Setembro Amarelo: como a Cannabis medicinal pode ajudar na prevenção ao suicídio

suicídio

O suicídio é uma das principais causas de óbito. Segundo a OMS, em 2019, 700 mil pessoas morreram por esse motivo, 1 em cada 100, número superior ao de óbitos por ​​HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios.

A OMS se esforça para reduzir esses números em pelo menos um terço até 2030. No cenário atual, apenas 38 países têm uma estratégia nacional de prevenção para esta área.

A Organização reitera que é necessária uma aceleração significativa para cumprir a meta presente nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Pela importância do tema desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo®.

O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano.

Segundo a campanha, são mais de 13 mil suicídios no Brasil todos os anos. Abaixo veremos as principais patologias que levam a essa medida extrema.

Principais patologias que levam as pessoas ao suicídio

De acordo com o Manual MSD comportamentos suicidas geralmente resultam da interação de diversos fatores.

Porém, o principal deles é a Depressão. O Manual Para Profissionais de Saúde é categórico: “A quantidade de tempo gasto em um episódio de depressão é o preditor mais forte de suicídio. Além disso, suicídios parecem ser mais comuns quando ansiedade grave é parte de depressão maior ou depressão bipolar. O risco de pensamentos e tentativas suicidas pode aumentar em faixas etárias mais jovens depois que se inicia terapia com antidepressivos”.

Depressão

Na definição do DSM-V, manual elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais, a depressão provoca disfunções cognitivas, psicomotoras e de outros tipos (p. ex., dificuldade de concentração, fadiga, perda do desejo sexual, perda de interesse ou prazer em praticamente todas as atividades que anteriormente eram apreciadas, distúrbios do sono), bem como humor depressivo.

Pessoas com transtorno depressivo frequentemente têm pensamentos suicidas e podem tentar o suicídio. Outros sintomas ou transtornos mentais (p. ex., ansiedade e ataques de pânico) comumente coexistem, algumas vezes complicando diagnóstico e tratamento.

A depressão pode reduzir as respostas imunitárias protetoras. A depressão eleva o risco de doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico, talvez porque na depressão citocinas e fatores que aumentam a coagulação sanguínea estão elevados e a variabilidade da frequência cardíaca está reduzida — todos fatores de risco de doenças cardiovasculares.

Ansiedade

De acordo com o médico John W. Barnhill, psiquiatra e professor no Weill Cornell Medical College e que atua no New York Presbyterian Hospital, a ansiedade é um estado emocional perturbador e desconfortável de nervosismo e preocupação; suas causas são menos claras.

Ela está menos ligada com o momento exato da ameaça; ela pode ser antecipatória, antes da ameaça, persistir depois que a ameaça cessou, ou ocorrer sem ameaça identificável. A ansiedade é muitas vezes acompanhada por alterações físicas e comportamentos similares àqueles causados pelo medo.

Algum grau de ansiedade é adaptativo; pode ajudar as pessoas a preparar, praticar e executar algo, de maneira que seu funcionamento seja melhorado, e ajudá-las a ser apropriadamente cautelosas em situações potencialmente perigosas. Entretanto, além de certo limite, a ansiedade causa disfunção e perturbação inadequada. Nesse ponto, ela é desadaptativa, sendo considerada um transtorno.

A ansiedade ocorre em uma grande variedade de transtornos mentais e físicos, mas é o sintoma predominante em alguns deles. Transtornos de ansiedade são mais comuns que qualquer outra classe de transtornos psiquiátricos. Todavia, muitas vezes, não são reconhecidos e, por conseguinte, não são tratados. Deixada sem tratamento, a ansiedade crônica e desadaptativa pode contribuir para alguns distúrbios médicos gerais ou interferir no tratamento deles.

Estresse

Já na definição do Guia de Doenças e Sintomas do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta que o termo é amplamente usado, mas sua definição exata é pouco conhecida.

“As pessoas usam essa palavra para dizer que o dia foi corrido, com um monte de coisas para fazer, mas isso não necessariamente gera sinais de estresse, um mecanismo fisiológico sem o qual nem o ser humano nem os animais teriam sobrevivido até os dias de hoje”, diz Selma Bordin, psicóloga do Einstein.

Quando nossos ancestrais se deparavam com situações de perigo, como o encontro inesperado com um animal, precisavam defender-se – seja atacando ou fugindo. As duas reações possíveis demandam uma série de ajustes do corpo. “O batimento cardíaco acelera porque tem que bombear mais sangue, os músculos precisam receber mais energia, há um aumento da respiração e da pressão arterial, entre outras coisas”, explica a dra. Selma.

Atualmente, vivendo em cidades e enfrentando problemas bem diversos dos da selva – como pressões para atingir metas –, o corpo continua preparando-nos para lutar ou fugir quando nos sentimos ameaçados. Mas, em geral, não partimos para a briga física, nem saímos em disparada. E toda a adrenalina, por exemplo, liberada em nosso sangue, fica sem função.

O estresse pode desencadear crises de depressão e ansiedade e, portanto, também é um fator de risco para o suicídio.

Como a Cannabis Medicinal pode auxiliar na prevenção ao Suicídio

Em um estudo de 2010, intitulado Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria” e publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, resultados indicaram que o canabidiol demonstrou “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Segundo a publicação, o sistema canabinoide demonstra um potencial promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria.

O método da pesquisa partiu de uma busca e revisão profunda da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides. Principalmente o CBD e o THC.

Já o pesquisador da USP Eduardo Junji Fusse, em estudo publicado em 2019, afirma que o “sistema endocanabinóide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

Em outro estudo, um teste clínico da Universidade de São Paulo (USP) mostrou resultados relevantes do uso do canabidiol para tratar a síndrome de “burnout”, condição causada pelo esgotamento físico e mental. O objeto do estudo foi um grupo de médicos e profissionais de saúde na linha de frente da resposta à Covid-19.

Como resultado, a substância reduziu sintomas de fadiga emocional em 25% dos voluntários, depressão em 50% e ansiedade em 60% entre profissionais do Hospital Universitário da USP de Ribeirão Preto.

Descoberto pelo professor Dr. radicado em Israel Raphael Mechoulam em 1964, o sistema endocanabinóide levou ao aumento das pesquisas e uso do canabidiol (CDB) como uma substância de elevado valor terapêutico.

Segundo os estudos da equipe do professor, em linhas gerais, o canabidiol (CDB) age no tratamento de um amplo espectro de doenças graças à sua capacidade de  interação com dois receptores do nosso sistema nervoso chamados CB1 e CB2, responsáveis pelo funcionamento do sistema endocanabinoide, presente em todos os seres humanos e na maioria dos animais.

O professor Dr. descobriu que o papel fundamental desse sistema acontece na regulação da homeostase. Os endocanabinoides e os canabinoides exógenos, como o CBD, atuam com função reguladora, ora suprimindo, ora estimulando reações.

No caso da ansiedade, ele age intervindo na bioquímica envolvida nos padrões de comportamento desse transtorno, aliviando os seus sintomas ou neutralizando-os completamente.

Conclusão

Uma série de estudos mostram o grande potencial que o CBD possui para inibir ou tratar as principais causas que levam a transtornos depressivos, de ansiedade e estresse, podendo, dessa forma, evitar muitos casos de suicídio e salvar milhões de vidas.

Entretanto, a legislação e o estigma social ainda afetam negativamente o número de pesquisas medicinais usando os compostos da Cannabis. Aos poucos, essas barreiras vêm diminuindo, mas há muito trabalho pela frente.

Os resultados até agora, porém, são animadores.

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Todos os nossos produtos à base de Cannabis são aprovados pela Anvisa. Nos enquadramos na RDC nº 335/2020.

Referências:

Tratamento da epilepsia com Cannabis medicinal: como funciona, vantagens e benefícios.

Epilepsia Cannabis

O tratamento de epilepsia com Cannabis vem assumindo protagonismo no enfrentamento de casos da doença – o que não acontece por acaso.

De acordo com o Critical Review Report, da Organização Mundial de Saúde (OMS), essa poderosa substância tem efeitos benéficos para quem sofre do distúrbio que afeta o sistema nervoso e as sinapses no cérebro.

O reconhecimento se deve aos numerosos estudos que apontam para a eficácia dos canabinoides, que atuam como anticonvulsivantes e neuroprotetores.

Mas há muito mais a ser desvendado e, por isso, você está convidado a prosseguir na leitura deste artigo e conhecer mais sobre os tratamentos à base de canabidiol.

Tratamento da epilepsia com Cannabis: afinal, o que é epilepsia?

A epilepsia (CID-10 G40) é uma doença que afeta o sistema nervoso central (SNC) e o cérebro.

Entre os seus sintomas mais pronunciados, estão as crises convulsivas, que podem ser clônicas ou tônico-clônicas e que, em alguns casos, causam perda de consciência.

No Brasil, estima-se que de 1% a 2% da população sofra de epilepsia, doença que pode atingir pessoas de todas as idades. Trata-se de uma das enfermidades do SNC mais prevalentes.

O CFM – Conselho Federal de Medicina, desde o ano de 2014 regulamenta o uso compassivo do canabidiol para crianças e adolescentes com epilepsias refratárias aos tratamentos convencionais.

O uso compassivo do canabidiol (CBD), um dos 80 derivados canabinoides da Cannabis sativa, foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para crianças e adolescentes portadores de epilepsias refratárias aos tratamentos convencionais. A decisão faz parte da Resolução CFM no 2.113/2014, publicação no Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com um estudo de alcance mundial sobre epilepsia, em 2015, cerca de 39 milhões de indivíduos em todo o mundo sofriam de alguma das suas modalidades.

E, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epilepsia é a doença neurológica de maior prevalência no mundo.

Em 2019, a OMS ainda estimou que cerca de 50 milhões de pessoas sejam afetadas por esse distúrbio, que atinge crianças, adultos e idosos.

Ou seja, os casos de epilepsia acabam crescendo em taxas altas. Por isso, a importância de falarmos mais sobre a patologia.

Quais são as causas da epilepsia?

Entre as possíveis causas externas para desenvolvimento da epilepsia, destacam-se:

  • Abuso de álcool e drogas
  • Neurocisticercose
  • Infecções (como a meningite)
  • Problemas no parto.

De qualquer modo, nem sempre as causas primárias da doença podem ser prontamente identificadas.

Isso porque a epilepsia também pode ser genética ou estar ligada a fatores emocionais e até ao estresse.

Em outros casos, a medicina simplesmente não consegue identificar sua origem.

Dessa forma, o tratamento deve se limitar aos sintomas mais recorrentes, em virtude da impossibilidade de se atacar a causa primária.

Quais são os fatores de risco para crises epiléticas?

Como toda doença neurológica, a epilepsia apresenta certos fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa vir a desenvolvê-la.

Quem sofreu pancadas fortes na cabeça ou traumatismo craniano, nesse aspecto, tem mais chances de se tornar um epiléptico.

Ainda estão no grupo de risco para a doença indivíduos com histórico familiar e pessoas que tenham nascido com malformações congênitas no cérebro.

Portadores de arritmias cardíacas também devem ficar atentos, já que a possibilidade de eles desenvolverem o distúrbio é maior do que a média.

Quais são os principais sintomas de epilepsia?

Epilepsia Cannabis

Os sintomas da epilepsia são decorrentes de uma atividade elétrica anormal do cérebro, que passa a funcionar em uma frequência muito mais alta do que o normal.

Com isso, uma série de reações físicas e psíquicas são desencadeadas, algumas delas potencialmente perigosas, porque podem levar o paciente a sofrer lesões.

Uma crise epiléptica é um evento bastante delicado e que demanda cuidados específicos.

Entre eles, é importante controlar a sua duração, já que geralmente um ataque não se estende por mais de cinco minutos.

Se isso acontecer, o socorro médico deve ser acionado.

Para impedir traumas na cabeça (que pode sofrer pancadas em uma convulsão), recomenda-se manter a pessoa deitada com uma toalha ou algo que possa amortecer os impactos logo embaixo.

Veja, a seguir, quais são os sintomas mais recorrentes da epilepsia e como eles se manifestam.

Espasmos e contrações musculares

Também conhecidos como mioclonias, os espasmos e as contrações musculares em epilépticos podem afetar um músculo apenas ou um grupo muscular inteiro.

Existe toda uma gradação desse tipo de crise, que pode se manifestar tanto em microtremores insignificantes quanto por longas e perigosas contrações.

Vale prestar atenção também à frequência.

Se os espasmos são recorrentes e de amplitude moderada à alta, é recomendado procurar ajuda médica para o diagnóstico e posterior tratamento.

Movimentos involuntários

Junto aos espasmos, podem acontecer também movimentos involuntários de membros, músculos da face, pálpebras ou da cabeça.

A recomendação válida para os espasmos se aplica igualmente para esse sintoma.

Se eles se apresentam periodicamente e de maneira mais aguda, é sinal de que a pessoa pode sofrer de algum tipo de epilepsia.

Lapsos de atenção

Nem sempre a epilepsia se manifesta por crises tônicas, ou seja, com espasmos musculares ou convulsões violentas.

Na verdade, em alguns casos, ela se apresenta de forma oposta, isto é, a pessoa parece se “desligar” do mundo ou ter dificuldades para prestar atenção ou se concentrar em uma tarefa.

É preciso ter muito cuidado com esse sintoma, presente em modalidades como epilepsia do lobo frontal, que pode levar a perdas nas funções cognitivas.

Entorpecimento

Uma vez que as sinapses no cérebro são afetadas, pode ser que uma crise epiléptica seja acompanhada de entorpecimento.

O paciente age como se estivesse dopado e, em alguns casos, pode apresentar perda de memória recente.

Perda de consciência

Por sua vez, os desmaios ocorridos durante um ataque epiléptico podem sinalizar para uma forma de epilepsia mais grave.

Se eles acontecem com frequência, o paciente deve ser levado o mais rápido possível para uma unidade de saúde a fim de realizar exames para um eventual diagnóstico.

Quais são os tipos de crises epiléticas?

Agora, vamos conhecer detalhes sobre os diferentes tipos de crises epiléticas e suas consequências.

Crise generalizada

As crises generalizadas se caracterizam por afetar todo o cérebro.

Segundo as autoras do livro Crises Epiléticas (Leitura Médica Ltda., 2014), Silvia Kochen e Elza Márcia Targas Yacubian, esse tipo de crise pode “incluir estruturas corticais e subcorticais, mas não necessariamente todo o córtex […] e podem ser assimétricas”.

Como comprometem áreas maiores do cérebro, a modalidade generalizada acaba por apresentar um conjunto de variações mais amplo, com destaque para as crises:

  • Clônicas
  • Mioclônicas
  • De ausência
  • Atônicas
  • Tônicas
  • Tônico-clônicas.

Crise focal ou parcial

Nos casos em que uma parte de um hemisfério cerebral é atingida, fica configurada a epilepsia parcial que, normalmente, se manifesta em crianças.

Essa modalidade da doença pode ser classificada conforme a região do cérebro comprometida:

  • Lobo frontal: causada por malformações do cérebro, displasias ou lesões perinatais
  • Lobo temporal: suas causas mais frequentes são tumores embrionários, displasias ou esclerose hipocampal, caracterizando-se por crises de ausência
  • Lobo parietal: de ocorrência rara na infância, apresenta manifestações que podem ser confundidas com outros tipos de epilepsia parcial
  • Crises centrais: também chamada de epilepsia rolândica, é a forma mais comum da doença na infância, correspondendo a ¼ de todas elas. Seus acessos afetam, basicamente, os músculos da face e da garganta
  • Lobo occipital: caracteriza-se por problemas visuais como alucinações, desvios oculares e até cegueira.

Outra maneira de se classificar as crises parciais é como complexa, em que o paciente sofre desmaios, ou simples, quando ele não tem perda de consciência.

Como é feito o diagnóstico da epilepsia?

Em crianças e adolescentes, o diagnóstico de epilepsia pode ser feito caso tenha ocorrido mais de uma convulsão em um curto período de tempo.

Nesse cenário, os pais devem comparecer ao médico e relatar como foram as crises, contando o que aconteceu antes, durante e depois.

Se possível, vale gravar a ocorrência em vídeo para que o especialista possa identificar com ainda mais precisão o tipo de epilepsia em questão.

Também podem ser prescritos os seguintes exames:

  • Imagem de ressonância magnética
  • Tomografia axial computorizada
  • Electroencefalograma
  • Análise de sangue.

Quais são os tratamentos tradicionais para crises epiléticas?

Normalmente, os tratamentos contra a epilepsia se baseiam na prescrição de medicamentos como anticonvulsivantes.

Também podem ser indicadas terapias como a dieta cetogênica, estimulação do nervo vago (VNS) ou estimulação cerebral profunda (DBS).

Só em casos mais extremos é recomendada a cirurgia, como acontece quando é diagnosticada a epilepsia focal, que atinge apenas uma parte do cérebro.

Tratamento da epilepsia com Cannabis: como funciona?

Epilepsia Cannabis

Um dos principais desafios para médicos e pacientes é quando se manifesta a chamada epilepsia refratária.

Nesse caso, ele não responde às soluções convencionais, o que exige uma abordagem alternativa.

É quando pode ser prescrito o tratamento à base de canabinoides, cujas propriedades ajudam no controle das crises.

Para fins de recursos terapêuticos, o médico deverá indicar a dosagem adequada, que pode ser aumentada com o passar do tempo.

O que os especialistas dizem sobre o uso de Cannabis no tratamento de epilepsia?

Você viu logo no início deste conteúdo que a própria OMS já reconheceu a eficácia da Cannabis no tratamento da epilepsia.

Embora sejam necessários cada vez mais estudos, os relatos de pessoas que conseguiram controlar a doença (e até de animais) e as pesquisas acadêmicas apontam para um futuro promissor.

Uma delas é o artigo Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome, publicado em 2018.

No estudo, foram testados 226 pacientes portadores da síndrome de Lennox-Gastaut (SLG), uma condição epiléptica pediátrica grave.

Os pesquisadores verificaram que a adição de canabidiol ao tratamento farmacológico convencional diminuiu consideravelmente a frequência das convulsões.

Quais propriedades terapêuticas da Cannabis auxiliam no tratamento da epilepsia?

Entre as várias propriedades terapêuticas da Cannabis medicinal, duas são especialmente importantes para quem sofre de epilepsia: a anticonvulsivante e a neuroprotetora.

A primeira foi estudada na pesquisa Cannabinoids in the Treatment of Epilepsy: Hard Evidence at Last?, em que o autor Emilio Perucca conclui:

“Após quase quatro milênios de uso médico documentado no tratamento de distúrbios convulsivos, estamos muito perto de obter evidências conclusivas da eficácia dos canabinoides em algumas síndromes epilépticas graves.”

Já no Review of the neurological benefits of phytocannabinoids, os autores Joseph Maroon e Jeff Bost concluem que:

“A pesquisa atual indica que os fitocanabinoides têm um poderoso potencial terapêutico em uma variedade de doenças, principalmente por meio da sua interação com o sistema endocanabinoide. O CBD é de particular interesse devido à sua ampla capacidade e à falta de efeitos colaterais em uma variedade de doenças e condições neurológicas.”

Tratamento de epilepsia com Cannabis: quais são as vantagens?

O tratamento de epilepsia com CBD, embora ainda não seja 100% chancelado pela ciência, já é considerado seguro e eficaz.

Isso porque o óleo de canabidiol, um dos medicamentos mais prescritos, apresenta vantagens bastante relevantes, se comparado com os fármacos convencionais.

Conheça alguns deles nos tópicos abaixo.

Melhora o humor

Embora seja um benefício que é mais recorrente em tratamentos contra distúrbios de comportamento, a melhora do humor também acontece em portadores de epilepsia.

Afinal, em doenças que afetam o sistema nervoso central e a cognição, como o Alzheimer, o canabidiol pode promover grandes transformações.

Também é eficaz nos casos de pacientes agressivos por conta do transtorno do espectro autista (TEA).

Desse modo, o CBD vem a ser um poderoso aliado para aprimorar a qualidade de vida, inclusive nos portadores de epilepsia, porque ajuda a recuperar a homeostase e, assim, leva a uma melhora no bem-estar geral.

Efeito entourage

efeito entourage, que sempre abordamos em nossos conteúdos, é uma vantagem adicional do canabidiol no tratamento contra a epilepsia.

Por meio dele, os benefícios à saúde proporcionados pelos canabinoides são potencializados em função do princípio da sinergia botânica.

Isso acontece porque, em geral, o CBD é administrado em forma de óleo de espectro amplo ou completo, no qual ele se mistura aos outros canabinoides extraídos da Cannabis.

Fora isso, a Cannabis contém flavonoides e terpenos, que também potencializam os efeitos terapêuticos.

Sendo assim, elas fazem com que o canabidiol promova muito mais benefícios à saúde do que quando administrado de maneira isolada.

Poucos efeitos adversos

Talvez uma das principais descobertas sobre o CBD feitas pela ciência é a de que ele provoca menos efeitos colaterais do que os medicamentos convencionais.

Para certos pesquisadores, isso se deve ao fato de ele interagir com o sistema endocanabinoide, o que faz com que o organismo tolere melhor o canabidiol.

Uma evidência dessa tolerância está na utilização do extrato de CBD em cuidados paliativos de pacientes com câncer.

Eles são submetidos a sessões de quimioterapia e uma medicação pesada que os levam a sentir náuseas e a vomitar.

Desse modo, o canabidiol é uma alternativa para eliminar ou atenuar essas reações, colaborando para melhorar a qualidade de vida e promovendo alívio dos efeitos adversos.

Produto 100% natural

Os avanços da indústria farmacêutica devem ser celebrados, afinal, muitos deles vêm salvando vidas em todo o mundo.

Ainda assim, os benefícios dos medicamentos fabricados, em alguns casos, são superestimados, o que pode ser uma das causas da automedicação.

É cada vez mais consenso que a prioridade em tratamentos para epilepsia (e outras doenças) deveria ser as soluções naturais, entre as quais está a Cannabis.

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Como você viu, uma vantagem particularmente interessante no tratamento da epilepsia com Cannabis diz respeito aos raros efeitos colaterais.

Credita-se isso à sua interação com o organismo via sistema endocanabinoide, razão pela qual ele é, em geral, bem tolerado em praticamente todos os tipos de tratamento.

Embora a ciência ainda não tenha todas as respostas, até agora, os estudos já publicados trazem evidências sobre o uso seguro dos medicamentos com canabinoides.

Um deles é a revisão An Update on Safety and Side Effects of Cannabidiol: A Review of Clinical Data and Relevant Animal Studies, de autoria de Franjo Grotenhermen e Kerstin Iffland, do Instituto Nova, na Alemanha.

Na conclusão, eles enfatizam que o perfil de segurança do CBD já está estabelecido de muitas formas, o que o torna seguro como recurso terapêutico.

Onde encontrar produtos à base de Cannabis para tratar a epilepsia?

Considerando a oferta ainda restrita de Cannabis medicinal no Brasil, é comum recorrer à importação de medicamentos em tratamentos contra a epilepsia.

Veja a seguir como acontece o processo, todo ele controlado pela Anvisa.

Consulta médica

A compra de medicamentos que contêm CBD começa na consulta médica, na qual o especialista prescreve o remédio conforme as necessidades do paciente.

Pedido junto à Anvisa

De posse da receita, identidade e comprovante de residência, o comprador/paciente deve acessar o site da Anvisa para envio da documentação e preenchimento do devido formulário.

Resposta da Anvisa

Feito o pedido, é preciso aguardar pela resposta do órgão de controle, que pode chegar dentro de dez dias, aproximadamente.

Se o retorno for positivo, é emitida a autorização de importação.

Compra e entrega

Sempre respeitando os limites da Anvisa, que proíbe a compra de medicamentos de CBD que não sejam administrados via oral ou nasal, pode ser feita a aquisição do produto do exterior.

Para maior comodidade, utilize o serviço de concierge da Tegra Pharma, que realiza todo esse trabalho para o paciente, cumprindo todas as etapas legais exigidas.

Conclusão

Em virtude das muitas vantagens da opção pelo CBD, o tratamento de epilepsia com Cannabis pode ser até priorizado, sobrepondo-se às alternativas conservadoras.

Isso porque as pesquisas indicam que ele apresenta poucos efeitos adversos e pode ser eficaz até para tratar das versões mais resistentes da doença.

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Interação medicamentosa: o cuidado que todo médico deve ter ao prescrever Cannabis Medicinal com outros medicamentos

interação medicamentosa

Estudo indica medicamentos que podem interagir com a Cannabis e reforça o cuidado com a interação medicamentosa.

Os pesquisadores alertam para os efeitos mais graves, com destaque para 57 medicamentos que exigem dosagem mais rigorosa e podem ter efeito ampliado pela Cannabis. Confira aqui a lista.

Com epilepsia, o paciente usa valproato, que pode gerar problemas no fígado. Ou tem um problema cardíaco que o faz usar varfarina – o que pode levar a sangramentos ou até mesmo uma trombose.

Estes são somente dois dos medicamentos que podem trazer efeitos inesperados, se utilizados em conjunto com a Cannabis medicinal. 

Ambos fazem parte de uma lista de 57 substâncias (ver abaixo), publicada por pesquisadores da Faculdade de Medicina Penn State. 

O que diz a pesquisa sobre interação medicamentosa

Os autores do estudo foram: o professor e diretor de farmacologia Kent Vrana e o farmacêutico Paul Kocis, ambos da Faculdade de Medicina Penn State.

Eles explicam o foco dado em medicamentos com margem terapêutica estreita. Ou seja, aqueles prescritos em doses muito específicas, suficiente para serem efetivos; caso contrário, qualquer excesso pode causar danos.

É a chamada “margem terapêutica estreita”, muito importante ser observado quando da interação medicamentosa.

Lista de medicamentos para interação medicamentosa

Publicada no jornal científico Medical Cannabis and Cannabinoids, a lista visa auxiliar médicos a considerar os medicamentos prescritos e suas interações.

Para desenvolver o estudo, os pesquisadores avaliaram quatro medicamentos canabinoides. Suas bulas incluíam uma lista de enzimas que processam os ingredientes ativos dos medicamentos, como THC e CBD.

Eles compararam estas informações com as bulas de remédios comuns disponíveis em agências regulatórias como a U.S. Food and Drug Administration para identificar onde poderia haver sobreposição.

Os canabinoides são usados em diversos tratamentos como estimulação de apetite, epilepsia, controle de dor, náuseas e vômitos em pacientes tratando câncer, ansiedade, entre outros.

Em geral, os canabinoides são bem tolerados e seguros, mas é necessário cuidado ao administrar certas drogas ao mesmo tempo da Cannabis, principalmente para idosos e pessoas com doenças de rins e fígado.

Margem terapêutica estreita

Drogas variadas fazem parte da lista: remédios para o coração, antibióticos, antifúngicos, anticoagulantes. No caso da varfarina, é um medicamento que previne a formação de coágulos e é prescrita para pacientes com fibrilação atrial ou depois de substituição de válvula cardíaca e tem grande potencial de interação com canabinoides.

Por fazer parte da lista dos medicamentos com margem terapêutica estreita, qualquer alteração em seus efeitos pode causar sangramentos ou trombose. Como o CBD e o THC inibem a atividade das enzimas CYP, podem acarretar a diminuição dos efeitos da droga. O cuidado, portanto, deve ser tomado tanto por médicos prescritores de Cannabis, quanto por prescritores da varfarina. 

Os pesquisadores avisam que a atenção não deve se restringir apenas ao uso medicinal da Cannabis. Também o uso adulto ou recreacional precisa ser levado em consideração.

Segundo Vrana, produtos não regulamentados frequentemente contém os mesmos ingredientes que os canabinoides medicinais, mas em diferentes concentrações. Por isso, o paciente deve ser honesto com a equipe médica que o atende, informando desde o uso adulto da maconha até medicamentos OTC (vendidos nas prateleiras sem necessidade de receita). 

Como funciona a interação medicamentosa

Quando tomamos uma substância, o corpo a metaboliza, ou seja, faz a quebra dessa substância. O metabolismo dos remédios acontece por todo o corpo, mas mais comumente no trato digestivo e no fígado.

A família de enzimas P450 (CYP450) faz o trabalho de processar substâncias estranhas de forma que elas sejam eliminadas, mas alguns medicamentos afetam estas enzimas, acelerando ou desacelerando o metabolismo. Este processo pode alterar a absorção de medicamentos, daí a interação medicamentosa.

A família CYP450 é a responsável por metabolizar diversos canabinoides, inclusive o CBD. Mas, durante este processo, o canabidiol também interage com ela, que é responsável por metabolizar pelo menos 50% dos remédios prescritos.

Como o CBD pode estimular ou inibir a ação dessas enzimas, o remédio pode permanecer por mais tempo ou menos no corpo, trazendo efeitos indesejados. Por isso a importância em regular as doses dos outros remédios ao prescrever Cannabis medicinal.

Outros medicamentos 

Além dos 57 medicamentos com margem terapêutica estreita,  Vrana e Kocis também listaram outros 139 medicamentos que podem ter interações medicamentosas com a Cannabis. Eles planejam atualizar com frequência, sempre incluindo medicamentos recentemente aprovados e conforme novas evidências científicas forem surgindo.

Alguns dos medicamentos com interações mais conhecidas:

Clobazam

O CBD aumenta a ação e também os efeitos colaterais deste benzodiazepínico usado para tratar convulsões associadas à síndrome de Lennox-Gastaut em crianças e adultos. Mesmo assim, o CBD é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana para tratar ataques epilépticos tanto de Lennox-Gastaut como para Dravet. 

Quando as duas drogas são usadas juntas, o CBD aumenta a concentração do clobazam, chegando a triplicar sua concentração no metabolismo, aumentando não só seus efeitos, como a indesejada sedação. Por isso, médicos devem ser orientados a diminuir as doses do clobazam quando usado em conjunto com o CBD.

Valproato

Outra droga prescrita para tratar epilepsia e também transtorno bipolar e prevenir dores de cabeça. Tomar CBD com valproato pode aumentar os níveis enzimáticos no fígado e causar dano no órgão.

Em estudos clínicos descritos na bula do isolado fármaco Epidiolex, 21% dos pacientes com epilepsia que tomaram ambos tiveram níveis elevados de transaminase (enzimas intracelulares, que, em altas quantidades indicam destruição celular), chegando a três vezes o limite saudável.

Este número chega a 30% de casos quando havia também a prescrição do clobazam. Por isso, o próprio fabricante do Epidiolex recomenda a descontinuação ou ajuste de dose caso exames acusem alta de transaminase. 

Lista de medicamentos do estudo

  • acenocumarol (VKA)
  • alfentanil
  • aminofilina
  • amiodarona
  • amitriptilina
  • anfotericina B
  • argatroban
  • busulfan
  • carbamazepina
  • clindamicina
  • clomipramina
  • clonidina
  • clorindiona (VKA)
  • ciclobenzaprina
  • ciclosporina
  • etexilato de dabigatrana
  • desipramina
  • dicumarol (VKA)
  • digitoxina
  • dihidroergotamina
  • difenadiona (VKA)
  • dofetilide
  • dosulepina
  • doxepina
  • ergotamina
  • esketamina
  • etinilestradiol (contraceptivos orais)
  • etossuximida
  • biscoumacetato de etila (VKA)
  • everolimus
  • fentanil
  • fluindiona (VKA)
  • fosfenitoína
  • imipramina
  • levotiroxina
  • lofepramina
  • melitraceno
  • meperidina
  • mefenitoína
  • ácido micofenólico
  • nortriptilina
  • paclitaxel
  • fenobarbital
  • fenprocumon (VKA)
  • fenitoína
  • pimozida
  • propofol
  • quinidina
  • sirolimus
  • tacrolimus
  • temsirolimus
  • teofilina
  • tiopental
  • tianeptina
  • trimipramina
  • ácido valpróico
  • varfarina (VKA)

Estudos citados da interação medicamentosa nesta matéria

https://www.mdlinx.com/article/rx-drugs-that-don-t-mix-with-cbd-thc-and-marijuana/lfc-4695)
https://www.karger.com/Article/Pdf/507998
https://www.sciencedaily.com/releases/2020/08/200803120158.htm

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O que é efeito entourage? Ciência busca entender interação de canabinoides, terpenos e flavonoides

efeito entourage

Nem tudo se resume aos canabinoides quando se fala em Cannabis. Ainda que o potencial terapêutico do THC e CBD apareçam com força nas pesquisas científicas, há muito a ser estudado nos mais de 500 compostos químicos da planta, cada qual com suas propriedades terapêuticas.

Mais do que isso: falta ainda à ciência comprovar como a junção de vários desses compostos interage no organismo e potencializa seus efeitos terapêuticos. É o que o médico Dr. Raphael Mechoulam, considerado o ‘pai da Cannabis’, batizou como “efeito entourage”.

Em 1998, o renomado cientista, junto com Shimon Ben-Shabat, publicou um artigo confirmando evidências sobre esses efeitos. De acordo com ele, o sistema endocanabinoide reagia melhor estimulando ainda mais a atividade dos endocanabinoides, quando a Cannabis estava composta de vários elementos, ainda que inativos, e não apenas um.

Em outras palavras, um remédio com teores de THC e CBD – ou a união de quaisquer outros compostos – funcionaria melhor do que um óleo com apenas um desses canabinoides. É fácil entender o motivo: se cada elemento gera um efeito diferente no organismo, isolar os elementos reduz a gama de possíveis resultados terapêuticos.

Pense na relação entre THC e CBD. Segundo relato de pacientes com dores crônicas, o primeiro surte mais efeitos na redução do sofrimento do que o segundo. Só que o THC traz efeitos psicoativos – e nem todo paciente pode ou quer se sentir chapado. Até porque cada pessoa reage de formas diferentes.

A psicoatividade da Cannabis pode aumentar a ansiedade em alguns. E aí entra o papel do CBD: ele tem o potencial de reduzir os efeitos psicoativos do THC. Ou podem, juntos, atuar ainda mais na melhora da dor.

Em 2010, cientistas convidaram 177 pacientes oncológicos que, apesar do uso de opioides, sofriam com dores causadas pelo câncer. Alguns tomaram, ao longo de duas semanas, um remédio com as mesmas dosagens de THC e CBD, outro apenas com THC, e um terceiro grupo recebeu placebo.

Quem mais relatou alívio foram os pacientes da primeira turma, que receberam doses de THC e CBD.

Mas não é apenas a interação entre os canabinoides que pode fazer diferença. A Cannabis tem outros tantos elementos, entre eles flavonoides e terpenos. Mais uma vez, cada um deles têm suas propriedades terapêuticas.

Ação dos terpenos no efeito entourage

O neurologista Ethan Russo, renomado pesquisador na área de Cannabis, revisou uma série de estudos para avaliar esses compostos e escrever sobre o “efeito entourage”. E ele cita, entre outros casos, o limoneno, um terpeno que dá o cheiro cítrico característico do limão e laranja, e que também está presente na Cannabis.

Testes realizados com ratos sugerem que esse componente químico pode funcionar como ansiolítico – ou ainda ser usado como inibidor de células de mama cancerígenas. Já o mirceno foi capaz de criar um relaxamento muscular nos ratos. Por ser sedativo, costuma ser usado na Alemanha para ajudar pacientes com insônia.

Outros terpenos podem fazer ainda melhor em parceria com demais componentes da Cannabis, segundo Russo. Um exemplo é o tratamento da acne. De acordo com o pesquisador, o CBD “oferece grande promessa de atenuar o aumento da produção de sebo na raiz patológica da acne”.

Somado a outros três terpenos – limoneno, linalol e pineno -, que inibem a proliferação das
bactérias Probionibacterium acnes, responsáveis pela formação de espinhas, podem fornecer um remédio completo.

“Considerando a mínima toxicidade já conhecida do CBD e dos terpenoides a essas descobertas (citadas acima), novos tratamentos contra acne usando extratos com predominância de CBD, por uma via múltipla de alvos, podem apresentar uma abordagem terapêutica nova e promissora, com riscos mínimos em comparação à isotretinoína”, escreve Russo.

Isotretinoína é o remédio usado para tratar acne. Mas é tão agressivo que o uso durante a gravidez não é recomendado.

Ainda faltam muitas pesquisas para avançar nas descobertas sobre o efeito entourage. Mas com a legalização da Cannabis em diversos países, a tendência é que novidades apareçam em breve – e com mais frequência do que nas últimas décadas.

FONTES
https://bpspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1111/j.1476-5381.2011.01238.x
http://files.iowamedicalmarijuana.org/petition/2012/Johnson_2010.pdf

Flavonoides: O Que São, Tipos de Alimentos e 5 Benefícios

Flavonoides

Você conhece os benefícios dos flavonoides e onde eles podem ser encontrados? Descubra agora e veja onde encontrar!

Já adiantamos que esse é um assunto que pode surpreender você, mas de uma forma muito positiva.

Tal composto é um dos mais poderosos aliados da saúde humana, o que se justifica por suas diversas propriedades nutricionais e terapêuticas.

Veja, por exemplo, o que diz uma pesquisa do Oncoguia, segundo a qual estima-se que o número de casos de câncer aumentará em 42% nos próximos anos no Brasil.

Um dos fatores de risco para essa doença é a má alimentação e, nesse aspecto, os flavonoides atuam prevenindo ou minimizando os riscos de desenvolvê-la.

Mas não é somente sobre o que comemos. 

Como estamos falando de um composto natural, ele também pode ser extraído de plantas utilizadas de forma medicinal.

É o caso da Cannabis, cuja eficácia no tratamento de uma série de doenças vem sendo comprovada por estudos diversos.

Porém, esse é só o começo da história toda: existem muitos outros benefícios associados aos flavonoides que você precisa conhecer.

Para saber quais são, avance na leitura!

O que são flavonoides?

Flavonoides são um tipo de composto fenólico que, por sua vez, é uma classe de substâncias químicas que exercem variadas funções orgânicas.

Eles se destacam por terem propriedades nutritivas e farmacêuticas, e os alimentos que os contêm são conhecidos como nutracêuticos.

Os flavonoides estão presentes em frutas, vegetais, flores, cereais, sementes e plantas diversas, além de também serem encontrados em produtos fabricados a partir delas, de bebidas a fitofármacos.

No caso de plantas, como as do gênero Cannabis, eles contribuem para dar cor, sabor e aroma.

Flavonoides: para que servem?

Se você não ingere flavonoides em quantidades ideais, é hora de rever a sua alimentação.

Afinal, eles exercem funções nutricionais que os tornam insubstituíveis e uma das bases de uma dieta saudável.

De qualquer forma, para responder mais diretamente à pergunta deste tópico, podemos dizer que a principal atribuição deles é combater os radicais livres.

Esse tipo de molécula se caracteriza por ser altamente instável e, se presente em grandes volumes no corpo humano, é capaz de causar sérios danos à saúde.

Sendo assim, os flavonoides poderiam ser considerados como os “mocinhos”, enquanto os radicais livres são os “vilões”.

Mas, como veremos ainda neste conteúdo, utilidades não faltam para esse incrível composto – inclusive, sendo empregados no enfrentamento de doenças.

Quais são os tipos de flavonoides?

A ciência já tem catalogados pelo menos 6 mil tipos de flavonoides distintos.

É um grande grupo de substâncias é subdividido em outras categorias, dependendo das suas características e dos alimentos em que são encontrados.

Os mais comuns deles são:

  • Flavanas: presentes em frutas, no chá-verde e no chá-preto, são responsáveis pelo sabor de certas bebidas
  • Antocianina: usada como corante, pode ser encontrada em algumas flores e frutas
  • Flavonas: mais abundante em frutas cítricas, também estão presentes em ervas e vegetais, sendo ainda responsáveis pela coloração amarelada das flores
  • Flavononas: tipo de flavonoide presente exclusivamente em frutas cítricas
  • Isoflavonoides: são encontrados especialmente na soja e em alguns legumes
  • Flavonóis: vegetais e frutas em geral são as principais fontes desse composto
  • Canaflavinas: são os flavonoides específicos das plantas Cannabis.

Flavonoides: 5 benefícios

Outra coisa que a ciência já sabe sobre os flavonoides é que eles promovem incontáveis benefícios à saúde.

Isso é comprovado por pesquisas mundo afora, nas quais esse composto vem sendo submetido a testes e a revisões de estudos para confirmar seu potencial terapêutico.

Portanto, se você se preocupa com o envelhecimento ou a respeito de ter uma vida mais saudável, considere com bastante seriedade incluir ou incrementar sua ingestão de flavonoides.

Motivos não faltam para adotar desde já uma dieta rica nesse nutriente. 

1. Combate aos radicais livres

Praticamente todo material que você ler sobre flavonoides vai citar em algum momento suas propriedades em impedir a proliferação dos radicais livres.

Felizmente, parece que a ciência tem respostas bastante claras acerca dos benefícios do componente.

O mais interessante é que, ao combater os radicais livres, os flavonoides impedem, por tabela, mutações anormais nas células do corpo humano, o que impede ou ao menos atrasa o desenvolvimento de câncer.

É isso que diz um estudo publicado na revista da fundação Elsevier, em que ficou comprovada a eficiência da substância em impedir a mutagênese:

“Quando 40 flavonoides foram investigados para proteção contra mutagenicidade induzida por BHP ou CHP em S. typhimurium TA102, compostos que satisfazem todos os critérios mencionados acima foram antimutágenos eficazes, por exemplo, fisetina, quercetina, ramnetina, rutina, isoquercitrina, hiperosídeo, robinetina e miricetina(…).”

2. Ação anti-inflamatória

Os flavonoides se caracterizam por associar uma série de efeitos benéficos que se complementam. 

Nesse sentido, ao impedirem a propagação dos radicais livres, eles surgem como poderosos anti-inflamatórios e antioxidantes, como veremos a seguir.

Sobre o primeiro, um artigo também publicado na revista da fundação Elsevier chega a conclusões interessantes a respeito das propriedades dos flavonoides, com destaque para:

  • Podem inibir enzimas ou fatores de transcrição importantes na inflamação
  • São antioxidantes potentes, com capacidade de atenuar os danos aos tecidos
  • Parecem ter ações benéficas in vitro em doenças inflamatórias.

3. Efeito antioxidante

O que dizer, então, das propriedades antioxidantes dos flavonoides?

Um estudo que comprova esse efeito foi publicado na revista The Scientific World Journal, no qual importantes conclusões são tiradas.

Observe este trecho:

“Os flavonoides têm sido sugeridos como defesas antioxidantes em tecidos vegetais expostos a diferentes estresses. A peroxidação lipídica é a consequência comum do estresse oxidativo que perturba a integridade da membrana celular. A quercetina pode interagir com a cabeça polar dos fosfolipídios na interface dos lipídeos da água, aumentando a rigidez da membrana e, conseqüentemente, protegendo as membranas do dano oxidativo.”

4. Atuação vasodilatadora

A vasodilatação é a capacidade que as artérias têm de se expandir, facilitando o fluxo sanguíneo.

Trata-se de um atributo bem-vindo para pessoas que sofrem de problemas de circulação, pressão alta ou condições cardiovasculares.

Essa é mais uma propriedade dos flavonoides, que podem ter tal efeito em diversas situações.

Uma das muitas pesquisas publicadas na revista da fundação Elsevier traz mais esclarecimentos sobre essa propriedade, especialmente em relação à quercetina.

Em testes realizados com animais e humanos, ela revelou-se um potente vasodilatador.

5. Ação anticancerígena

Talvez o efeito mais festejado dos flavonoides seja o anticancerígeno.

Pesquisas também não faltam para atestá-lo, como esta que foi publicada na revista do NCBI e na qual os autores concluíram o seguinte:

“Foi demonstrado que os flavonoides possuem uma ampla variedade de efeitos anticâncer: eles modulam as atividades de enzimas sequestrantes das espécies reativas de oxigênio (ROS), participam na interrupção do ciclo celular, induzem a apoptose, autofagia e suprimem a proliferação e invasividade das células cancerosas.”

Na mesma revista, uma outra pesquisa traz mais revelações sobre os flavonoides como anticancerígenos:

“Em muitos mecanismos moleculares de ação para a prevenção do câncer, os flavonoides desempenham um papel importante ao interagir entre diferentes tipos de genes e enzimas.”

Flavonoides: exemplos e aplicações

Dados os benefícios que acabamos de conhecer, os flavonoides não só podem como devem se fazer presentes em uma dieta saudável.

As pesquisas estão aí para comprovar ou sugerir seus efeitos protetivos contra doenças graves, entre as quais se destaca o câncer.

Um exemplo disso é quando um nutrólogo ou nutricionista indica alimentos que contêm esse composto como meio de evitar as neoplasias malignas.

O mesmo vale para aqueles que sugerem uma dieta rica em flavonoides como forma de prevenir contra doenças cardiovasculares ou problemas de circulação.

Entre tais substâncias, destacam-se a quercetina, a apigenina e o kaempferol como os mais efetivos.

No entanto, como você viu, o que não faltam são flavonoides na natureza, todos eles com propriedades nutricionais e terapêuticas de grande valor.

Quais são os alimentos ricos em flavonoides?

Por outro lado, não é qualquer alimento que contém o composto e, na hora de escolher, é preciso ser criterioso para incluir as opções certas na dieta.

Considerando o amplo leque de alternativas, destacamos a seguir seis produtos ricos em flavonoides que provavelmente já até façam parte do seu cardápio.

  • Maçã: abundante em quercetina, a maçã ajuda a reduzir o risco câncer e de Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Cebola: igualmente rica em flavonoides, a cebola é conhecida por suas propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias
  • Uva: contém catequinas e, por isso, ajuda a diminuir o risco de infarto, doenças cardíacas e a reduzir o colesterol ruim
  • Brócolis: os flavonoides presentes no brócolis são especialmente eficazes na prevenção do câncer, inclusive o de pulmão
  • Soja: poderosa aliada da saúde da mulher, a soja contém isoflavonas, úteis para amenizar os sintomas da osteoporose, menopausa e a reduzir o colesterol
  • Alho: destaca-se por ter compostos sulfurados e ser rico em flavonoides com propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias e antivirais.

Flavonoides: medicamentos

Há, ainda, a possibilidade de ingerir o composto na forma de fitofármacos, alguns dos quais podem ser obtidos em farmácias de manipulação.

Outros se apresentam como um dos componentes utilizados na fabricação do medicamento – esse é o caso de remédios feitos a partir da Cannabis.

Antes de mais nada, vale alertar para os riscos da automedicação, mesmo que seja de substâncias inofensivas como os flavonoides.

Em primeiro lugar, porque esse é um comportamento de risco que, com o tempo, tende a se agravar.

Sendo assim, prefira sempre a alternativa segura, que é buscar a prescrição de um médico.

Para a maioria dos fitofármacos, basta ter a receita em mãos e se dirigir a um estabelecimento para a compra.

Já no caso de medicamentos como o óleo de canabidiol (CBD), extraído de plantas Cannabis, há todo um processo de compra regulamentado pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Flavonoides: química

A química dos flavonoides, apesar de conhecida pela ciência e medicina, ainda é alvo de muitos estudos.

Cabe ressaltar que a primeira vez que essa classe de substâncias foi identificada foi em 1930, quando um grupo de pesquisadores encontrou na laranja o que acreditavam ser a vitamina P.

Sobre a sua composição química, destacamos um trecho da pesquisa Flavonoides e seu potencial terapêutico, publicada no Boletim do Centro de Biologia da Reprodução:

“A estrutura química dos flavonoides está baseada no núcleo flavilium, o qual consiste de três anéis fenólicos. O benzeno do primeiro anel é condensado com o sexto carbono do terceiro anel, que na posição 2 carrega um grupo fenila como substituinte. O terceiro anel pode ser um pirano heterocíclico, gerando as estruturas básicas das leucoantocianinas e das antocianidinas, denominado de núcleo flavana.”

Quais doenças podem ser prevenidas pelos flavonoides?

Tantos benefícios à saúde, logicamente, tornam os flavonoides indicados para o tratamento ou prevenção de uma série de doenças.

Conheça, então, algumas delas e o que dizem os estudos sobre a ação do composto em possíveis recursos terapêuticos.

Artrite

A artrite é um dos muitos grupos de enfermidades ligadas ao envelhecimento, sendo, portanto, mais recorrente em pessoas idosas.

Entre as mais comuns, estão a artrose e a artrite reumatoide, que apresentam sintomas como dor articular, inchaço, vermelhidão e perda de amplitude dos movimentos.

Essa é uma doença autoimune, ou seja, o corpo produz defesas em excesso que, por sua vez, provocam danos à saúde.

Nesse sentido, os flavonoides podem ajudar a minimizar os sintomas de diversos tipos de artrite, como concluem os autores de mais um estudo publicado na revista do NCBI:

“As propriedades anti-inflamatórias dos flavonoides são cada vez mais elucidadas in vitro e em modelos animais de artrite, uma vez que os flavonoides inibem a ciclooxigenase, reduzem a produção de citocinas inflamatórias, suprimem p38 MAPK e inibem células Th17s(…)”

Catarata

Doença também associada ao envelhecimento, a catarata pode se desenvolver ainda como uma das complicações causadas pelo diabetes.

Ela se manifesta pela opacificação do cristalino, parte do olho responsável por captar imagens e que, quando se torna opaca, leva à perda de visão.

A respeito dessa doença, uma pesquisa divulgada na Science Magazine traz importantes esclarecimentos.

Segundo seus autores, administrar quercetina, um tipo de flavonoide, leva ao retardo no surgimento da catarata, especialmente em pessoas diabéticas.

Câncer

As propriedades anticancerígenas dos flavonoides, como vimos, são relativamente bem documentadas.

Em um estudo, inclusive, pesquisadores foram a campo e fizeram testes em uma amostra de 9.959 homens e mulheres, em que foi medido o consumo de flavonoides e sua atividade anticâncer.

As descobertas, como se pode ver pela conclusão da pesquisa, são das mais animadoras:

“Após algumas observações, descobriu-se que o quartil que ingeriu mais flavonoides reduziu o câncer de pulmão em até 50%. Os flavonoides podem prevenir o câncer e curar essa doença também. (…) os danos dos radicais oxidativos no DNA podem ser reparados pelos flavonoides da dieta.”

Doenças respiratórias

Em função das suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, os flavonoides também são eficazes para tratar de doenças respiratórias.

É o que concluem os autores de um outro estudo publicado na revista do NCBI, no qual são comprovados os benefícios da substância para os pulmões:

“(…) a ação principal dos flavonoides nas doenças pulmonares pode ser atribuída aos efeitos antioxidante e antiinflamatório. A inflamação está envolvida em todas as doenças pulmonares e sua inibição pode melhorar a função pulmonar (…). Vários flavonoides foram testados em modelos experimentais e foram considerados benéficos, principalmente por inibir citocinas associadas à regulação negativa de vários fatores de transcrição (…).”

Doenças cardiovasculares

Igualmente documentada é a eficácia dos flavonoides como elemento de prevenção a doenças cardiovasculares.

Uma das pesquisas que sugere esse efeito, publicada no The American Journal of Clinical Nutrition, aponta para os possíveis benefícios do composto para a prevenção de tais enfermidades em mulheres:

“Para eventos vasculares importantes, houve uma maior magnitude de redução de risco associada à ingestão de flavonoides em forma de L (…).”

Doenças neurodegenerativas

A perspectiva de envelhecimento da população brasileira nas próximas décadas traz à tona a preocupação com doenças neurodegenerativas, nas quais ocupamos a triste posição de segundo país do mundo com mais ocorrências registradas.

Só perdemos nesse quesito para a Turquia, que registrou, entre 1990 e 2016, 1.192 casos por 100 mil habitantes, enquanto em nosso país essa taxa foi de 1.037 por 100 mil habitantes.

A boa notícia é que a ciência já tem evidências suficientes para indicar a ingestão de flavonoides para atenuar os sintomas da demência e de outras doenças neurodegenerativas.

É o que diz este estudo divulgado no portal Frontiers in Aging Neuroscience:

“O uso dietético de alimentos ricos em flavonoides têm a propensão de diminuir o declínio cognitivo relacionado à idade e pode restaurar as funções da memória, bem como atenuar o desenvolvimento de condições associadas à demência. A importância terapêutica dos produtos naturais na neurodegeneração tem sido atribuída a partir de suas várias propriedades neurofarmacológicas modulatórias.”

Obesidade

Ao lado do aumento no número de casos de doenças neurodegenerativas está o de pessoas obesas no Brasil.

De acordo com o Mapa da Obesidade, essa condição deu um salto, nos últimos 13 anos, de 67%, passando a atingir 19,8% da população em 2018.

A respeito disso, um artigo publicado no portal Intech Open traz alguns esclarecimentos relevantes:

“Estudos recentes têm mostrado a importância da ingestão de flavonoides e sua relação com o risco de doenças crônicas, onde a ingestão de flavonoides e obesidade se associaram inversamente em homens e mulheres por meio de modelos multivariados em estudos nos EUA. Adultos no quartil mais alto de ingestão de flavonoides tiveram um índice de massa corporal e circunferência da cintura significativamente mais baixos do que aqueles no quartil mais baixo de ingestão de flavonoides; e a ingestão de flavonoides foi inversamente relacionada aos níveis de proteína C reativa em mulheres. Esses achados suportam uma evidência crescente de que o consumo de flavonoides pode ser benéfico para a prevenção de doenças.”

Relação entre flavonoides e Cannabis

Uma leitura mais atenta sobre as propriedades dos flavonoides nos leva a concluir que eles agem de forma parecida ao CBD no organismo.

Isso porque os flavonoides também estão presentes na Cannabis, como já comentamos, aparecendo em destaque nas fórmulas dos extratos full spectrum.

São eles:

  • Mirceno
  • Limoneno
  • Terpinoleno
  • Linanol 
  • Cariophileno.

Ao administrar medicamentos à base de CBD com esse perfil, o paciente estará tirando proveito da presença dos flavonoides e suas propriedades terapêuticas.

Esses efeitos, por sua vez, são potencializados graças ao efeito entourage. 

Resumidamente, trata-se do aumento da eficácia das propriedades terapêuticas quando se administram compostos formados por diversos tipos de agentes de uma mesma classe.

Assim, elas passam a ser mais eficazes do que se cada uma fosse ingerida isoladamente.

Conclusão

Vimos neste texto o poder dos flavonoides para prevenir e tratar doenças diversas.

Se você quer apostar nele para melhorar sua saúde, pode fazer isso a partir de uma dieta rica no composto, escolhendo os alimentos certos para consumir.

Nesse sentido, é de grande importância buscar auxílio especializado, através de um médico nutrólogo ou de um nutricionista.

E se tem interesse em aproveitar o potencial dos flavonoides como componente da Cannabis medicinal, a dica é agendar uma consulta com um médico prescritor.

Há uma série de doenças que podem ser enfrentadas com sucesso a partir de medicamentos com canabidiol.

Não deixe também de se manter bem informado, lendo os conteúdos sempre completos publicados aqui no site da Tegra Pharma.

Terpenos Canábicos: o que são, para que servem e propriedades

Terpenos

Terpenos canábicos são substancias presentes nas plantas, que são responsáveis por conferir cheiro e sabor. Entenda mais sobre o assunto!

Você pode até não saber, mas provavelmente já teve ou ainda terá contato com os terpenos.

O nome pode soar estranho, mas a verdade é que, sem essas substâncias, a própria vida na Terra estaria em risco.

Felizmente, a natureza é sábia e equipou as plantas com esse poderoso composto, capaz de trazer benefícios não só para os vegetais como para os seres humanos.

Como veremos ao longo deste conteúdo, os terpenos têm funções essenciais que os tornam indispensáveis para que o ciclo da vida se perpetue.

Isso inclui propriedades medicinais e curativas. Portanto, são extremamente valiosos, ainda que não sejam totalmente compreendidos pela ciência.

Eles estão presentes nas plantas do gênero Cannabis e, junto aos canabinoides, exercem ação terapêutica ao interagir com o nosso organismo.

Vamos conhecê-los melhor, então?

Siga a leitura para saber tudo sobre os terpenos canábicos e como são utilizados a favor da saúde.

O que são terpenos?

Terpenos, também conhecidos como terpenoides ou isoprenoides, são considerados metabólitos secundários.

Esse tipo de substância, presente nas plantas, é responsável por funções definidas como não essenciais, embora elas sejam tão importantes quanto os metabólitos primários.

Nas plantas, os terpenos estão envolvidos em uma série de processos metabólicos.

Eles podem ser encontrados em quase todas as partes de um vegetal, como flores, sementes, raízes, caule e folhas, da mesma forma que em algas, líquens e musgos.

Portanto, não há vegetal nesse mundo que não tenha os terpenos em sua composição, e isso inclui todos da família cannabaceae, na qual está a Cannabis.

Mas o mais importante é que eles, junto com os canabinoides, podem ser utilizados em prol da nossa saúde.

Para que servem os terpenos?

A principal função dos terpenos nas plantas é conferir cheiro e sabor.

Um exemplo ilustrativo é o odor cítrico que exala de frutas como a laranja e o limão quando são cortadas.

O mesmo vale para outras frutas, flores e folhas que, quando manipuladas de alguma forma, soltam um cheiro inconfundível.

Mas isso não significa que eles sejam apenas cosméticos.

No caso, o odor exalado pelas plantas por meio dos terpenos serve tanto para afastar predadores quanto para ajudar na reprodução.

Um exemplo disso é quando as abelhas, atraídas pelo cheiro das flores, retêm o pólen que elas soltam, transportando-o para outras plantas e, assim, atuando na sua fertilização.

Quais são os principais tipos de terpenos?

Como você acaba de ver, os terpenos são metabólitos secundários.

Essa classe de substância tem funções não vitais, mas, ainda assim, são extremamente importantes para as plantas.

Entre essas atribuições, está a de protegê-las contra os chamados fatores abióticos, ou seja, todos aqueles que são exógenos.

Exposição aos raios ultravioletas (UV), carências nutricionais e diferenças nos níveis de água e de iluminação são alguns deles.

Esse tipo de metabólito se diferencia dos primários, que são responsáveis diretos pelo desenvolvimento de um vegetal, regulando seu metabolismo e absorção de nutrientes.

Os terpenos, em geral, são acionados em situações de estresse crítico.

É o que acontece com as plantas produtoras de resina, as quais aumentam a produção quando submetidas a algum tipo de excesso de água ou luz.

Assim sendo, a produção de terpenos é uma espécie de resposta da planta, que os utilizam como proteção de sementes e frutos de agentes externos ou situações adversas.

Naturalmente, existem centenas deles, cada qual com propriedades e, claro, aromas distintos.

Vamos conhecer alguns dos que estão presentes nas plantas do gênero Cannabis a seguir.

Mirceno

Terpeno mais abundante nas plantas de Cannabis, o mirceno também é conhecido como β-mirceno.

Ele é encontrado em espécies como pinheiro, verbena, manjericão e lúpulo, manga, entre outras.

Seu cheiro é um misto de meio amargo com cítrico.

Por ser facilmente obtido, o mirceno é amplamente empregado não apenas por suas propriedades terapêuticas, mas pela indústria química e alimentícia.

Outra característica notável é ser um monoterpeno. Isso significa que, a partir do mirceno, outros terpenos podem ser sintetizados.

A propósito, entre as suas diversas propriedades medicinais, destacam-se a analgésica, a anti-inflamatória e a antibiótica.

Além disso, o mirceno é considerado como um potente antibactericida, ajudando também a reduzir a insônia e espasmos musculares.

Ainda é apontado como uma substância anticancerígena e inibidor de úlcera gástrica.

Limoneno

O limoneno é o terpeno característico das frutas cítricas, entre as quais as mais presentes na mesa do brasileiro são o limão, a laranja e a tangerina.

Tem esse nome não por acaso, já que é no limão que ele se encontra em maiores concentrações.

O que não é tão evidente é o seu uso pela indústria química, que o emprega como solvente em diversos produtos de limpeza, como os detergentes de lavar louça.

Também é usado pela indústria alimentícia como aromatizante, além de ter várias propriedades medicinais.

Outra característica do limoneno é ser altamente inflamável, razão pela qual pode ser utilizado na fabricação de combustíveis.

Ele também é encontrado na Cannabis e, quando associado a outros terpenos e canabinoides, promove muitos benefícios à saúde.

Algumas das suas propriedades são:

  • Alivia o estresse
  • Bactericida
  • Fungicida
  • Equilibra o humor
  • Alivia a queimação
  • Diminui o refluxo gástrico
  • Ajuda a absorver outros terpenos e compostos por intermédio da mucosa, do trato digestivo e da pele.

Beta-cariofileno

O beta-cariofileno é um terpeno encontrado em uma variedade de óleos essenciais e extratos vegetais.

Ele também está presente na Cannabis e pode ser extraído de plantas como lúpulo, cravo, alecrim e tomilho.

No entanto, sua fama se deve ao fato de ele ser o responsável pelo sabor e cheiro da pimenta-negra, bem como por suas diversas propriedades medicinais.

A exemplo de boa parte dos terpenos, essa é uma substância ainda pouco estudada e a ciência precisa avançar no sentido de descobrir suas reais potencialidades.

O que já se sabe é que ele é um sesquiterpeno. Ou seja, diferentemente no mirceno, que conta com apenas duas unidades de isopreno, ele conta com três dessas unidades.

Entre as propriedades curativas já identificadas estão a anti-inflamatória e a sua ação ansiolítica.

Linalol

Presente em espécies de plantas variadas, o linalol é considerado um dos terpenos de aroma mais agradável, sendo por isso bastante empregado pela indústria alimentícia.

Ele é encontrado abundantemente em frutos e plantas como manjericão, uva, louro, limão, menta, alecrim, tangerina, entre muitas outras.

Como todo terpeno, ele também é um metabólito secundário, cujas funções protetivas auxiliam a planta a afastar predadores naturais e insetos, que são repelidos pelo cheiro forte que exala.

Da mesma forma, ele é um importante agente na fertilização, exercendo um papel fundamental para a polinização.

Isso porque o aroma exalado pela planta por meio desse terpeno atrai borboletas e abelhas, dois insetos que ajudam a polinizar vegetais em geral.

Com aroma cítrico e toques de lavanda, o linalol também tem propriedades medicinais, como antidepressivo e analgésico, além de ser um poderoso sedativo.

Geraniol

Por sua vez, o geraniol é um dos terpenos (na verdade, um monoterpeno) dos mais pesquisados, talvez por suas propriedades de grande utilidade para a indústria química.

Uma característica que o diferencia dos demais é que ele também é um tipo de álcool, ou seja, conta com pelo menos um grupo hidroxila em sua composição.

Entre as plantas e frutas com maior concentração de geraniol estão o limão, o gerânio e os óleos essenciais de rosas e citronela.

Seu aroma é muito parecido com o de rosas, o que faz com que seja largamente empregado pela indústria cosmética na fabricação de perfumes.

Outro uso que a indústria faz desse terpeno é como substância ativa em repelentes de insetos.

É considerado, ainda, como um antifúngico, além de antitumoral, o que o torna especialmente indicado na composição de óleos para tratamento do câncer.

Terpinoleno

O terpinoleno está na mesma categoria de terpenos que o mirceno e o limoneno, ou seja, trata-se de um monoterpeno.

No entanto, uma das diferenças está na escassez.

Enquanto os seus “irmãos” são encontrados com relativa facilidade, o terpinoleno já é um pouco mais raro.

De qualquer forma, ele tem um dos aromas mais marcantes entre os terpenos, com um cheiro considerado terroso e de grande frescor.

Isso o torna especialmente útil para a indústria cosmética, que o emprega na fabricação de perfumes e sabonetes.

Nas plantas (incluindo a Cannabis), ele é usado para repelir insetos, pragas e fungos, ou seja, já daí se pode pressupor suas propriedades antifúngicas também em humanos.

Em geral, ele é encontrado em plantas como valeriana, coentro, orégano e gengibre, entre outras.

Terpenos canábicos: como são usados?

Embora os terpenos tenham “vida própria”, ou seja, produzam efeitos por si próprios, na Cannabis, eles atuam também como moduladores – portanto, regulando a ação dos diferentes canabinoides.

Essa é uma propriedade fundamental, à qual se credita a maior eficácia dos óleos de CBD graças ao chamado efeito entourage.

Trata-se da potencialização dos benefícios terapêuticos das substâncias encontradas em fitoterápicos em virtude da sinergia botânica.

Segundo esse princípio, a ação de um composto vegetal é potencializada quando ele está na presença de outros que sejam complementares.

É por isso que, normalmente, os óleos full spectrum, nos quais todo o perfil de terpenos de uma cepa de Cannabis é aproveitado, são considerados muito mais eficazes.

Essa é, então, a principal utilidade dos terpenos canábicos: atuar como moduladores e potencializadores dos benefícios terapêuticos esperados nos tratamentos com CBD.

O que os médicos dizem sobre o uso de terpenos canábicos?

As propriedades terapêuticas dos terpenos começaram a ser investigadas por cientistas e profissionais de saúde há pouco tempo.

Mas os resultados já alcançados são bastante encorajadores.

Uma evidência disso é a própria descoberta do efeito entourage, o qual também foi investigado em um estudo do pesquisador Ethan B. Russo.

De acordo com Russo, os terpenoides exercem atividades farmacológicas complementares que podem fortalecer e ampliar as aplicações clínicas, melhorando o potencial terapêutico de extratos de Cannabis.

Em uma matéria publicada na Forbes, ganhou destaque uma pesquisa que sugere a eficácia dos terpenos junto ao CBD até no tratamento da Covid-19.

Outro estudo de relevância sobre o efeito entourage é um conduzido por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

Focado no tratamento da ansiedade e de distúrbios de humor, eles descobriram que o uso de vários compostos derivados da Cannabis pode ser uma opção para evitar as reações adversas dos antidepressivos e estabilizadores de humor convencionais.

Quais são as propriedades terapêuticas dos terpenos canábicos?

O fato é que os terpenos são fundamentais, porque, além dos efeitos terapêuticos, eles influenciam na maneira como os canabinoides agem no organismo.

Cabe ressaltar, ainda, uma diferença entre terpenos e terpenoides.

Os primeiros são encontrados na planta em estado natural, enquanto os segundos só são obtidos depois de um processo de cura e secagem.

Outro aspecto essencial sobre os terpenos é que, assim como os canabinoides, eles também interagem com os receptores que temos em nosso sistema endocanabinoide.

É por isso que eles têm tantas propriedades terapêuticas, conforme vamos conferir na sequência.

Bactericida

Terpenos como os encontrados em plantas como manjericão e alecrim exercem importante ação bactericida.

Assim sendo, bactérias como Staphylococcus aureusStreptococcus pyogenesSalmonella typhiStreptococcus faecalis e Shigella flexneri podem ser eliminadas graças a essas substâncias.

Sobre esse tipo de ação, um estudo que traz dados bastante elucidativos é a dissertação de autoria de Jéssica Oliveira e Nogueira, da Universidade de Lavras.

De acordo com a pesquisadora:

“Os compostos carvona, carvacrol, eugenol e trans-cinamaldeído apresentaram potencial bacteriostático e bactericida sobre as cepas de E. coli e S. aureus (…). Os terpenos e fenilpropanoides avaliados foram capazes de provocar danos à membrana bacteriana, possivelmente alterando sua permeabilidade.

Antitumoral

Outro estudo brasileiro que lança luz sobre as propriedades dos terpenos é a revisão a respeito de Diterpenos com Atividade Antitumoral frente Células Leucêmicas, de autoria de Madson Matheus Barbosa Moreira.

A conclusão é bastante promissora:

“Dos 862 diterpenos avaliados, 726, dentre os quais o taxol apresentou atividade proeminente, demonstraram atividade antitumoral frente células leucêmicas de diferentes linhagens.”

Vale destacar, ainda, um estudo realizado por um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos e da Tunísia.

Nele, foram investigadas as propriedades anticancerígenas dos terpenos, bem como seu papel ao induzir a apoptose (morte celular).

Eles concluem:

“(..) os efeitos anti-inflamatórios e anticancerígenos estão relacionados aos compostos fenólicos totais e conteúdos terpênicos. A quercetina, como flavonides, representa uma eficaz abordagem terapêutica contra a toxicidade induzida pelo estresse oxidativo.”

Anti-inflamatório

Já as propriedades anti-inflamatórias dos terpenos foram investigadas em um estudo conduzido pelos pesquisadores Ruth Gallily, Zhannah Yekhtin, e Lumír Ondřej Hanuš, da Universidade de Israel.

Eles concluem que os óleos essenciais ricos em terpenoides exercem atividades anti-inflamatórias e antinociceptivas in vitro e in vivo, que variam de acordo com sua composição.

Merecem destaque os resultados em relação ao óleo de CBD purificado que, segundo os autores, foi o mais eficaz dos que foram analisados.

Eles também concluíram que o canabidiol exerce imunossupressão prolongada e pode ser usado para tratar da inflamação crônica.

Já os terpenoides mostraram propriedades imunossupressoras transitórias e, por isso, seriam mais indicados para aliviar inflamações agudas.

Antibiótico

Por sua vez, as propriedades antibióticas dos terpenos foram estudadas por um grupo de pesquisadores vinculados à Faculdade de Biotecnologia e Ciências Biomoleculares, da Universidade da Malásia.

A conclusão não poderia ser mais animadora:

“A partir desta revisão, foi evidenciado que alguns terpenos e seus derivados provaram ser agentes antimicrobianos potentes contra patógenos resistentes a drogas que incluem principalmente bactérias e fungos. Mecanismos específicos de cada classe de terpenos também foram destacados e, como um todo, os terpenos fornecem uma possível rota de mitigação para resistência microbiana(…) portanto, uma correspondência adequada entre terpenoides e agentes antimicrobianos pode fornecer a solução terapêutica final e opções para infecções associadas à micróbios resistentes.”

Antisséptico

Há de se exaltar também a ação antisséptica dos terpenos, que são eficazes para eliminar germes e bactérias em geral.

Uma evidência disso é um estudo da Universidade de Roma sobre terpenos, no qual foram analisados os efeitos antibacterianos do acetato de linalila, mentol e timol.

Os cientistas que participaram da pesquisa concluem:

“(…) o efeito antimicrobiano do mentol, timol e acetato de linalila pode ser devido, pelo menos parcialmente, a uma perturbação da fração lipídica das membranas plasmáticas bacterianas, resultando em alterações da permeabilidade da membrana e no vazamento de materiais intracelulares. 

Além de estar relacionado às características físico-químicas dos fármacos (como lipofilicidade e solubilidade em água), esse efeito parece ser dependente da composição lipídica e da carga superficial líquida das membranas bacterianas. Além disso, os medicamentos podem atravessar as membranas celulares, penetrando no interior da célula e interagindo com locais intracelulares críticos para a atividade antibacteriana.”

Quais são os efeitos do uso terapêutico dos terpenos canábicos?

Em virtude das suas muitas propriedades curativas, os terpenos têm se mostrado eficazes ao tratar de diversas doenças.

O limoneno, por exemplo, por exercer ação antidepressiva, é indicado para pessoas que sofrem de ansiedade e depressão.

Já o mirceno, o mais abundante na Cannabis, é um aliado para tratamento da dor, especialmente em pacientes com câncer sujeitos a cuidados paliativos.

Conclusão

Pode-se dizer que o trabalho em equipe é a chave do sucesso não apenas em empresas e organizações, como na própria natureza.

Afinal, é assim que os terpenos demonstram toda sua eficácia nos mais variados tratamentos, ao potencializar a ação benéfica dos canabinoides pelo efeito entourage.

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Tipos de Cannabis: Uso, Efeitos e Benefícios

Tipos de Cannabis

Confira neste artigo como cada tipo de Cannabis pode ser utilizado no tratamento das mais diversas patologias.

Existem diferentes tipos de Cannabis e eles comprovam a versatilidade da planta e ampliam o seu uso na medicina.

Diante dessa expansão iminente, é fundamental que o mercado esteja informado para compreender de forma mais ampla o que significa introduzir os compostos à base de Cannabis em medicamentos e produtos, como óleos, pomadas e muitas outras apresentações. 

A utilização da Cannabis medicinal aparece no tratamento de diversas enfermidades e com eficácia atestada por uma série de estudos científicos, somente no PubMed.gov há mais de 25 mil pesquisas.

Não por acaso, a planta possui grande valor para a indústria farmacêutica. 

Só no Brasil, estima-se que, nos próximos 3 anos, o mercado de Cannabis deverá movimentar o expressivo volume de quase R$ 5 bilhões

Neste conteúdo, vamos nos aprofundar no que se sabe sobre a planta e suas diferentes subespécies.

Que tipo de planta é a Cannabis?

Assim como no reino animal existem mamíferos, roedores e aves, entre os vegetais, temos formas distintas de classificação. 

No caso da Cannabis, isso significa dizer que ela pertence à ordem das Rosales (plantas com flores), a família é a Cannabaceae (na qual também se encontra o lúpulo, usado na fabricação de cerveja) e o gênero é Cannabis.

Como veremos mais à frente, existem três plantas do gênero Cannabis conhecidas e catalogadas. 

Cada uma delas tem usos singulares, distinguindo-se também pela concentração de substâncias ativas. 

Origens históricas dos principais tipos de Cannabis

O “berço” da Cannabis é o continente asiático. 

Acredita-se que ela venha sendo utilizada por pelo menos 6 mil anos, desde que passou a ser cultivada na imensa região situada entre China, Mongólia e o sudeste da Sibéria. 

No entanto, estima-se que a planta já seja consumida há, pelo menos, 10 mil anos. 

Ou seja, ela nos acompanha desde a Revolução Neolítica, quando o homem deixou o modo de vida nômade para se tornar sedentário e agrícola. 

Vêm desse período remoto os primeiros vestígios do uso da Cannabis com fins medicinais e até espirituais.

Em 1578, o livro chinês Pen-Tsao, considerado o mais completo da história da medicina tradicional chinesa, descreveu o uso milenar da Cannabis como uma planta medicinal, apontada como eficaz no tratamento de dores articulares, gota e malária. 

De qualquer forma, o canabidiol, uma das principais substâncias extraídas da planta e usadas na Medicina moderna, só viria a ser isolado em 1963 pelo químico bulgo-israelense Raphael Mechoulam, o pai da Cannabis Medicinal.

Essa descoberta é considerada um divisor de águas e, depois dela, uma nova era de estudos sobre a Cannabis teve início. 

Foi a partir dali, inclusive, que a ciência descobriria o sistema endocanabinoide, responsável por regular diversas funções – entre elas, o sistema reprodutivo. 

Tipos de Cannabis (subespécies)

Hoje, os principais laboratórios farmacêuticos que se dedicam ao estudo e pesquisa sobre a  Cannabis estão concentrados em três subespécies da planta: Cannabis sativa, Cannabis indica Cannabis ruderalis.

Todas elas possuem o mesmo centro de origem, mas se adaptaram a diferentes regiões do mundo.

Como destacamos antes, a Cannabis é uma das culturas mais antigas cultivadas pelo ser humano.

Com o passar de milênios, diversos tipos de Cannabis foram sendo catalogados pela Biologia. 

Apesar das descobertas, feitas por taxonomistas de diferentes períodos históricos, há quem considere que só exista a espécie Cannabis sativa

É o que explica Rolim, pesquisador da planta e proprietário de uma consultoria agronômica para indústrias de cânhamo industrial e Cannabis medicinal.

“Através do sequenciamento genético nuclear, hoje sabemos que indica ruderalis são subespécies da sativa. Elas possuem um mesmo centro de origem, mas que se adaptaram a diferentes regiões do mundo”, afirma ele. 

Conheça, então, as características da Cannabis sativa e suas subespécies:

Cannabis sativa

Encontrada principalmente em climas quentes e secos, com longos dias de sol, como na África, América Central, Sudeste Asiático e partes ocidentais da Ásia. 

São plantas altas e finas, que levam mais tempo para amadurecer. 

Geralmente apresentam doses mais baixas de CBD e mais altas de THC.

Efeitos da Cannabis sativa

Com maior concentração de THC, tem efeito estimulante e terapêutico reconhecido no tratamento de uma série de doenças, por exemplo:

  • epilepsia;
  • cuidados paliativos, tratamento de náuseas causada por quimioterapia ou medicamentos para HIV / AIDS);
  • estimulação do apetite;
  • enxaqueca;
  • depressão;
  • dor crônica e sintomas semelhantes.

Cannabis indica

Já a Cannabis indica é nativa do Afeganistão, Índia, Paquistão e Turquia e se adaptou ao clima das montanhas Hindu Kush. 

São plantas mais largas e baixas, que crescem mais rápido que a sativa, com níveis mais altos de CBD e menos THC.

Efeitos da Cannabis Indica

Tem alta concentração de canabidiol (CBD), o canabinoide não psicoativo que vem ganhando popularidade e prestígio em função dos seus benefícios. 

Com efeito relaxante, é empregada na abordagem de doenças e condições de saúde variadas, alguns exemplos:

  • insônia;
  • dores de cabeça e musculares;
  • esclerose múltipla;
  • doença de Parkinson;
  • dor crônica;
  • rigidez artrítica e reumática e inchaço;
  • ansiedade e condições relacionadas.

Cannabis ruderalis

Há ainda uma outra subespécie de Cannabis menos abundante, a ruderalis

No entanto, ela não é amplamente utilizada, por não produzir tantos efeitos. 

Ela se adapta a ambientes extremos, como Europa Oriental, regiões do Himalaia na Índia, Sibéria e Rússia. 

Possui pouco THC e quantidades maiores de CBD, mas pode não ser suficiente para produzir efeito medicinal.  

Efeitos da Ruderalis

Cannabis ruderalis é mais rica em canabidiol e produz pouco tetrahidrocanabinol (THC), que também é usado como substância ativa em alguns medicamentos.

Planta de baixa potência, é a menos utilizada para fins medicinais.

Diferenças entre Indica e Sativa

Considerando as diversas possibilidades medicinais da espécie e subespécies de Cannabis, é natural que se questione sobre as diferenças entre os dois tipos mais populares, a sativa e a indica.

A primeira diz respeito à própria anatomia de cada planta, ainda que elas sejam bastante parecidas. 

No caso, uma das diferenças mais notáveis entre uma e outra é o padrão das folhas da indica, com ramos mais finos e espaçados.

Em termos medicinais, em virtude da maior concentração de THC, o tetrahidrocanabinol, credita-se à Cannabis sativa um efeito mais estimulante. 

Em contrapartida, por ter níveis mais altos de CBD, a indica apresenta propriedades relaxantes.

Nos últimos anos, novas pesquisas indicam que, em grandes amostras de cepas de indica e sativa, os níveis de THC e CBD são praticamente os mesmos . No entanto, a mesma pesquisa mostrou que os níveis de terpenos e terpenoides (os elementos responsáveis ​​pelo aroma e sabor, entre outras coisas) variam de cepas de indica a sativa. Acredita-se que os terpenos também afetam o tipo de efeito que a Cannabis pode ter, de sedativo a estimulante.

Juntos, os canabinoides e os terpenos formam um todo maior do que a soma de suas partes. Essa sinergia é conhecida como efeito entourage. A pesquisa sobre o efeito entourage ainda está em seus estágios iniciais. Um estudo de 2019 sugere que é provável que os terpenos e terpenoides atuem sobre as vias cerebrais envolvidas com os efeitos da cannabis , ou talvez afetem a forma como o THC é metabolizado.

O agrônomo Lorenzo Rolim destaca ainda que, apesar das características diferentes das subespécies, não há estudos suficientes que comprovem que cada tipo seja bom para um ou outro sintoma.

“Não temos como dizer que a indica serve para náuseas e que a sativa não funciona. De modo geral, existem usos medicinais, mas não há como afirmar qual espécie trata diretamente determinado sintoma”, diz.

Cânhamo Industrial

Lorenzo Rolin tem pesquisado, nos últimos anos, a Cannabis e o cânhamo industrial, uma variedade da Cannabis ruderalis, com diversos usos industriais.

“O Brasil está deixando de fora algo com muito potencial financeiro para o país, por falta de vontade de política”, pondera.

O cânhamo pode ser utilizado na fabricação de papel, cordas, óleos, alimento animal, resina, cerveja e combustíveis, entre outros.

Tipos de Uso da Cannabis

O uso da Cannabis só não é maior por desconhecimento ou preconceito.

Não estamos falando sobre o consumo recreativo da maconha, que nada tem a ver com a utilização da planta para fins medicinais, no enfrentamento de uma série de doenças.

Além disso, a Cannabis serve como matéria-prima para a fabricação de uma extensa gama de produtos e insumos.

Na sequência, vamos trazer mais detalhes sobre os usos medicinal e comercial da planta.

Uso Medicinal

Amplamente documentado, o uso medicinal da Cannabis vem se mostrando eficaz no tratamento de uma série de condições de saúde.

Ela pode ser empregada de diversas apresentações, podendo ser administrada por mais de uma via. Confira alguns exemplos:

  • Cápsulas de canabidiol 
  • Óleos e tinturas de CBD
  • Produtos de uso tópico (cremes, pomadas, entre outros)
  • Supositórios
  • Vaporizadores.

Vale destacar, no entanto, que nem todos os formatos são comercializados no Brasil.

A Anvisa, em sua Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 327/2019, que estabeleceu requisitos para a venda de produtos de Cannabis para fins medicinais no país, em farmácias, assim determina:

“Art. 10. Os produtos de Cannabis serão autorizados para utilização apenas por via oral ou nasal.”

Algumas condições médicas enfrentadas são: ansiedade, câncer, diabetes, autismo, doenças reumáticas e endometriose.

Já a grande maioria dos médicos procura prescrever produtos importados full spectrum por somente este tipo de produto poder oferecer ao paciente os efeitos benéficos da Cannabis, de forma completa, o efeito entourage.

Para a importação a Anvisa publico a regulamentação RDC 335, que define os critérios e os procedimentos para a importação de Produto derivado de Cannabis, por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado, para tratamento de saúde.

Uso Comercial

Há, ainda, a utilização da Cannabis para finalidades comerciais das mais variadas, principalmente como cosmético. 

É o caso dos produtos de beleza como óleos, cremes hidratantes, xampus e sabonetes fabricados a partir da planta.

Também é possível produzir itens eficazes no combate à acne e para tratamento de pele e cabelos.

Cannabis Híbridas

Tendo em vista que cada tipo de planta apresenta concentrações distintas de substâncias ativas, foi desenvolvido o cultivo da Cannabis híbrida. 

Assim, temos em apenas uma planta o melhor que cada subespécie tem a oferecer, principalmente considerando aspectos como rendimento e tempo de floração. 

O que são as híbridas?

As híbridas misturam características das Cannabis sativa indica e são hoje as plantas preferidas por boa parte dos que se dedicam ao seu cultivo. 

Afinal, uma híbrida pode crescer tão rápido quanto uma Cannabis indica e ter alto rendimento como uma sativa.

Dependendo da genética escolhida para cultivo, podem servir como fonte de substratos para tratar uma ampla gama de doenças.

Macho de Cannabis

Vale, ainda, prestar atenção ao gênero da planta, já que machos, fêmeas ou hermafroditas se prestam para finalidades distintas. 

No caso da Cannabis macho, ela pode ser identificada por pequenas esferas de pólen na região do caule ou próximos das ramificações.

Cannabis fêmeas

Por sua vez, as fêmeas não apresentam esferas, mas pistilos, que são um tipo de flor em estado embrionário nas mesmas regiões em que os machos têm pequenas esferas.

Cannabis hermafrodita

Já a Cannabis hermafrodita apresenta características de ambos os gêneros e, por isso, é uma manifestação mais rara da planta. 

Em geral, é tratada como macho.

O que são CBD e THC?

Ao longo deste conteúdo você teve contato com as siglas CBD e THC. 

Mas o que elas significam, exatamente? É o que vamos detalhar agora.

CBD

CBD é o acrônimo usado para designar o canabidiol, a substância ativa encontrada na Cannabis e que serve como substrato para fabricação de medicamentos. 

Ao lado do THC, ela é um dentre os cerca de 140 canabinoides já catalogados e estudados pela medicina e a indústria farmacêutica. 

Pode ser usada para tratar de males como depressão, Alzheimer, Parkinson, autismo e até os cuidados paliativos dos tratamentos de câncer.

THC

O tetrahidrocanabinol, o THC, assim como o CBD, interage com o organismo humano em seu sistema endocanabinoide. 

Embora também tenha uso terapêutico, o THC é menos empregado que o CBD, dependendo ainda do tipo de medicamento que se pretenda fabricar.

Conclusão

Você viu neste artigo que a Cannabis é, de fato, uma poderosa aliada no tratamento de doenças e que há diferentes tipos de plantas utilizadas para fins terapêuticos.

Compartilhe este artigo e ajude a difundir a informação e combater o preconceito contra a Cannabis medicinal, que pode melhorar a qualidade de vida de milhares de pacientes brasileiros. 

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Anandamida, o neurotransmissor da felicidade produzido pelo nosso corpo.

Anandamida

Você sabe o que é Anandamida e como ela age no corpo humano? Leia o artigo que preparamos para você!

A Anandamida é a substância mais conhecida no sistema endocanabinoide, apesar de ter sido descoberta apenas em 1992. O ácido graxo é um neurotransmissor fundamental para o bom funcionamento do sistema endocanabinoide e para a manutenção da homeostase no corpo humano.

Presente nos sistemas nervosos central e periférico, a anandamida age e regula diversas funções fisiológicas e psicológicas. Apetite, sono, estresse, ansiedade, depressão, atividade cardíaca e memória são alguns exemplos. Sua insuficiência causa igualmente diversos problemas de saúde

Na Cannabis, o canabinoide análogo à anandamida é o THC, e abaixo explicaremos em detalhe, porque o THC e o CBD são aliados da anandamida para manter o equilíbrio do corpo humano. 

O que é anandamida e como ela atua no sistema nervoso?

Anandamida (ANA) ou N-araquidonoyletanolamina (AEA) é um neurotransmissor endógeno (produzido pelo corpo), assim como a serotonina, endorfina e dopamina. Conhecida como a substância da felicidade, seu nome deriva da palavra sânscrita “ananda” que significa alegria, êxtase, felicidade suprema.

Ela atua junto aos receptores CB1 e CB2 (receptores canabinoides). Ou seja, é um endocanabinoide. 

O CB1 predomina no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e os CB2 no sistema nervoso periférico (fibras, gânglios nervosos e órgãos terminais), que faz a comunicação entre os órgãos do corpo e sistema nervoso central (SNC). 

A descoberta da anandamida aconteceu durante pesquisas sobre os receptores CB1 e CB2, enquanto esta substância endógena atuava nestes receptores. É, portanto, a primeira substância descoberta relacionada a eles.

Como o corpo produz Anandamida?

A anandamida é produzida nas áreas do cérebro que são importantes para a memória, no processamento do pensamento e controle do movimento.

A produção desta substância ocorre do metabolismo não oxidativo do ácido araquidônico, um ácido graxo ômega-6.

Qual o papel da Anandamida?

É uma molécula mensageira, que tem sua participação em diversas atividades do corpo, como o apetite, memória, dor, depressão e fertilidade.

Pesquisas sugerem que ela possa agir na produção e quebra de conexões de curto prazo entre as células nervosas, que está relacionada à memória e à aprendizagem.

Estudos em animais mostram que o excesso de anandamida induz ao esquecimento. Isso pode significar que, se substâncias capazes de inibir a ligação da anandamida ao seu receptor pudessem ser empregadas no tratamento da perda de memória, seria possível pensar na melhoria da memória já existente. 

A FAAH é uma enzima que degrada a anandamida. Pesquisas indicam que a inibição desta enzima melhora o mecanismo analgésico endógeno mediado pela anandamida, que regula a transmissão dos sinais de dor do sistema nervoso periférico ao central.

Quando a anandamida se conecta aos receptores CB1 e CB2, ela os ativa e aciona várias reações. Além destes dois receptores, ela também atua junto a receptores vaniloides tipo 1 (VR1), que ajudam na destruição de células cancerígenas. 

Por ser um ácido graxo, a anandamida é lipossolúvel e atravessa a barreira entre cérebro e sangue. Assim, atua como um neurotransmissor no sistema nervoso, facilitando a comunicação entre as células nervosas.

Desta forma, ajuda a regular a dopamina e o transporte de moléculas de cálcio, desempenhando papel importante na condução nervosa.

No cérebro, influencia funções motoras, percepção de dor e memória. Em pequenas quantidades pode melhorar a memória, mas com quantidades excessivas pode causar a perda dela. 

No sistema cardiovascular, anandamida age como um vasodilatador, relaxando veias e artérias e permitindo sua expansão.

Esse fenômeno ocorre naturalmente quando aumentamos a temperatura do corpo, o que permite que o sangue circule próximo da superfície da pele para ser resfriado. Este mecanismo também serve para manter a pressão arterial.

Durante a gestação, a anandamida está envolvida na formação do blastocisto (uma das primeiras estruturas na formação de um embrião) no útero materno, estabelecendo as primeiras conexões entre mãe e bebê. 

A anandamida também está relacionada a um grupo de moléculas essenciais para a manutenção de uma gravidez saudável e que também provocam as contrações do parto, as prostaglandinas.

Estas estão envolvidas na resposta inflamatória, o que pode ser a causa dos efeitos anti-inflamatórios da anandamida.

Ela também parece afetar o sistema imune, uma vez que os receptores CB2 estão presentes nos glóbulos brancos.

Tanto a anandamida quanto o 2AG (outro endocanabinoide e neurotransmissor) influenciam o sistema imune a diminuir a Portanto, a anandamida tem funções anti-inflamatórias, age como neurotransmissor afetando humor (antidepressivo, daí o nome de substância da felicidade), memória e apetite, influencia a percepção da dor, dilata vasos sanguíneos e ainda atua na fertilidade e gravidez.

Semelhanças entre a Anandamida e os canabinoides

Foi Raphael Mechoulam, em 1992, quem revelou que o THC é o canabinoide análogo à anandamida. Nos anos 60 ele já tinha isolado o THC e o CBD.

A anandamida é para o THC e o sistema endocanabinoide o que um opioide alcaloide como a morfina é para o sistema opioide.

Tanto a anandamida quanto o THC se ligam aos receptores CB1 e seus efeitos no corpo humano são bastante similares, apesar de o THC ser mais potente e ficar mais tempo ativo no corpo.

Assim como a anandamida, o THC pode aliviar dor, náusea, relaxar a musculatura e estimular o apetite.

Os fitocanabinoides (canabinoides originários da Cannabis) partilham frequentemente uma estrutura molecular similar com os nossos próprios endocanabinoides. Como o THC apresenta uma forma similar à da anandamida, ele também se liga e estimula tanto os receptores CB1 como os CB2.

Ambos THC e anandamida só ativam parcialmente o receptor CB1 e se ligam parcialmente ao receptor CB2, onde atuam como um agonistas (causador de uma ação) parciais.

O que é um canabinoide?

Canabinoide é um termo genérico para designar substâncias quem atua junto aos receptores canabinoides CB1 e CB2. 

Os endocanabinoides produzidos naturalmente no nosso corpo, e fazem parte do sistema endocanabinoide. 

Os fitocanabinoides são os compostos naturais da Cannabis. São mais de 110 conhecidos, entre eles o CBD e o TCH. Outros canabinoides são o canabinol (CBN), o canabigerol (CBG), o canabicromeno (CBC) e outros. 

Depois da descoberta do sistema endocanabinoide, muito se aprendeu sobre como a Cannabis e seus canabinoides impactam o funcionamento do organismo e da mente. O receptor GPR55 é possivelmente um terceiro receptor canabinoide, e ainda há muitos outros para serem descobertos. 

Quais os benefícios do uso do canabidiol?

O canabidiol (CBD) potencializa os benefícios do THC e da anandamida. O médico Vinícius Barbosa explica: “o mais interessante é que o canabidiol também modula a ação da Anandamida e do THC no receptor CB1 via modulação alostérica, diminuindo os efeitos psicoativos do THC e conferindo ao CBD uma ação bidirecional neste sistema, como pode se observar pela curva em U invertido de efeitos do CBD”.

Ainda segundo Barbosa, “o CBD aumenta o nível circulante de anandamida ao bloquear a enzima que degrada essa substância, a FAAH.

Com isso, há um aumento da atuação dos receptores CB1 que estão envolvidos em diversos processos que controlam a ansiedade, o humor, o apetite, a dor, memória, entre outros, assim como o THC.” Além de ser mais potente que a anandamida, o THC permanece ativo por mais tempo, e o CBD também atua melhorando as concentrações da 2AG.

Um paciente com depressão pode estar com baixos níveis de anandamida. Ao tomar CBD, este equilíbrio pode ser retomado.

Em casos de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os sintomas são associados ao aumento nos níveis de anandamida, e o CBD pode ser efetivo para devolver o equilíbrio da substância. Pessoas com pouco apetite também podem se beneficiar do CBD, que aumenta os níveis de anandamida.

O efeito anti-inflamatório do CBD é possível graças aos endocanabinóides anandamida e 2-AG, que atuam nos receptores CB2. Estes controlam inflamações e influenciam os glóbulos brancos. 

Inflamações de pele como espinhas, causadas pela irritação e hiperatividade de glândulas sebáceas, podem ser resolvidas com aplicações tópicas.

As dores localizadas na superfície da pele podem ser aliviadas com CBD porque a anandamida atua no receptor TRPV-1, o receptor vanilóide que não faz parte do sistema endocanabinóide mas responde à anandamida. Esta proteína controla o calor e a sensação de dor na pele.

Ao contrário do THC, o CBD tem uma baixa afinidade de ligação tanto com os receptores CB1 como com os receptores CB2. Na realidade, as descobertas demonstram que o CBD bloqueia os recetores CB1 perante a presença de doses baixas de THC, reduzindo possivelmente os seus efeitos psicoativos.

O CBD também se liga ao receptor TRPV1, um local mais ou menos incluído no sistema endocanabinoide. A ativação deste receptor por uma série de moléculas influencia vários processos fisiológicos.

O CBD também pode estimular indiretamente os receptores CB1 e CB2 aumentando os níveis séricos da anandamida. Isto deve-se ao facto de o canabinoide aparentar inibir a enzima FAAH, que decompõe normalmente a anandamida, tornando o CBD um inibidor da recaptação de anandamida.

Como funciona o sistema endocanabinoide?

Após a descoberta de canabinoides como o THC e o CBD, os investigadores começaram a interrogar-se como é que estas moléculas exerciam as suas funções únicas no corpo humano.

Decorrido algum tempo, eles descobriram uma vasta rede de receptores celulares: o sistema endocanabinoide.

Esta descoberta não só identificou como funcionam os canabinoides como também revelou um sistema fisiológico sofisticado que ajuda o corpo a manter a homeostase, ou seja, a capacidade do organismo de manter seu equilíbrio interno.

O sistema endocanabinoide recebeu este nome porque foi a Cannabis que levou à sua descoberta. É um dos mais importantes sistemas e está envolvido em estabelecer e manter a saúde humana.

Os receptores endocanabinoides estão distribuídos por todo o corpo: membranas celulares no cérebro, órgãos, tecidos conjuntivos, glândulas e células imunes. Em cada parte do corpo executa funções diferentes, sempre com o objetivo de estabilizar o equilíbrio interno independente das variações externas (homeostase). 

O sistema endocanabinoide também está presente nas interseções dos sistemas, permitindo a comunicação e coordenação entre as células. 

Para que serve o sistema endocanabinoide?

Os recetores canabinoides desempenham um papel fundamental nas operações do sistema endocanabinoide. Estes ajudam a transmitir mensagens dos endocanabinoides de célula para célula, e das células externas para as internas. 

O sistema endocanabinoide é responsável por regular inúmeros processos: dor, inflamação, termorregulação, pressão intraocular, sensações, controle muscular, manutenção de energia, metabolismo, qualidade do sono, resposta a estresse, motivação e recompensa, humor e memória, cognitivos, fertilidade, gravidez, desenvolvimento pré e pós natal, apetite, além de mediar os efeitos farmacológicos dos fitocanabinoides.

O sistema endocanabinoide interage com quase todos os demais sistemas conhecidos do corpo humano, como os sistemas nervosos (central e periférico) através dos receptores conhecidos CB1 e CB2, sistema cardiovascular, sistema digestivo, imunológico.

Quem descobriu o sistema endocanabinoide?

Durante muitos anos, os cientistas se perguntaram por que substâncias como a morfina, que é derivada das plantas, têm um efeito biológico nos humanos.

Eles concluíram que deveria existir um receptor no cérebro ao qual a morfina se ligava e, além disso, deveria também existir uma substância produzida pelo próprio cérebro, semelhante à morfina, capaz de agir nesse receptor.

As moléculas semelhantes à morfina foram descobertas e chamadas de encefalinas, os analgésicos naturais do corpo.

O sistema endocanabinoide foi identificado pela primeira vez apenas em 1964.

O responsável pelo feito é o pesquisador radicado em Israel Raphael Mechoulam, que naquele ano viria a documentar de forma até então inédita o THC.

Foi essa descoberta que levou o químico Mechoulam a descobrir em seguida o sistema endocanabinóide, formado por uma série de enzimas presentes em diversos tecidos do corpo.

Raphael Mechoulam é um químico orgânico, de origem búlgara, radicado em Israel, conhecido mundialmente pelo isolamento, definição estrutural e síntese do THC. 

A descoberta data de 1964, quando o professor Mechoulam começou a fazer testes com haxixe e, a partir dele, descobriu o componente psicoativo da Cannabis: o THC.

Vinte anos depois, o cientista verificou que o THC, interage com o maior sistema de receptores do corpo humano, o sistema endocanabinoide.

Na década de 1980, foram descobertos receptores específicos para o THC no cérebro, chamados de receptores canabinóides. Em 1992, a busca por substâncias endógenas capazes de agir nesses receptores resultou na descoberta da anandamida. 

A anandamida foi isolada e sua estrutura foi descrita pela primeira vez no laboratório do professor Raphael Mechoulam, na Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, pelo químico tcheco Lumír Ondřej Hanuš e pelo farmacologista americano William Anthony Devane. 

Elementos do sistema endocanabinoide

Endocanabinoides

São os canabinoides produzidos naturalmente pelo próprio corpo. Moléculas sinalizadoras que atuam diretamente com os receptores do sistema endocanabinoide, as principais são a anandamida e a menos conhecida 2-AG. Esta última se liga tanto aos receptores CB1 e CB2 e parece aliviar pressão ocular.

Receptores canabinoides: O que é cb1 e cb2?

Os receptores canabinoides desempenham um papel fundamental nas operações do sistema endocanabinoide. Estes ajudam a transmitir mensagens dos endocanabinoides de célula para célula, e das células externas para as internas. 

Atualmente são conhecidos dois tipos principais de receptores: o CB1 e CB2, presentes em diferentes partes do corpo. Os canabinoides (fito ou endo) se ligam, bloqueiam, ou moldam a atividade destes receptores. Pesquisadores também consideram que o TRPV1 (receptor de potencial transitório do tipo vaniloide 1) faz parte da rede, dado que este serve como um local de ligação para o CBD, THC e anandamida.

Os receptores CB1 encontram-se majoritariamente ao longo do sistema nervoso, embora também apareçam em muitas outras áreas. São elas: cérebro, medula espinhal, células adiposas, fígado, pâncreas, músculos esqueléticos, trato intestinal, sistema reprodutor.

Os receptores CB2 são menos estudados e até o momento aparecem em quantidades muito menores do que os CB1. Sua maior presença é no sistema imune, e em menores quantidades em outras áreas do corpo, tais como: células imunes, trato gastrointestinal, fígado, células adiposas, ossos e sistema reprodutor.

Os receptores canabinoides existem na membrana de inúmeros tipos de células em todo o corpo. A membrana atua como uma barreira protetora onde os receptores respondem aos químicos no exterior da célula.

Quando um canabinoide se fixa em um receptor canabinoide, este envia um sinal para o interior da célula que provoca uma alteração temporária no funcionamento desta. A localização do receptor indica frequentemente quais processos este influencia.

Os receptores canabinoides atuam como o intermediário entre o espaço extracelular e o interior da célula. Uma vez ativados, os receptores canabinoides desencadeiam uma cascata, levando a que as células alterem a sua atividade e ativem uma mudança coletiva visando um estado de equilíbrio.

Enzimas

As enzimas são proteínas que catalisam as reações químicas. O sistema endocanabinoide apresenta enzimas que produzem e decompõem os endocanabinoides. As principais enzimas no sistema são a amida hidrolase de ácido graxo (FAAH) que decompõe a anandamida e a monoacilglicerol lipase (MAG).

Como aumentar os níveis de Anandamida no corpo?

O sistema endocanabinoide desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio da fisiologia humana. Mas o que acontece se o sistema endocanabinoide se desregular?

A investigação sugere que todos têm um “tom endocanabinoide” ideal, um termo que descreve o volume de canabinoides produzidos e que circulam pelo corpo.

Uma escassez de endocanabinoides pode desencadear um estado conhecido como deficiência endocanabinoide clínica (DEC). Para manter o sistema endocanabinóide sob controle, há algumas formas naturais:

  • Fitocanabinoides: o THC e CBD podem influenciar os receptores canabinoides. 

A ação do CBD como inibidor da enzima FAAH, que é responsável pela quebra da anandamida, permite que a substância tenha uma vida útil maior no organismo. Analogamente, este parece ser o efeito também junto à enzima 2-AG;

  • Exercício aeróbico: a anandamida é produzida durante e após atividades físicas, causando bem-estar. Resulta em efeitos antidepressivos, instigados pelo sistema endocanabinoide e turbinados pelos canabinoides da Cannabis; 
  • Chocolate: os mais escuros e com altos teores de cacau – e menos leite e açúcar na fórmula – possuem altos níveis de anandamida;
  • Trufas negras – este fungo contém anandamida e outros canabinóides;
  • Ácidos graxos ômega 3 – o corpo precisa deles para sintetizar os endocanabinoides. Os alimentos ricos em ómega-3 incluem o peixe, sementes de cânhamo, nozes, sementes de linhaça, sementes de chia e caviar;
  • Cariofileno: um terpeno encontrado em muitas ervas culinárias (e na Cannabis), o cariofileno também atua como um canabinóide dietético, ligando-se diretamente com o receptor CB2, melhorando o humor e a disposição. Alecrim, pimenta preta, lúpulo, cravo-da-índia e orégano são alimentos ricos em cariofileno;
  • Outras plantas ricas em canabinóides e os receptores aos quais se ligam:
  • Equinácea: alcamida (CB2);
  • Maca: macamida (CB1);
  • Kava: yangonina (CB1);
  • Malagueta: capsaicina (TRPV1);
  • Pimenta preta: piperina (TRPV1)
  • Gengibre: gingerol e zingerona (TRPV1);
  • Cacau: N-oleoletanolamina e N-linoleoiletanolamina (inibe a FAAH).

Os usos da Anandamida em tratamentos de doenças

Ao se conectar aos receptores CB1 e CB2, a anandamida ativa e gera várias reações. Ela também se conecta ao receptor VR1, indicando atuação na destruição de células cancerígenas.

Por ser um ácido graxo e ter passagem da corrente sanguínea para o cérebro, a anandamida age como neurotransmissor, facilitando a comunicação entre as células nervosas, sendo parte fundamental na condução nervosa, atuando no humor, memória e apetite.

No cérebro, a anandamida influencia função motora, percepção de dor e memória. 

No sistema cardiovascular, é um vasodilatador. 

Envolvida no desenvolvimento do feto, mantém uma gravidez saudável e ajuda nas contrações do parto.

Derivada do ácido araquidônico, como as prostaglandinas (responsáveis pela resposta inflamatória), a anandamida possui efeitos anti-inflamatórios.

Conclusão

Com atuação nos sistemas nervoso central, periférico, imune, cardiovascular, digestivo e reprodutivo, a anandamida tem a função básica de garantir o equilíbrio do funcionamento desses sistemas. Sendo assim, este neurotransmissor influencia funções das mais diversas: sono, humor, dor, movimento, memória, apetite, inflamação, imunidade.

Descoberta há menos de trinta anos, ainda há muito a ser pesquisado a respeito da anandamida e de todo o sistema endocanabinoide do qual ela faz parte.

Em paralelo, as descobertas acerca do fitocanabinóide análogo da anandamida, o THC, e dos demais canabinóides presentes na Cannabis, vêm acrescentando importância e interesse acerca desta substância complexa e fundamental à saúde.

Canabinoides: o que são, tipos e indicações

canabinoides

Confira os diversos tipos de canabinoides e como podem ser utilizados para o tratamento de doenças.

O que são canabinoides?

Canabinoides são uma classe de compostos químicos que ativam os receptores canabinoides, proteínas que permitem a interação dessas substâncias com o metabolismo celular.

Mais especificamente com o sistema endocanabinoide, que atua na regulação e equilíbrio de uma série de processos fisiológicos de nosso corpo.

O termo canabinoides costuma ser usado para se referir aos fitocanabinoides, ou seja, os compostos encontrados nas plantas do gênero Cannabis.

Plantas canabinoides (fitocanabinoides)

As plantas do gênero Cannabis não são as únicas que contêm os fitocanabinoides, mas são as que possuem as concentrações mais elevadas destes compostos. 

São elas:

  • Cannabis sativa
  • Cannabis indica
  • Cannabis ruderalis.

História e uso dos canabinoides

Na resina do caule e nas flores nascem o que faz da Cannabis um sucesso terapêutico. 

É principalmente ali que são produzidos os canabinoides, os compostos químicos que, assim como os terpenos e os flavonoides, rendem os efeitos terapêuticos e psicoativos da planta.

Os mais conhecidos você provavelmente sabe quais são: THC e CBD. Mas existem muito mais.

Até agora, foram descobertos mais de 100 canabinoides presentes na Cannabis. 

E nem faz tanto tempo assim que o primeiro deles – o THC – foi descoberto pela ciência.

Em 1964, o israelense Raphael Mechoulam isolou a substância e a usou como ingrediente em um bolo. 

Então, distribuiu alguns pedaços para alguns amigos e só observou. 

Alguns começaram a gargalhar, uma mulher teve uma crise passageira de ansiedade, enquanto outra sentou numa poltrona e mergulhou nos próprios pensamentos. 

O experimento comprovou: era aquela a substância responsável por vários efeitos da maconha.

Desde então, a ciência caminhou bastante nos estudos sobre a planta. E descobriu, não apenas os outros canabinoides, mas também nossos endocanabinoides.

Aquele primeiro passo de Mechoulam fomentar as pesquisas e levou ao conhecimento sobre o sistema endocanabinoide, com os receptores CB1 e CB2 espalhados pelo nosso corpo.

Para que servem os canabinoides?

Os canabinoides servem para ajudar a regular e equilibrar várias funções biológicas que ficam a cargo do sistema endocanabinoide. 

Por isso, podem ter efeito medicinal.

A interação entre os canabinoides e o sistema endocanabinoide se dá através dos receptores canabinoides.

Receptores canabinoides

Os receptores canabinoides estão distribuídos por todo o corpo e são parte do sistema endocanabinoide, que regula processos fisiológicos como o apetite, dor, ânimo e memória.

São receptores acoplados às proteínas G, ou seja, pertencem a uma grande família de receptores transmembranares que captam sinais extracelulares.

Esses receptores funcionam como fechaduras e são abertos apenas com chaves, os canabinoides. 

E o organismo mesmo trata de produzi-los. São os endocanabinoides.

Ácidos canabinoides vs. canabinoides

Canabinoides como o CBD e o THC, os mais conhecidos, são formados dentro das plantas do gênero Cannabis na forma de ácido.

Ou seja, são na realidade CBDA (ácido canabidiólico) e THCA (ácido tetrahidrocanabinol).

Estes ácidos se transformam em CBD e THC quando ativados, por meio do calor ou degradação, um processo que é chamado de descarboxilação.

Principais efeitos dos canabinoides

Consumir produtos à base de canabinoides pode causar uma grande variedade de efeitos, que dependem do tipo de canabinoide, qual o produto e método de consumo, concentração da substância e outras tantas variáveis.

Existe o conhecido efeito psicoativo do THC, mas também efeitos como redução de dores crônicas, náusea, ansiedade e outros sintomas.

O que é o sistema endocanabinoide?

O sistema endocanabinoide é composto por enzimas e receptores canabinoides. 

Como dito antes, esses receptores se encontram em todo o corpo, e atuam na regulação de diferentes processos fisiológicos.

Por exemplo: apetite, dor, inflamação, controle muscular, metabolismo, sono, humor e memória, entre outros.

Como os canabinoides atuam no organismo?

Os fitocanabinoides presentes nas planta interagem com o sistema endocanabinoide, estimulando ainda mais a abertura dos receptores.

Cada um deles tem seus próprios efeitos terapêuticos – analgésicos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes, etc.

E é a proporção desses canabinoides, diferente em cada cepa de Cannabis, que orquestra os efeitos psicoativos e farmacológicos dela. Claro que também varia de acordo com o solo, clima do local de cultivo.

Efeitos terapêuticos dos canabinoides

Há cada vez mais estudos associando os canabinoides a efeitos terapêuticos, em especial o canabidiol, ou CBD.

Mais adiante, falaremos especificamente sobre os benefícios desse tipo de canabinoide, que tem efeito anti-inflamatório e antiespasmódico.

Tipos de canabinoides

THC e CBD, como dito antes, são os tipos mais conhecidos de canabinoides. 

A seguir, falamos um pouco sobre eles, mas também apresentamos outros – estima-se que existam mais de 50 tipos.

THC

Conhecido pelos efeitos efeitos psicoativos, o THC, um dos compostos mais abundantes na Cannabis, tem muitas outras características. 

Funciona também como ansiolítico, anti-inflamatório, imunossupressor, antiviral, hipotensor, neuroprotetor, estimulador do apetite, antiemético (reduz a vontade de vomitar), analgésico, sedativo, anticonvulsivo, antitumorígeno, modulador neuro-endócrino, antipirético, antioxidante, e pode ainda ser usado no tratamento de glaucoma.

CBD

Tão abundante quanto o THC, o canabidiol não produz nenhum efeito psicoativo – ou seja, não dá barato. 

Apresenta efeito ansiolítico, imunossupressor, anti-inflamatório, neuro protetor, antiemético, sedativo, anticonvulsivo, antitumorígeno, antioxidante, antiespasmódico, antipsicótico.

CBG

É a partir do canabigerol que o CBD e o THC são produzidos. 

Mas ele passa quase despercebido nas variedades de Cannabis. Isso porque sua concentração, em geral, não chega a 1%. 

Tem efeito antiinflamatório, anticonvulsivo, sedativo, antitumorígeno e reduz a pressão intra-ocular (ou seja, auxilia no tratamento de glaucoma).

CBN

Quando o THC é exposto ao calor ou a uma maior quantidade de oxigênio, o composto se transforma em canabinol. 

Quando a planta envelhece, o THC também vira CBN. 

Possui potencial anti-inflamatório.

CBC

Canabicromeno é um dos compostos mais estudados pela Medicina. 

Tem potenciais terapêuticos que nem o THC nem o CBD possuem: fungicida e bactericida. E apresenta ainda efeito sedativo, hipotensor e anti-inflamatório.

THCV

THCV é a sigla para tetrahidrocannabidivarina, um canabinoide semelhante ao THC, mas que não é criado na forma de ácido. 

Tem efeito psicoativo mais curto e atua na supressão do apetite, podendo ser útil no combate à obesidade. 

Também pode ajudar pacientes com diabetes, pois regula os níveis de açúcar no sangue.

CBDV

A canabidivarina, ou CBDV, é um canabinoide sem efeito psicoativo, com uma estrutura semelhante à do CBD. 

Há pesquisas que indicam um efeito antiepilético neste canabinoide. 

Se comprovado, pode ser utilizado para prevenir ataques epiléticos e outras formas de convulsão.

THCA

O ácido tetrahidrocanabinol é a forma não ativada do THC. 

Não possui efeitos psicoativos, porém tem propriedades neuroprotetoras (podendo ajudar no tratamento de doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer) e anti-inflamatórias (podendo ajudar no tratamento de doenças como artrite reumatoide e lúpus).

CBDA

Assim como o THCA é a forma anterior do THC, o CBDA, ou ácido canabidiólico, é a forma anterior e ácida do canabidiol. Investiga-se sua ação no combate a inflamações e náuseas, além de um possível efeito inibidor do crescimento de células cancerígenas.

Quais os benefícios do uso do Canabidiol?

Entre os vários tipos de canabinoides que apresentamos acima, o canabidiol tem sido bastante usado em medicamentos, óleos e outros produtos, por conta de seus benefícios medicinais.

Alguns dos benefícios que o paciente pode apresentar consumindo produtos a base de canabidiol são:

  • Alívio da dor: há estudos que observaram redução em alguns tipos de dores crônicas com o consumo de CBD
  • Combate ansiedade e depressão: o óleo de CBD se mostrou um tratamento promissor contra a ansiedade e depressão, sem os fortes efeitos colaterais provocados pelos fármacos tradicionais.
  • Reduz os sintomas do câncer: pacientes com câncer sofrem com náusea, vômitos e dores, sintomas que podem ser aliviados com o CBD.
  • Propriedades neuroprotetoras: a ação neuroprotetora do canabidiol é útil no tratamento a desordens como epilepsia e esclerose múltipla.
  • Ajuda na saúde cardíaca: o canabidiol é bom para o coração e sistema circulatório, especialmente para pacientes com pressão alta.
  • Efeito antipsicótico: estudos sugerem que o CBD pode ser útil no tratamento de pacientes com esquizofrenia e outras desordens mentais.

Quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol?

Por conta dos benefícios que explicamos acima, o canabidiol pode ser um tratamento eficaz no combate a diversas doenças.

É importante deixar claro, porém, que em alguns casos é preciso aguardar o avanço de pesquisas e evidências mais conclusivas.

Só assim os medicamentos passam a ser comercializados e aprovados para o tratamento das doenças. 

Tudo indica, porém, que o potencial medicinal do canabidiol ainda é subaproveitado.

A seguir, veja as doenças contra as quais o CBD é uma forma promissora de tratamento.

  • Ansiedade
  • Autismo
  • Câncer (redução de sintomas)
  • Dependência química
  • Depressão
  • Diabetes
  • Doença de Alzheimer
  • Doença de Crohn
  • Doença de Parkinson
  • Doenças reumáticas
  • Danos hepáticos
  • Dor de cabeça, enxaqueca e outras dores
  • Endometriose
  • Enxaqueca
  • Epilepsia e convulsões
  • Esclerose Múltipla
  • Esquizofrenia
  • Fibromialgia
  • Insônia
  • Obesidade
  • Síndrome do pânico
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
  • Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Como ter acesso aos canabinoides?

Em outros países, os produtos medicinais à base de canabidiol e outros canabinoides já são uma realidade há algum tempo e são vendidos até em supermercados, sem necessidade de receita médica.

No Brasil, ainda são uma novidade recente.

No fim de 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mudou algumas regras e liberou a comercialização em farmácias brasileiras desse tipo de produto – desde que tenham a aprovação da agência, é claro.

O processo atende ao disposto na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 327/2019, que estabeleceu os requisitos para a venda de produtos de Cannabis com fins medicinais no Brasil.

Suas regras entraram em vigor no dia 10 de março de 2020.

A opção de acesso a produtos de canabinoides mais utilizada ainda vem sendo a importação de produtos, em função da qualidade farmacêutica e de maior variedade. Neste caso também há a necessidade de receita médica e obter a autorização da Anvisa. 

A importação é realizada conforme dispõem a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 335/2020. Esta nova RDC, substitui as RDCs antigas de importação e passou a vigorar em 24 de janeiro de 2020.

Cabe ressaltar que a primeira importação autorizada pela ANVISA aconteceu no ano de 2014. 

Onde comprar?

Os produtos que têm canabinoides em sua composição só podem ser comercializados em farmácias, drogarias, associações ou realizando a importação.

E a compra só é permitida com a apresentação de receita médica.

Conclusão

Como você pôde ver ao longo do artigo, o grupo dos canabinoides vai além do THC e CBD.

Os efeitos terapêuticos desses componentes, encontrados nas plantas do gênero Cannabis, podem trazer bem-estar e alívio a pacientes com vários tipos de doença.

Para isso, esperamos que os estudos avancem e o preconceito sobre o assunto deixe de existir.

Cepa, strain ou estirpe de Cannabis: o que são, tipos e efeitos

Cepa de Cannabis

Entenda o que é cepa, strain ou estirpe de Cannabis, quais são seus tipos, efeitos e benefícios nos tratamentos de doenças.

A cepa de Cannabis, ou Cannabis strain, em inglês, é de certa forma uma “marca”.

Assim como existem carros do tipo conversível de diferentes potências, cores e com acessórios distintos, no universo da Cannabis, acontece algo parecido.

Logo, não há uma planta igual à outra.

Ao contrário disso, mudas de uma mesma espécie podem ter diferenças bastante consideráveis entre si.

Isso porque desde tempos imemoriais o homem aprendeu que a maconha é bem mais do que uma planta para uso adulto.

Manipulada do jeito certo, ela pode servir a incontáveis propósitos, como medicinais e cosméticos.

Vamos entender como a planta tem ajudado no tratamento de uma série de doenças?

É só continuar a leitura.

Estirpe, strain e cepa de Cannabis: O que é?

Em botânica, o termo “cepa” é usado para designar plantas que pertencem a uma mesma espécie ou classificação.

No caso da maconha, o termo “Cannabis strain” tem um sentido ligeiramente distinto.

Quando nos referimos então a uma cepa de Cannabis, vamos além do que a taxonomia tradicional faz, que é classificar as plantas da família cannabaceae em subespécies.

A aplicação do termo, aqui, é mais para designar propriedades ainda mais específicas, como veremos no tópico a seguir.

De qualquer forma, o sentido literal da palavra “cepa” não se perde.

Ele só ganha um novo significado ao elencar as várias estirpes de Cannabis.

O que é strain, cepa ou estirpe de Cannabis?

Acredita-se que o homem cultiva a Cannabis há, pelo menos, 6 mil anos.

Durante todo esse tempo, agricultores de diversas regiões do mundo aprenderam que ela é uma planta versátil – não apenas por suas propriedades terapêuticas, mas por ser manejável a fim de atender a múltiplos propósitos.

Desde que as primeiras mudas saíram do subcontinente indiano, surgiram variações locais cultivadas com técnicas próprias.

Foi assim que se consolidou o conceito de cepa de Cannabis, que, como vimos, serve para classificar as plantas desse gênero conforme as suas propriedades e características.

Essa categorização pode, por exemplo, fazer referência às concentrações de THC, CBD, terpenos e flavonoides ou conforme a sua potência ou aroma.

Como funciona a genética da planta?

A genética humana se ocupa de entender como certos atributos físicos passam de uma geração para outra.

Com as plantas, o mesmo processo acontece.

Isso torna possível melhorar uma espécie por meio da manipulação dos seus alelos (formas de um gene).

Esse processo é feito com o objetivo de incrementar certas qualidades dos cultivares, tornando-os mais resistentes a doenças, para que cresçam mais ou que deem mais frutos.

Então, se uma subespécie de Cannabis apresentar baixa concentração de CBD, com a manipulação dos alelos correta, esse quadro pode ser revertido.

A genética tem como fundador o cientista Gregor Mendel, que, em 1856, registrou as suas experiências cruzando espécies de ervilhas.

A sua obra deu origem às Leis de Mendel, que regem a transmissão de genes e servem como referência acadêmica até os dias de hoje.

Strain e Cepa de Cannabis: Como a genética influencia no efeito?

Quando se trata de Cannabis, os diferentes nomes das cepas servem para descrever a linhagem de uma subespécie, uma propriedade aromática ou um efeito.

Dessa forma, é comum que elas sejam constantemente vendidas tendo como referência as características especificadas por suas nomenclaturas.

Bons exemplos disso são as cepas Kush, que tem esse nome por causa do seu local de origem, a cordilheira Hindu Kush, e Afghani, cuja terra natal é o Afeganistão.

Já strains como Somango XL e Royal Highness se distinguem, respectivamente, por suas propriedades estimulantes de apetite e analgésicas.

Como vimos, o nome da cepa já explica, de certo modo, o efeito esperado e, sendo assim, também diz muito sobre a genética envolvida na formação da planta.

Paradigma taxonômico da Cannabis

As plantas do gênero Cannabis fazem parte do grupo de vegetais conhecido taxonomicamente por angiospermas.

Resumidamente, as plantas dessa denominação se reproduzem por meio de sementes protegidas por seus frutos.

No caso da Cannabis, o processo reprodutivo depende das flores, presentes em espécimes fêmeas (pistiladas) e machos (estaminadas).

A primeira classificação científica da planta foi registrada em 1753, pelo botânico Carolus Linnaeus, que descreveu a espécie Cannabis sativa L. – o “L.” é em sua homenagem.

Desde então, foram mapeadas outras subespécies, como Cannabis sativa spontaneaCannabis sativa indica e Cannabis sativa kafiristanica.

Estabilidade genética da planta

Quando se busca o aprimoramento de uma cepa por meio da manipulação dos seus traços genéticos, o objetivo é sempre gerar fenótipos superiores.

Por exemplo: a partir de duas strains de Cannabis sativa, a meta é aumentar a concentração de CBD e de certos terpenos.

Nesse caso, quanto mais estáveis geneticamente forem as plantas que darão origem à nova cepa, mais facilmente se chegará à estirpe desejada.

No entanto, esse não é um processo simples, pois depende de diversos fatores, que vão além das características das plantas reprodutoras.

Estima-se que, em um lote de sementes que darão origem a uma nova cepa, em 25%, predominarão os atributos do espécime macho.

Outras 25% terão mais proximidade com a fêmea e 50% mesclarão traços de ambos.

Outras variedades e seus usos

Considerando a distribuição dos aspectos de plantas machos e fêmeas entre as sementes, será preciso observar a variedade dos cultivares usados nos cruzamentos.

Por isso, é consenso que, quanto mais estáveis forem as plantas que darão origem a novas cepas, mais previsíveis serão os resultados.

Do contrário, espécimes com muitas variações em seus ascendentes produzirão fenótipos mais heterogêneos, ou seja, não uniformes em suas características.

Por outro lado, é quase certo que, antes do cultivo, não haverá um mapa genético para orientar na hora de realizar os cruzamentos.

Portanto, a pessoa que pretende cultivar Cannabispara formação de novas cepas deve ter o olhar treinado para identificar atributos que possam passar às novas gerações.

Isso inclui seus padrões de crescimento, tamanho das folhas, cores, aromas, entre outras.

Como a cepa determina o sabor e a fragrância?

Cada cepa de Cannabis apresenta uma concentração própria dos chamados terpenos, as substâncias responsáveis por conferir cheiro e sabor às plantas, aos seus frutos e às suas flores.

No caso da Cannabis, o primeiro aspecto que serve para determinar a fragrância e o gosto é o padrão de crescimento da planta.

Sendo assim, espécimes que crescem mais rápido devem exalar aroma diferente daqueles que se desenvolvem em um ritmo mais lento.

Nas cannabaceae, um dos terpenos mais comumente encontrados é o mirceno, e as suas concentrações maiores ou menores determinarão fragrâncias e sabores distintos.

Normalmente, uma cepa de qualidade deve ter, pelo menos, 0,5% de mirceno em sua composição.

Como o crescimento da planta influencia nos terpenos?

A relação entre crescimento e potência dos canabinoides e perfil de terpenos é diretamente proporcional.

Sabendo disso, cultivadores mais experientes fazem uso de processos mecanizados e produtos químicos para induzir as suas mudas de Cannabis a crescerem mais rápido.

Se, por um lado, esse artifício ajuda a aumentar a quantidade produzida, por outro, ele pode empobrecer o perfil de canabinoides das plantas.

Por analogia, é algo que se verifica no cultivo de hortaliças em geral.

Quanto mais “orgânico”, ou seja, sem adição de agrotóxicos na produção, melhor a qualidade.

Como é definido o melhor tipo de strain para o respectivo uso medicinal?

Quem pretende cultivar Cannabis com fins medicinais deve se certificar de que os strains selecionados terão as concentrações de CBD e THC adequadas.

Um aspecto muito importante a ser destacado é o espaço disponível para o cultivo.

Quem planta Cannabis indoor, nesse caso, pode ter dificuldades em cultivar cepas que crescem mais.

No entanto, quem tem à disposição uma área aberta, a preocupação recai mais sobre o clima e de que forma ele vai afetar o desenvolvimento da plantação.

Também é preciso ter atenção ao tempo de floração.

Algumas cepas de sativa, por crescerem mais e demorarem mais tempo para gerar flores, podem não ser uma boa alternativa para o cultivo indoor.

Como escolher uma cepa de Cannabis de acordo com o seu benefício?

Uma opção para quem não tem tanta experiência com o cultivo de Cannabis é recorrer aos bancos de sementes, ou seeds banks, como são mais conhecidos.

Neles, é possível selecionar cepas sob medida, por meio da compra de sementes com estirpe mapeada por breeders (geneticistas) profissionais.

Assim, poderá escolher com muito mais rapidez e comodidade a strain mais adequada conforme os benefícios esperados.

Lembre-se de que, para fins medicinais, normalmente se buscam cepas com concentrações mais altas de CBD e menores de THC.

Outro fator a ser avaliado, como vimos no tópico anterior, é o espaço disponível para cultivo, a expectativa de crescimento da planta e o seu tempo de floração.

Strain Cepa de Cannabis: Quais são os principais tipos?

Um detalhe importante sobre as cepas de Cannabis é que elas são sempre subespécies híbridas.

Embora em algumas situações cada uma tenha características que as aproximam mais de uma sativa ou indica, na prática elas são espécimes totalmente novos.

Outro ponto a salientar é que, em certos casos, as cepas são procuradas para serem utilizadas como cigarro, o que é ilegal no Brasil.

Ainda que essa forma de uso seja indicada em algumas terapias, no Brasil vale o que diz a Lei Nº 11.343/06, segundo a qual o consumo de estupefacientes é passível de pena.

Isso pode mudar se for aprovado o projeto de lei PL 399/15, que tramita na Câmara dos Deputados.

O texto estabelece que empresas farmacêuticas e de pesquisa possam realizar o plantio nos casos em que é comprovada a eficácia terapêutica de seu uso.

Feito o alerta, veja a seguir quais são as strains mais famosas do mercado e os efeitos que elas produzem.

Acapulco Gold

Muito popular durante o movimento da contracultura dos anos 1960 por sua potência, a Acapulco Gold é uma strain que faz sucesso até hoje.

Ela tem esse nome por ser cultivada em Acapulco, o célebre balneário mexicano que é um dos principais destinos turísticos do país.

Em termos medicinais, essa cepa de Cannabis pode ser bastante eficiente como analgésico ou para reduzir náuseas e vômitos.

Quem optar por essa strain deve verificar criteriosamente se ela, de fato, foi cultivada em Acapulco, já que somente os cultivares desse lugar apresentam a potência esperada.

Teia de Charlotte

Cultivar de cânhamo criada pelos irmãos Stanley, do Colorado, a Teia de Charlotte é conhecida por seu alto conteúdo de CBD e baixo perfil de THC.

Ela é produzida pela empresa que leva o mesmo nome e que, ao longo dos anos, especializou-se em produtos de saúde e bem-estar à base de Cannabis.

Trata-se de uma cepa derivada do cânhamo considerada de baixíssima toxicidade. 

A Teia de Charlotte ganhou popularidade depois que veio a público o sucesso no tratamento em Charlotte Figi, uma jovem com um raro distúrbio convulsivo.

Sonho Azul ou Blue Dream

Já a Blue Dream é um híbrido de sativa originário da Califórnia, sendo uma das mais conhecidas cepas cultivadas na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Ela nasce do cruzamento da Blueberry com a Haze e é indicada como relaxante e estimulante cerebral.

A Blue Dream é utilizada também para alívio de dor, depressão, náuseas e outras doenças que requerem uma dose mais elevada de THC.

Sua concentração de tetrahidrocanabinol é estimada entre 17% e 25%, com altas quantidades dos terpenos pineno, mirceno e cariofileno.

Bedrocan

Lançada em 2003 pela empresa homônima, a Bedrocan pertence ao cultivar Cannabis sativa conhecida como “L. ‘Afina’”.

Ela é a primeira da sua cepa e apresenta 22% de THC, com um nível de CBD abaixo de 1%.

É o produto de Cannabis medicinal top de linha da Bedrocan, amplamente usado em pesquisas.

Trata-se de uma cepa exclusiva, desenvolvida desde 1995 junto a outros quatro tipos de sementes.

Skunk

Considerada a strain número 1 de todos os tempos, dando origem a diversas outras variedades, a Skunk é chamada por muitos de “pedra angular” das cepas de Cannabis.

Ela deu início a cepas famosas como Colombian Gold, Afghani e a própria Acapulco Gold.

Recebe esse nome por causa da sua mistura de terpenos que lhe confere aroma bastante forte e concentração de THC em 17%.

Por conta disso, é uma cepa indicada por seus efeitos energizantes e no combate ao estresse e à falta de apetite.

Sour Diesel

Há quem acredite que a verdadeira Sour Diesel é derivada de um fenótipo distinto de uma cepa original chamada Diesel.

Outros preferem crer que trata-se de um fenótipo de Chemdawg com concentrações mais altas de sativa do que de indica.

Independentemente da sua origem, o fato é que a Sour Diesel se destaca por seu forte aroma, parecido com o do combustível que lhe empresta o nome.

Por ser uma cepa mais forte que a média, o seu uso medicinal é mais indicado para pessoas que sofrem de distúrbios mentais, dores crônicas ou fadiga intensa.

Tom Cruise Roxo

Muito popular na Califórnia, onde é vendida legalmente, a Tom Cruise Roxo tem esse nome por causa da imagem do famoso ator na sua embalagem.

Uma curiosidade a seu respeito é que o próprio Tom Cruise não endossa o uso de seu nome para batizar a strain.

Cogitou-se por algum tempo, inclusive, que o astro teria ingressado na justiça para retirar o seu nome do produto.

Variedades autoflorescentes

Uma característica das sementes de Cannabis autoflorescentes é produzir espécies que florescem rapidamente, por volta de duas a quatro semanas após o cultivo. 

Essa é uma vantagem para quem pretende plantar indoor, já que plantas dessa cepa podem ser cultivadas como Cannabis fotoperiódica feminizada.

Elas dispensam a troca de horários para iluminação e a sua floração é automática.

Além disso, plantas dessa strain crescem muito mais rápido, estando aptas para a colheita dentro de apenas oito semanas. 

Mais um ponto que as torna ideais para cultivo indoor é o seu tamanho.

Entre as cepas mais conhecidas de variedades autoflorescentes, estão:

  • Kush
  • Haze
  • Afghan
  • Cookies
  • Blueberry
  • Purple.

Como os cientistas estão modificando a cepa da maconha para curar células cancerígenas?

Felizmente, a ciência avança a passos largos para comprovar definitivamente a eficácia da Cannabis medicinal.

Em relação às cepas, uma pesquisa recente, encampada pela Universidade de Newcastle, Austrália, sugere a eficácia de uma nova strain no combate ao câncer.

Batizada de “Eve”, ela foi geneticamente modificada para ter elevadas concentrações de CBD, com menos de 1% de THC em sua composição.

O pesquisador Matthew Dunn, que liderou o estudo, declarou que:

“(…) testamos células de leucemia e ficamos surpresos com a sensibilidade delas. (…) a Cannabis não matou células normais da medula óssea, nem neutrófilos saudáveis normais”.

Como funcionam os testes de DNA que mapeiam o sistema endocanabinoide?

Um dos desafios que médicos e pacientes enfrentam na hora de determinar tratamentos é encontrar o perfil ideal de canabinoides para cada caso.

Nesse aspecto, a medicina genética tem mostrado avanços em pesquisas para mapear o sistema endocanabinoide de maneira a identificar rapidamente a dosagem e as concentrações certas de canabinoides.

MyCannabis Code é um teste genético que permite personalizar a Cannabis para cada paciente, e foi desenvolvido pelo renomado cientista e farmacologista Fabrício Pamplona.

Conclusão

Cada cepa de Cannabis é recomendada para finalidades específicas, em virtude das diferentes concentrações de canabinoides e terpenos que cada uma contém.

No Brasil, onde o cultivo só é permitido pela via judicial, a obtenção da strain desejada vai depender também da finalidade em questão.

Se for para uso pessoal, o mais indicado é optar por cepas autoflorescentes, já que crescem menos e independem da entrada de luz para chegar ao período de floração.

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