por outros fatores (p. ex., depressão, ansiedade, ambiente sem estimulação, efeitos adversos de fármacos).

Aqueles com subtipos sem déficit podem ter delírios, alucinações e distúrbios do pensamento, mas são indivíduos relativamente sem sintomas negativos.

Os subtipos anteriormente reconhecidos da esquizofrenia (paranoide, desorganizado, catatônico, residual, indiferenciado) não provaram ser válidos ou confiáveis e não são mais usados.

Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, melhor o resultado.

Não existe nenhum teste definitivo para detecção de esquizofrenia. O diagnóstico se baseia na avaliação abrangente de história clínica, sinais e sintomas. Informações oriundas de fontes auxiliares, tais como família, amigos, professores e colegas de trabalho, são muitas vezes importantes.

De acordo com o DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da American Psychiatric Association, o diagnóstico da esquizofrenia requer ambos do seguinte:

  • ≥ 2 sintomas característicos (delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado, sintomas negativos) por um porção significativa de um período de 6 meses (os sintomas devem incluir pelo menos um dos 3 primeiros)
  • Sinais prodrômicos ou atenuados da enfermidade com prejuízos sociais, ocupacionais ou de cuidados pessoais devem ficar evidentes por período de 6 meses, incluindo 1 mês de sintomas ativos

CDB pode ajudar no controle da Esquizofrenia

canabidiol contra esquizofrenia

Um estudo de 2021 realizado por pesquisadores da USP e da Unicamp, concluiu que o CDB, um dos compostos mais abundantes na Cannabis, pode ajudar no tratamento da esquizofrenia. 

A descoberta, publicada também pela Revista Pesquisa da Fapesp, mostrou que apesar de mecanismo de ação distinto dos fármacos normalmente utilizados para o tratamento da doença, os efeitos são similares.

Em culturas de oligodendrócitos humanos, o canabidiol ativou mecanismos bioquímicos de proteção celular similares aos dos fármacos clozapina e haloperidol, medicamentos usados amplamente como antipsicóticos.

Ainda segundo a publicação, os compostos cancelaram os efeitos da administração da cuprizona, substância que danifica a bainha de mielina, o revestimento das extensões dos neurônios e, desse modo, prejudica a transmissão dos impulsos nervosos, uma das prováveis causas da esquizofrenia.

No experimento, os três compostos usados para evitar a chamada desmielinização ativaram a produção de 1.890 proteínas.

Desse total, 93 eram produzidas unicamente após a administração do canabidiol, 97 do haloperidol e 278 da clozapina.

Em relação ao canabidiol, 92 proteínas eram comuns com o haloperidol e 75 com a clozapina.

Coordenador do estudo, o biólogo Daniel Martins-de-Souza, também da Unicamp, revelou que os resultados foram animadores por duas razões.

A primeira é que indicam novas perspectivas de tratamento para um distúrbio mental que atinge cerca de 20 milhões de pessoas no mundo, das quais por volta de 2 milhões no Brasil.

Segundo o cientista, se os estudos avançarem, talvez o canabidiol possa evitar os efeitos indesejáveis das drogas que agem no sistema nervoso central – a clozapina pode causar ganho de peso, o haloperidol tremores e, ambos, sonolência.

A segunda razão dá pistas sobre os próprios mecanismos que causam a esquizofrenia, doença ainda de difícil diagnóstico.

A razão é que o número de proteínas em comum entre os fármacos fortalece uma nova interpretação sobre a esquizofrenia ao valorizar os oligodendrócitos, que produzem as bainhas de mielina, sem as quais aparecem os sintomas característicos desse transtorno psiquiátrico, como os delírios e as alucinações.

Os oligodendrócitos são um dos três tipos das chamadas células da glia, que, com os neurônios, formam o cérebro e as outras partes do sistema nervoso central. Os outros dois são os astrócitos e as células da microglia, que também participam da comunicação celular.

“A esquizofrenia é uma doença resultante de disfunções dos três tipos de células da glia, não apenas dos neurônios”, afirma Martins-de-Souza. “Elas não são apenas células de suporte e preenchimento, como se pensou durante décadas.”

A ação do canabidiol está associada, há décadas, a dois receptores, o CB2 e o CB1, mas pode ir muito além. Em testes com camundongos, detalhados em junho de 2020 na Pharmacological Research, o grupo da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto mostrou que esse composto, ao ativar o receptor de serotonina 5-HT1A, pode ter um efeito antipsicótico e atenuar alterações de comportamento como o fármaco clozapina.

A possibilidade de ativar vários receptores explica a diversidade de efeitos do canabidiol em modelos animais – contra ansiedade, inflamação, diabetes, bactérias e tumores, entre outros. 

Em 2009, em um artigo publicado na Trends in Pharmacological Sciences, uma equipe da Universidade de Nápoles Federico II, na Itália, descreveu 22 mecanismos de ação desse composto.

São, portanto, mais estudos e evidências concretas de que os compostos da Cannabis podem ser aliados importantíssimos no tratamento de doenças mentais e alívio dos sintomas nos portadores, principalmente, de distúrbios mentais.

As pesquisas são animadoras e o trabalho incansável e fundamental dos cientistas envolvidos deverá abrir ainda mais caminhos nesse campo.

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