Tegra Pharma patrocina o 4º Medical Cannabis Summit

Medical Cannabis Summit

Medical Cannabis Summit, o maior evento de debate da Cannabis medicinal do Brasil terá que será a quarta e última edição do congresso traz renomados cientistas internacionais entre os dias 22 e 26 de novembro.

Nas últimas três edições do Medical Cannabis Summit, mais de 320 mil pessoas tiveram acesso ao conteúdo do congresso, assistiram aos painéis de debate e às palestras do evento. De 22 a 26 de novembro de 2021, será realizada a quarta e última edição deste importante evento.

A abertura será com uma das pesquisadoras responsáveis pelo descobrimento dos receptores do sistema endocanabinoide (SEC), a cientista estadunidense Dra. Allyn Howlet. Ela irá responder dúvidas de médicos e pesquisadores brasileiros.

O evento ainda debaterá muitos temas que são de relevância no cenário pós-pandemia, em especial com as questões que afetam a saúde mental dos brasileiros, para este tema foi convidado o Dr. Peter Grinspoon, médico do Massachusetts General Hospital, professor de medicina na Harvard Medical School e Diretor Associado do Physician Health Service, parte da Massachusetts Medical Society e um dos grandes especialistas em Cannabis.

O evento é uma promoção do grupo OnixCann em parceria com a Transformação Digital. O evento é 100% online e gratuito e convida toda a sociedade para um amplo debate científico e plural sobre o uso medicinal da Cannabis.

15 painéis em 5 dias de evento

Nesta edição, serão 15 painéis ao longo da semana, transmitidos pelo site do evento Medical Cannabis Summit. Para acesso às transmissões, é necessária apenas inscrição no evento.

Para Jaime Ozi, sócio e vice-presidente da OnixCann, este último evento encerra um ciclo importante para ampliar o conhecimento dos diversos usos da Cannabis medicinal.

“Começamos o primeiro evento falando da legislação e principalmente informando que a Cannabis, sim, era permitida pelos órgãos regulamentadores brasileiros para fins medicinais. Ao longo do tempo promovemos debates de altíssimo conteúdo técnico-científico com os maiores nomes da medicina canábica do Brasil e do mundo, o que muito nos orgulha, como Raphael Mechoulam, Ethan Russo, Mara Gordon, Staci Gruber, Bonni Goldstein, Donald Abrams e muito outros”, lembrou o executivo.

Nesta nova edição, apontamos os caminhos para debates que trazem o que deve se consolidar como o uso da Cannabis medicinal que mais será adotado: que é o uso para o bem-estar, para a longevidade com qualidade de vida, assim como no tratamento das doenças mentais, que são as que mais afetam os brasileiros. Segundo recente estudo da USP, o Brasil é o país que mais tem casos de ansiedade (63%) no mundo e o segundo em pessoas com depressão (59%).

Entre os nomes presentes, além dos citados acima, estão a Dra. Genester Wilson King, obstetra e ginecologista, fundadora da Victory Rejuvenation Center (VRC), prática de medicina holística privada e preventiva, oferecendo modalidades de gestão transformadoras e medicamentos personalizados prescritos para melhorar e promover a saúde do homem e da mulher. Defensora da Cannabis e da terapia hormonal/ bem-estar, palestrante, clínico e educadora. Ela relata o uso de Cannabis em obstetrícia e ginecologia, terapia hormonal para TPM, perimenopausa, menopausa e pós-menopausa na qual é reconhecida.

Dr. Ricardo Augusto De Melo Reis, neuroquímico, biofísico, pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, irá palestrar sobre o tema “Qualidade de vida e um sistema endocanabinoide resiliente”.

As histórias de pacientes permanecem como nas outras edições, com casos de extremo interesse com a convidada Katiele Fischer, que teve um papel protagonista para que hoje o uso da Cannabis fosse permitido. O Dr. Jimmy Fardin Rocha, ortopedista, traumatologia e cirurgião de joelho que trará o caso de paciente que sofreu fratura do fêmur, foi operado e tratado com Cannabis medicinal.

Como prescrever Cannabis?

O ponto de maior interesse para os médicos que se inscreverem no evento será a aula ministrada por grandes nomes da medicina canabinoide, que irão ensinar como efetivamente prescrever um tratamento canabinoide para pacientes, a posologia mais adequada para cada tipo de condição. Dr. Ricardo Ferreira também já confirmou presença.

Ainda falaremos sobre o uso do CBD no esporte com os fundadores do Atleta Cannabis: Fernando Paternostro e Pedro Guimarães (Peu) e o médico Dr. Paulo Barone especialista em biomecânica do esporte da Sports Lab. O Dr. José Lúcio, diretor geral da Inspirali do grupo Anima Educação, irá abordar a importância da educação continuada para a formação dos médicos para o uso hábil da Cannabis no tratamento medicinal, novas metodologias de ensino e as tendências educacionais, que existem fora do Brasil e que serão aplicadas nos próximos anos.

A agenda está em fase de conclusão, grandes nomes estão finalizando os últimos detalhes para a participação no evento. Seguindo a tradição do evento, convidados renomados e especialistas em Cannabis prometem mobilizar a população em prol de um maior acesso aos tratamentos com a Cannabis exclusivamente para fins medicinais.

SERVIÇO:

  • Evento: Cannabis Medicinal Summit
  • Inscrições gratuitas: https://medicalcannabissummit.com.br/
  • Dias: 22 a 26 de novembro, segunda a sexta-feira
  • Horário: ao todo são 3 horários iniciando às 18h e indo até às 21h.

A programação completa será em breve divulgada no site do evento.

A 4ª edição ainda conta com patrocinadores, apoiadores e um veículo oficial de divulgação especializado no tema:

  • Diamond: Tegra Pharma
  • Platinum: Inspiralli/Anima
  • Bronze: Centro de Excelência Canabinoide, Clínica Gravital e Sports Lab
  • Veículo Oficial de Comunicação: Portal Cannabis & Saúde. Veja aqui como foi a cobertura das edições anteriores.
  • Apoiadores: Sechat, The Green Hub, Abiquifi, My Grazz, Atleta Cannabis e Kaya Mind.

Sobre a OnixCann

Grupo brasileiro de distribuição de Cannabis Medicinal que conecta pacientes com médicos, seguindo protocolos clínicos e padrões internacionais. Com uma equipe clínica e científica altamente qualificada, o objetivo é trazer ao Brasil o que existe de mais moderno com toda a segurança e qualidade para o ecossistema global de Cannabis Medicinal. Dentro desse ecossistema, o Grupo OnixCann atua estrategicamente em 4 importantes segmentos: educação, farmacêutico, comunicação e tecnológico com o compromisso de melhorar a qualidade de vida e contribuir com a saúde dos pacientes e a formação de médicos e profissionais de saúde no país.

Sobre o TransformaçãoDigital.com

O TransformaçãoDigital.com é um ecossistema que conecta pessoas e empresas à transformação digital, com o objetivo de simplificar e democratizar o futuro. Fundada em 2017, a empresa catarinense busca, através de ferramentas digitais, eventos e treinamentos, entre outras iniciativas, auxiliar na transformação do negócio e da estratégia de empresas que buscam maneiras de reinventar o modelo de negócio de olho nas tendências de uma sociedade cada vez mais conectada por meio da tecnologia.

O uso da Cannabis em tratamentos neurológicos

Já abordamos anteriormente neste blog como o uso de produtos à base de Cannabis pode ser benéfico no tratamento de transtornos como o Alzheimer, a epilepsia e a esclerose múltipla.


Não restam dúvidas, então, quanto ao potencial benéfico dos compostos derivados da Cannabis em relação a tratamentos de distúrbios neurológicos. Principalmente o canabidiol (CBD) tem se mostrado um grande aliado nesse sentido.

E esse pode ser um desafio ainda maior no futuro devido à pandemia de COVID-19. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os danos neurológicos causados pelo Sars-Cov-2 foram encontrados até mesmo em pacientes que não apresentaram sintomas respiratórios.

Além disso, um estudo publicado em 29 de setembro deste ano pela mesma entidade mostra que pessoas que já sofriam de transtornos neurológicos apresentaram maiores chances de complicações devido à COVID-19. 

Nesse contexto, torna-se necessário olhar com mais detalhes os transtornos neurológicos mais comuns e como os compostos derivados da Cannabis podem ajudar em seu tratamento. 

Doenças do sistema nervoso

Na 10ª versão do Código Internacional de Doenças, as doenças que afetam o sistema nervoso estão listadas no Capítulo VI (G00-G99).

Existem, portanto, uma ampla e diversa gama de condições ligadas diretamente à rede neural do corpo humano. 

Porém, algumas delas se destacam pela sua prevalência ou gravidade como dores de cabeça, epilepsia, AVCs, esclerose lateral amiotrófica (ELA), Alzheimer, trastornos do espectro autista, esquizofrenia e o Mal de Parkinson. 

Como os compostos da Cannabis interagem com nosso corpo

Humanos e outros mamíferos produzem naturalmente endocanabinóides, substâncias químicas que interagem com os receptores de canabinóides no cérebro e em outras partes do sistema nervoso central. É o chamado sistema endocanabinóide


A Cannabis possui mais de 100 canabinóides, compostos quimicamente semelhantes aos endocanabinóides que nosso corpo produz.

Os dois principais, THC e CBD, são os mais abundantes e estudados e, principalmente esse último tem mostrado  grande potencial no combate a alguns dos principais distúrbios neurológicos.

No cérebro, a principal função do CBD é a redução de inflamação, que está ligada a diversos distúrbios, como ansiedade, depressão, problemas de memória, derrames, epilepsia, Alzheimer, fadiga e confusão.

O mesmo efeito anti-inflamatório é reportado também no restante do corpo, agindo através do sistema endocanabinóide.

Esses canabinóides interagem com receptores no sistema nervoso humano, incluindo aqueles no cérebro, e desempenham um papel na forma como os neurônios se comunicam entre si.

Os dois mais conhecidos, são os receptores CB1 e CB2. O CB1 prevalece no sistema nervoso central e afeta a regulação da dor, apetite, humor, coordenação entre outros.

Já os receptores CB2 prevalecem por todo o corpo e sistema imunológico, com fortes efeitos em dores e inflamações. 

O CBD tem um efeito leve nos receptores chamados CB1, e com isso bloqueia os efeitos psicoativos do THC. O CBD também inibe a degradação da anandamida, aumentando seus níveis. Estudo mostra que essa interação contribui para o alívio de sintomas psicóticos na esquizofrenia, por exemplo.

O sistema endocanabinoide também contribui para homeostase, ou seja, o equilíbrio do organismo para seu bom funcionamento.

O futuro do tratamento com canabinóides para doenças neurológicas

Apesar do grande potencial demonstrado e uso terapêutico de compostos canabinóides já ter tido eficácia apontada por estudos para uma série de transtornos neurológicos – a exemplo dos citados no começo deste artigo- , a proibição da Cannabis em grande parte do mundo têm atrasado um maior número de pesquisas na área.

Ainda assim, na ciência é cada vez maior a esperança de que esses compostos naturais possam ajudar no tratamento de uma série ainda maior de enfermidades neurológicas, aliviando os sintomas e condições que afetam milhões de pacientes.

Se desejar, nesta página, é possível preencher um cadastro e solicitar a visita de um dos nossos consultores para informações sobre produtos, posologia e pesquisas sobre a efetividade do uso do canabinóides no tratamento das mais diversas patologias.

Tetrahidrocanabinol: o que é, benefícios e uso medicinal do THC

THC
O tetrahidrocanabinol, mais conhecido pela sigla THC, pode não ser tão conhecido quanto o seu “irmão” CBD como recurso terapêutico, mas, ainda assim, tem valor medicinal e indispensável para o tratamento de certas patologias.

Além disso, há fármacos à base de Cannabis que são mais poderosos quando a sua composição mescla doses de ambos os compostos ativos.

O que é tetrahidrocanabinol –  THC?

Tetrahidrocanabinol (THC) é uma das substâncias encontradas em plantas do gênero Cannabis.

Ele é resultado da transformação do composto THCA, o ácido tetrahidrocanabinol.

Trata-se da forma não ativada do THC, que não apresenta efeitos psicoativos, embora tenha propriedades neuroprotetoras.

Para ser convertido em THC, o THCA deve ser exposto ao calor, quando então muda para seu estado neutro, o tetrahidrocanabinol.

Por sua vez, ele pode ser convertido novamente em uma nova fórmula de tetrahidrocanabinol, dando origem ao canabinol, o CBN.

Nesse caso, ele tem função orgânica anti-inflamatória, ou seja, ela deixa de exercer a psicoatividade do THC.

Existe ainda uma série de grupos funcionais resultantes do canabinoide, com destaque para os compostos a seguir.

THC

CBG

O canabigerol, ou CBG, passa quase despercebido nas variedades de Cannabis, porque sua concentração, em geral, não chega a 1%.

Tem efeito anti-inflamatório, anticonvulsivo, sedativo, antitumorígeno e reduz a pressão intraocular.

CBC

Canabicromeno, ou CBC, é um dos compostos da Cannabis mais estudados pela medicina.

Tem potenciais terapêuticos que nem o THC nem o CBD apresentam: fungicida e bactericida.

Além disso, apresenta ainda efeito sedativo, hipotensor e anti-inflamatório.

THCV

THCV é a sigla para tetrahidrocanabidivarina, um canabinoide semelhante ao THC, mas que não é criado na forma de ácido.

Tem efeito psicoativo mais curto e atua na supressão do apetite, podendo ser útil no combate à obesidade.

Também ajuda pacientes com diabetes, pois regula os níveis de açúcar no sangue.

CBDV

A canabidivarina, ou CBDV, é um canabinoide sem efeito psicoativo, com uma estrutura semelhante à do CBD.

Há pesquisas que indicam uma eficácia antiepilética nesse composto.

Para que serve o tetrahidrocanabinol – THC?

Tal como o CBD, o THC é um canabinoide, um tipo de composto químico extraído das plantas do gênero Cannabis, sobretudo nas espécies sativa e indica.

A principal característica desses compostos é que eles agem diretamente nos chamados receptores canabinoides.

Assim, eles levam à interação dessas substâncias com o metabolismo celular, por meio do sistema endocanabinoide.

As propriedades de cura vêm justamente dessa relação entre THC/CBD e o sistema endocanabinoide, atuando na regulação e no equilíbrio de uma série de processos fisiológicos do nosso corpo.

Qual é a diferença entre THC e CBD?

THC

Embora ambos sejam canabinoides, é importante frisar que há diferenças consideráveis entre os compostos.

No caso, os medicamentos produzidos com CBD geralmente não têm THC ou contêm em quantidades reduzidas.

Além disso, na fabricação de óleos de espectro amplo, o tetrahidrocanabinol é removido, em virtude dos seus possíveis efeitos adversos.

Contudo, a principal diferença é a ação psicoativa do THC, especialmente quando inalado.

Esse impacto não se verifica no CBD e, por isso, ele é mais utilizado como composto ativo em medicamentos, que são indicados para o tratamento de doenças diversas.

Quais são os efeitos do CBD?

Como recurso terapêutico, o CBD, ou canabidiol, já tem uma série de benefícios comprovados por estudos clínicos em diversos tipos de tratamento.

Dos cuidados paliativos em pacientes com câncer à medicação em quadros de epilepsia, ele age como um remédio eficaz ao reduzir dor, náuseas e vômitos, no primeiro caso, e no controle das convulsões, no segundo.

Confira uma lista de condições clínicas cujo tratamento se favorece do uso do canabidiol:

  • Ansiedade
  • Artrite reumatoide
  • Artrose
  • Autismo
  • Câncer
  • Dependência química
  • Depressão
  • Dermatites, acne e psoríase
  • Diabetes
  • Doença de Alzheimer
  • Doença de Parkinson
  • Doenças gastrointestinais
  • Dor neuropática
  • Dores de cabeça
  • Endometriose
  • Enxaqueca
  • Epilepsia
  • Esclerose múltipla
  • Fibromialgia
  • Glaucoma
  • Insônia
  • HIV
  • Lesões musculares
  • Obesidade
  • Osteoporose
  • Paralisia cerebral
  • Síndrome de Tourette
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
  • Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)

Quais são os efeitos do THC?

O THC interage com os receptores CB1 e CB2, diferentemente do canabidiol.

Sua ação terapêutica é percebida quando o composto é ministrado visando o efeito entourage.

Isso porque, no caso de medicamentos com THC, a presença do canabidiol e outros fitoquímicos torna a droga terapêutica e não recreativa.

Logo, é dessa interação entre os compostos que vêm os benefícios medicinais e que eliminam os efeitos psicoativos associados ao tetrahidrocanabinol.

Saiba os 5 benefícios do tetrahidrocanabinol – THC

O THC está longe de ser o vilão que uma parcela do público imagina – muito em razão da desinformação ou preconceito em torno das plantas do gênero Cannabis.

Quando administrado em associação com o CBD e nas doses certas, ele promove uma série de benefícios à saúde, ajudando, inclusive, a tratar de doenças graves.

Ainda que a ciência necessite de mais estudos conclusivos, com o que já se sabe, é possível afirmar que o tetrahidrocanabinol é um composto dos mais valiosos para a medicina.

Conheça 5 dos seus muitos benefícios.

1. Tratamento do glaucoma

O glaucoma é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão intraocular e que leva à cegueira.

Uma das formas de combatê-la é utilizar o THC, que com seus efeitos transitórios reduz a pressão interna do olho.

2. Ajuda a evitar inflamações

As propriedades anti-inflamatórias do THC e do canabidiol já são bastante conhecidas.

Por isso, eles são úteis no tratamento de enfermidades inflamatórias, inclusive as do trato gastrointestinal, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

Também têm eficácia já comprovada para lidar com a artrite reumatoide e demais condições reumáticas.

3. Aumento do apetite

Talvez um dos usos mais amplamente documentados e antigos do THC e do CBD seja como estimulante do apetite, especialmente em portadores do vírus HIV.

Nesses pacientes, fármacos produzidos à base de tetrahidrocanabinol têm sido ministrados com sucesso há algumas décadas, ajudando a mitigar os efeitos da anorexia resultante da doença.

De qualquer modo, pessoas acometidas por anorexia em virtude de distúrbios psicológicos ou psiquiátricos também podem ser tratadas.

4. Redução da dor

Outro uso para o THC amplamente documentado e conhecido é no combate e redução da dor, sendo usado há muito tempo com essa finalidade.

Em geral, os canabinoides promovem efeito antiálgico, agindo nos receptores existentes no cérebro e em diversos tecidos.

Para isso, o dronabinol (uma forma específica de tetra-hidrocanabinol) tem sido largamente prescrito, sendo comercializado em diversos países para uso oral e com o objetivo de reduzir a sensibilidade à dor.

5. Cuidados paliativos no câncer

Não bastassem todos os benefícios associados ao THC já descritos, a substância ainda é eficaz nos cuidados paliativos em pacientes com câncer.

Afinal, além do efeito antiálgico, ela também pode ser empregada para reduzir sintomas como náuseas e vômitos, comuns em pessoas submetidas à quimioterapia.

Existem muitos trabalhos científicos que investigam ou investigaram o potencial do THC no auxílio do tratamento do câncer em suas mais variadas formas.

Um deles foi publicado por pesquisadores italianos na revista do National Center for Biotechnology Information.

Trata-se do artigo Cannabis sativa L. and Nonpsychoactive Cannabinoids: Their Chemistry and Role against Oxidative Stress, Inflammation, and Cancer, que confirmou os efeitos positivos do THC no combate a processos inflamatórios associados ao câncer.

Quais doenças podem ser tratadas com a ajuda do THC?

THC

Existe ainda um grande espectro de doenças que podem ser tratadas, controladas ou curadas com o uso de THC.

Veja quais são a seguir!

Autismo

Depois de seis meses de acompanhamento clínico, 86,6% dos pacientes com transtornos do espectro autista que utilizaram óleos à base de Cannabis optaram por continuar o tratamento.

É o que observaram pesquisadores israelenses (entre eles Raphael Mechoulam, que descobriu o sistema endocanabinoide), que divulgaram os resultados em 2019 na revista Scientific Reports.

Entre os que responderam um questionário sobre os resultados, 30,1% afirmaram ter notado uma melhora significativa e 53,7% observaram melhora moderada.

Apenas 6,4% afirmaram que o progresso foi pequeno e 8,6% não notaram diferença na condição.

Um outro estudo, de autoria de Renato Malcher, comprovou efeitos positivos em ministrar medicamentos compostos por CBD e THC na proporção de 75/1.

Nos testes com pacientes, de 15 avaliados, apenas um não apresentou melhora com a medicação.

Câncer

Nos Estados Unidos, já foram aprovados pelo FDA (a Anvisa de lá) dois fármacos produzidos à base de THC para tratamento de náuseas e vômitos em pacientes com câncer.

Um é o Dronabinol, administrado em forma de cápsula gelatinosa contendo delta-9-tetrahidrocanabinol (THC).

Além de auxiliar nos cuidados paliativos em pacientes com câncer, ele também ajuda na perda de peso e a tratar a falta de apetite em pessoas com AIDS.

O segundo é o Nabilone, canabinoide sintético que atua de maneira muito semelhante ao THC.

Ele é administrado por via oral e é mais indicado quando outros medicamentos não funcionam.

Dependência química

Ainda que pareça contraditório, produtos à base de Cannabis podem ter ótimo resultado no tratamento de pacientes que procuram se livrar da dependência química.

No artigo Intentional Cannabis use to reduce crack cocaine use in a Canadian setting: A longitudinal analysis, publicado na revista científica Addictive Behaviors, pesquisadores canadenses observaram o consumo intencional de Cannabis em dependentes químicos de outras drogas.

Eles concluíram que “os canabinoides podem ter um papel importante na atenuação dos sintomas relacionados ao desejo por cocaína e reduzem o uso de crack ou recaídas”.

Também há um estudo, realizado na Universidade de Columbia / EUA, no qual o Dronabinol teve efeitos positivos ao reduzir a abstinência de opiáceos na fase de desintoxicação por conta do tratamento com naltrexona.

Doença de Alzheimer

O tetrahidrocanabinol também pode apresentar efeitos positivos no tratamento da doença de Alzheimer.

É o que concluiu um estudo publicado no Aging and Mechanisms of the Disease, no qual os investigadores provaram que o THC e outros compostos químicos encontrados na Cannabis podem eliminar as concentrações tóxicas da proteína beta-amiloide, responsável pelo avanço do Alzheimer.

Segundo um dos cientistas participantes, Antonio Currais, a inflamação do cérebro está associada à doença.

No entanto, acreditava-se até agora que a única resposta contra o processo inflamatório vinha do sistema imunológico.

Nessa pesquisa, então, ficou provado que componentes similares ao THC podem impedir que as células nervosas morram por uma outra via.

Epilepsia e convulsões

A epilepsia é um distúrbio neurológico comum em determinadas doenças e se caracteriza pela recorrência de ataques epiléticos ou convulsões.

No tratamento com THC, os efeitos dos canabinoides dependem muito da causa, ou seja, a doença que está por trás das crises convulsivas.

Há pesquisas direcionadas especificamente a certas condições, como é o caso do estudo relatado no artigo Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome, publicado do The New England Journal of Medicine em 2018.

O THC também apresenta efeitos benéficos no tratamento das convulsões associadas à epilepsia.

Nesse caso, têm sido administrados com sucesso sprays nasais produzidos a partir do composto ativo até mesmo para portadores da síndrome de Dravet, um distúrbio raro e que causa ataques epilépticos.

Esclerose múltipla

Doença neurológica crônica, progressiva e autoimune, a esclerose múltipla afeta o sistema nervoso central e tem como principais sintomas a rigidez muscular e espasmos involuntários.

Um estudo com pacientes em centros médicos do Reino Unido comparou os resultados do tratamento realizado com extrato de Cannabis oral e placebo.

“A taxa de alívio na rigidez muscular depois de 12 semanas foi quase duas vezes maior com o extrato de Cannabis do que com o placebo (29,4% vs 15,7%)”, concluíram os pesquisadores no artigo Multiple Sclerosis and Extract of Cannabis: results of the MUSEC trial, publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry.

No tratamento da espasticidade (aumento anormal do tônus muscular), tem sido usado o medicamento Sativex, no qual THC e CBD se misturam na proporção de 1:1.

Ele é ministrado exclusivamente por via oral e a sua dosagem máxima recomendada é de até 12 pulverizações ao dia

Para cada pulverização de 100 microlitros, o paciente deve inalar cerca de 2,7 mg de THC e 2,5 mg de CBD.

Esquizofrenia

A esquizofrenia é uma doença caracterizada pela dissociação entre pensamento e realidade, cujo tratamento envolve fármacos antipsicóticos com fortes reações adversas.

No trabalho The Role of Cannabis within an Emerging Perspective on Schizophrenia, publicado em 2018, pesquisadores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, revisaram pesquisas recentes que sugerem que a Cannabis pode ser usada no tratamento da condição.

Eles sugerem uma abordagem ampla que foca nos aspectos ambientais, autoimune e neuroinflamatório causados pela enfermidade.

“Uma revisão da literatura mostra que o consumo de fitocanabinoides pode ser uma opção segura e efetiva de tratamento para esquizofrenia como terapia principal ou auxiliar”, concluíram.

Outro estudo que aponta para os benefícios da Cannabis no cuidado da esquizofrenia vem da Universidade do Porto.

Em sua dissertação de mestrado (pág. 10), Marta Henriques Carneiro Nunes de Andrade destaca os bons resultados obtidos com a injeção intravenosa de THC, que substitui com eficácia a inalação do composto.

Obesidade

Um estudo conduzido por pesquisadores poloneses, intitulado Cannabidiol decreases body weight gain in rats: Involvement of CB2 receptors, que envolveu testes em animais, sugere a eficácia do canabidiol no controle do peso.

Por isso, o THC vem a ser uma alternativa para a redução ou o controle de peso em pacientes que sofrem de obesidade.

Prova disso é um estudo de um grupo de pesquisadores americanos que, em 2015, descobriu uma propriedade interessante no composto ativo.

Em testes com ratos, detectou-se que, embora o THC provocasse o aumento do apetite, ao mesmo tempo ele não os levou ao aumento de peso, pelo contrário.

Detalhe: os animais foram submetidos a uma dieta rica em gordura.

O que a legislação brasileira diz a respeito do uso medicinal do THC?

Somente em 2015 a Cannabis medicinal foi legalizada no Brasil, embora sob certas condições.

Foi nesse ano que a Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 17, em que foram determinadas normas para a importação de medicamentos à base de canabidiol em caráter excepcional.

De acordo com o texto, os produtos poderiam ser importados desde que acompanhados de prescrição médica e atendendo a certos critérios.

À Anvisa, cabe a verificação e permissão para a importação, conforme o processo descrito no tópico anterior.

Por isso, médicos que pretendem prescrever produtos do exterior à base de canabidiol e THC devem consultar a RDC Nº 327/2019 e a RDC Nº 335/2020 e a RDC Nº 570/2021 para mais informações.

São essas regulamentações que estabeleceram os requisitos para a comercialização de produtos de Cannabis para fins medicinais no país.

Conclusão

Com o que vimos neste texto, fica muito claro o relevante papel exercido pelo THC como substância ativa em fármacos usados em diversos tratamentos.

Embora o Brasil ainda precise avançar em termos de legislação, espera-se que, em breve, os medicamentos à base de Cannabis estejam mais acessíveis à população que tanto se beneficiaria deles para tratamentos menos invasivos em nosso país.

Se desejar, nesta página, é possível preencher um cadastro e solicitar a visita de um dos nossos consultores para informações sobre produtos, posologia e pesquisas sobre a efetividade do uso do THC no tratamento das mais diversas patologias.

Como a Cannabis pode ajudar em tratamentos odontológicos

Nesta semana foi comemorado no Brasil o dia do dentista, em 25 de outubro. Essa data foi escolhida porque no mesmo dia em 1884 foi assinado o decreto 9.311, criando os primeiros cursos de Graduação em Odontologia nos estados da Bahia e no Rio de Janeiro.

Esse e outros fatores fazem do Brasil o país com mais profissionais no mundo. Em fevereiro de 2020, os dentistas brasileiros representavam cerca de 19% dos profissionais em todo o mundo.

Este profissional é essencial para a saúde da sociedade, afinal de contas, a boca desempenha diversas funções e é porta de entrada para muitos problemas sistêmicos que podem acometer o organismo.

O avanço dos estudos sobre os benefícios do uso da Cannabis medicinal pelo mundo também contempla o tratamento de patologias que acometem a boca e outras regiões que são especialidades dos cirurgiões-dentistas.

Benefícios da Cannabis medicinal na odontologia

A RDC 335/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), promulgada em janeiro de 2020, e atualizada pela RDC 570/2021 estabelece os parâmetros e procedimentos para a prescrição de produto derivado da Cannabis para uso humano.

Com a redação dada pela norma, médicos passaram a poder requerer junto à agência reguladora o direito de receitar medicamentos à base de compostos da cannabis, visando o bem-estar de seus pacientes. 

Compostos medicinais da Cannabis têm sido usados para tratar, por exemplo, distúrbios temporomandibulares. Estes são distúrbios causados por problemas com os músculos da mandíbula ou das articulações ou o tecido fibroso que os une.

 

As pessoas podem ter dores de cabeça e sensibilidade dos músculos da mastigação ou podem ouvir sons de clique/estalo nas articulações da mandíbula.


Normalmente, os médicos ou dentistas podem diagnosticar essas doenças levantando o histórico e realizando um exame físico, mas, às vezes, é necessário um exame de imagem.

O tratamento geralmente envolve medidas recomendadas por médicos e de autoajuda, terapia com aparelho oral (tala) e alívio da dor.

Com maior frequência, a causa do distúrbio temporomandibular é a combinação da tensão muscular com problemas anatômicos nas articulações. Às vezes, há um componente psicológico.

Dessa forma, em muitas ocasiões os pacientes recebem polimedicação, com medicamentos altamente viciantes e que possuem efeitos colaterais importantes.

De acordo com estudos, o uso de compostos da Cannabis já tem apresentado resultados efetivos no gerenciamento de dores crônicas. Além disso, os mesmos compostos também têm apresentado eficácia comprovada na redução dos níveis de ansiedade

Nesse contexto, os compostos da Cannabis medicinal como CBD e THC podem ser excelentes aliados no tratamento de distúrbios temporomandibulares, agindo tanto na dor quanto no componente psicológico.

Contudo, o potencial odontológico da Cannabis medicinal não para por aí.  Um estudo recente analisa outras possibilidades.

A distribuição de receptores canabinóides na boca sugere que o sistema endocanabinóide pode ser um alvo para o tratamento de doenças bucais e dentais.

Mais recentemente, o interesse tem sido direcionado ao uso de Canabidiol (CBD), um dos vários metabólitos secundários produzidos pela cannabis sativa.

O CBD é um conhecido agente antiinflamatório, analgésico, ansiolítico, antimicrobiano e anti câncer, e como resultado, pode ter potencial terapêutico contra doenças como a síndrome da boca ardente, ansiedade odontológica, gengivite, bruxismo e possivelmente câncer oral.

Outros principais metabólitos secundários da Cannabis, como terpenos e flavonóides, também compartilham propriedades antiinflamatórias, analgésicas, ansiolíticas e antimicrobianas e também podem ter aplicações odontológicas e orais.

Apesar dos estudos estarem apenas começando, já se observa o grande potencial que os compostos da Cannabis podem ter em vários ramos da saúde.

 

REFERÊNCIAS:
Anvisa
Manual MSD
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25635955/

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4604171/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34562980/

Outubro Rosa: como o CBD pode ajudar no tratamento do câncer de mama

câncer de mama

Movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o Outubro Rosa foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure.

A data é celebrada anualmente, com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) — que participa do movimento desde 2010 — promove eventos técnicos, debates e apresentações sobre o tema, assim como produz materiais e outros recursos educativos para disseminar informações sobre fatores protetores e detecção precoce do câncer de mama.

O Câncer de Mama

O  câncer de mama é caracterizado pelo crescimento de células cancerígenas na mama. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é o segundo tumor mais comum entre as mulheres, atrás apenas do câncer de pele, e o primeiro em letalidade.

Apesar dos dados alarmantes, sua ocorrência é relativamente rara antes dos 35 anos e nem todo tumor é maligno – a maioria dos nódulos detectados na mama é benigna. Além disso, quando diagnosticado e tratado na fase inicial da doença, as chances de cura do câncer de mama chegam a até 95%.

No entanto, na fase inicial da doença o tumor pode ser muito pequeno, podendo ter menos de um centímetro de tamanho, nesse caso, a doença só será detectada por um exame de imagem, como a mamografia. Por isso, é importante que a mulher vá ao ginecologista ao menos uma vez por ano e faça seus exames de rotina periodicamente

A conscientização do câncer de mama e o investimento em novas pesquisas sobre o tema ajudaram a criar diversos avanços no diagnóstico e tratamento da doença. Hoje, o câncer de mama não é mais uma sentença – a taxa de cura é cada vez mais alta e a paciente pode levar sua rotina com qualidade de vida e bem-estar.


Prevenção, sinais e sintomas

Ainda segundo o INCA, cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como:

  • Praticar atividade física
  • Manter o peso corporal adequado
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas
  • Amamentar seu bebê

Amamentar o máximo de tempo possível é um fator de proteção contra o câncer.

Não fumar e evitar o tabagismo passivo são medidas que podem contribuir para a prevenção do câncer de mama.

O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio dos seguintes sinais e sintomas:

  • Nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher
  • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja
  • Alterações no bico do peito (mamilo)
  • Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço
  • Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos
  • Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados por um médico para que seja avaliado o risco de se tratar de câncer.

É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias.

Em caso de permanecerem as alterações,  elas devem procurar logo os serviços de saúde para avaliação diagnóstica.

A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama.

Como o CBD pode auxiliar no tratamento do câncer de mama

Pesquisas documentam a atividade anticâncer da Cannabis desde a década de 1990.

O cientista americano. Sean McAllister baseia todas as suas pesquisas nos benefícios da Cannabis no tratamento anti-cancerígeno e conseguiu grandes avanços.

O Dr. McAllister e colegas do California Pacific Medical Center Research Institute descobriram que o CBD (Canabidiol) é um inibidor muito potente do câncer de mama. Eles relataram descobertas sobre o efeito cumulativo do CBD e do THC no bloqueio da proliferação de células cancerosas do cérebro e sobre o mecanismo de ação do CBD no bloqueio da metástase do câncer de mama.

Em um estudo de 2012 o Dr. McAllister et al fizeram uma análise aprofundada de como o CBD mata as células do câncer de mama em um modelo animal. O CBD afeta uma proteína chamada ID-1, que parece ser o principal condutor das células cancerosas. ID-1 é, portanto, um excelente alvo para o tratamento do câncer.

Quando o câncer se espalha, ele pode comer o tecido (no processo conhecido como metástase). O CBD parece inibir o comportamento agressivo das células.

As células cancerosas são colocadas em um gel que contém pequenos orifícios. As células recebem uma dose de um medicamento e, após alguns dias, você pode contar o número de células que o atravessaram.

Isso simula o que um tumor faz enquanto atravessa tecidos humanos. Os pequenos triângulos pretos são as células. Você pode ver que apenas meia dúzia ou mais conseguiu passar pelo gel quando dosada com CBD (à direta). O controle à esquerda mostra que, na ausência de CBD, as células cancerosas mastigam facilmente o gel.

Além das pesquisas promissoras no combate a neoplasia maligna de câncer, sabe-se também que o derivado da Cannabis pode ser um excelente aliado contra os efeitos colaterais do tratamento contra o câncer de mama.

Seu corpo tem um sistema endocanabinoide natural, “uma rede complexa de receptores nas células que regula as funções corporais diárias, como inflamação, humor e sono”, diz Marisa C. Weiss, MD, diretora médica e fundadora do Breastcancer.org e diretor de oncologia de radiação de mama no Lankenau Medical Center em Wynnewood, PA.

Estudos mostram que canabidiol age interagindo com este sistema, o que significa que pode ajudar a reduzir os efeitos colaterais do tratamento do câncer de mama, como dor, ansiedade, insônia, náuseas e vômitos.

O CBD age interagindo com este sistema, o que significa que pode ajudar a reduzir os efeitos colaterais da mama tratamento do câncer, como dor, ansiedade, insônia, náuseas e vômitos.

As pesquisas precisam evoluir, mas já é possível notar o grande potencial que o canabidiol tem tanto como inibidor da proliferação cancerígena como na diminuição dos efeitos colaterais dos tratamentos padrão.

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Dia Mundial da Saúde Mental: tratamento de Ansiedade e Depressão com CBD

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o conceito de saúde plena como o estado completo de bem-estar de um indivíduo, que se perpetua nas esferas física, social e mental. 

Considerando a importância deste último item, em 1992, a Federação Mundial da Saúde Mental instituiu o dia 10 de outubro com o objetivo de alertar sobre o valor e a necessidade de discutir sobre o assunto. 

Nesta data, palestras e ações são incentivadas para conscientizar e levar a público reflexões acerca dos cuidados para prevenção e tratamento de transtornos mentais.

Em meio a isolamentos e distanciamentos sociais provocados pela ainda recente pandemia de COVID-19, a saúde mental tem sido cada vez mais levada em pauta. 

Segundo a OMS, os transtornos de natureza psíquica devem ser encarados com os mesmos esforços direcionados a outros tipos de doença, sendo de extrema relevância a atenção a sintomas de alerta que podem indicar alterações no estado psicológico e comprometer a saúde completa de um indivíduo. 

Vale lembrar que muitos transtornos na saúde física partem da somatização de desordens emocionais ou psiquiátricas. As chamadas doenças psicossomáticas podem ser crônicas e ter raízes na depressão e na ansiedade. 

Como o CBD pode auxiliar nos tratamentos para Ansiedade e Depressão

​​Depressão e transtornos de ansiedade são condições comuns de saúde mental que podem ter efeitos duradouros na saúde, na vida social, na capacidade de trabalhar e no bem-estar geral de uma pessoa.

O médico pode prescrever medicamentos para ajudar uma pessoa a tratar ou controlar a depressão, entretanto muitos desses têm efeitos colaterais severos, como alterações de humor, insônia e disfunção sexual.

O CBD tem se mostrado promissor em estudos iniciais como tratamento para depressão e ansiedade, e pode causar menos efeitos colaterais em algumas pessoas.

Um estudo de 2018 com ratos publicado na Neuroscience News mostrou que apenas uma única dose de CBD ajudou a reduzir os sintomas de depressão por até uma semana. 

Os pesquisadores acreditam que o CBD ajuda a reparar os circuitos neurais no córtex pré-frontal e no hipocampo, que são danificados como resultado da depressão.

Em humanos, a ansiedade e a depressão são condições relacionadas a sono insatisfatório, dor e má regulação do humor, porque o sistema endocanabinoide não está funcionando com o melhor de sua capacidade.

Estudos indicam que o CBD pode influenciar positivamente nesses processos.

Um exemplo disso é que mais de 90% dos pacientes deprimidos queixam-se de dificuldades para adormecer, perturbações do sono ou despertar de manhã cedo. 

O CBD pode melhorar seu humor ou sua capacidade de controlar a condição em geral. 

O CBD também pode ser usado para tratar parassonias, distúrbios do sono como ranger de mandíbula, sonambulismo ou pesadelos, e também reduz o tempo que leva para adormecer.

Mais estudos precisam ser realizados, porém o potencial do uso do CDB é promissor.

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Pesquisa indica ajuda de canabidiol contra esquizofrenia

canabidiol contra esquizofrenia

Neste artigo evidenciamos com estudos e pesquisas o uso do canabidiol contra esquizofrenia. Confira.

A esquizofrenia é uma doença crônica que pode progredir em diversas fases, embora a duração e os padrões dessas fases possam variar.

Pacientes com esquizofrenia tendem a apresentar sintomas psicóticos em média de 12 a 24 meses antes de procurarem atendimento médico, mas o transtorno agora é reconhecido mais cedo durante seu curso.

Os sintomas da esquizofrenia normalmente comprometem a capacidade de executar funções cognitivas e motoras complexas: assim, os sintomas muitas vezes interferem acentuadamente nos relacionamentos profissionais, sociais e na capacidade de cuidar de si mesmo. Desemprego, isolamento, deterioração dos relacionamentos e diminuição da qualidade de vida são desfechos comuns.

 

No Brasil, estima-se que existam cerca de 2 milhões de portadores da doença. 

Subtipos e diagnóstico da esquizofrenia

Alguns especialistas classificam a esquizofrenia em subtipos com déficits e sem déficits, com base na presença e na gravidade dos sintomas negativos, tais como: afeto embotado, perda da motivação e redução do sentido de propósito.

Os pacientes do subtipo com déficit têm sintomas negativos proeminentes, os quais não são explicados por outros fatores (p. ex., depressão, ansiedade, ambiente sem estimulação, efeitos adversos de fármacos).

Aqueles com subtipos sem déficit podem ter delírios, alucinações e distúrbios do pensamento, mas são indivíduos relativamente sem sintomas negativos.

Os subtipos anteriormente reconhecidos da esquizofrenia (paranoide, desorganizado, catatônico, residual, indiferenciado) não provaram ser válidos ou confiáveis e não são mais usados.

Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, melhor o resultado.

Não existe nenhum teste definitivo para detecção de esquizofrenia. O diagnóstico se baseia na avaliação abrangente de história clínica, sinais e sintomas. Informações oriundas de fontes auxiliares, tais como família, amigos, professores e colegas de trabalho, são muitas vezes importantes.

De acordo com o DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da American Psychiatric Association, o diagnóstico da esquizofrenia requer ambos do seguinte:

  • ≥ 2 sintomas característicos (delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado, sintomas negativos) por um porção significativa de um período de 6 meses (os sintomas devem incluir pelo menos um dos 3 primeiros)
  • Sinais prodrômicos ou atenuados da enfermidade com prejuízos sociais, ocupacionais ou de cuidados pessoais devem ficar evidentes por período de 6 meses, incluindo 1 mês de sintomas ativos

CDB pode ajudar no controle da Esquizofrenia

canabidiol contra esquizofrenia

Um estudo de 2021 realizado por pesquisadores da USP e da Unicamp, concluiu que o CDB, um dos compostos mais abundantes na Cannabis, pode ajudar no tratamento da esquizofrenia. 

A descoberta, publicada também pela Revista Pesquisa da Fapesp, mostrou que apesar de mecanismo de ação distinto dos fármacos normalmente utilizados para o tratamento da doença, os efeitos são similares.

Em culturas de oligodendrócitos humanos, o canabidiol ativou mecanismos bioquímicos de proteção celular similares aos dos fármacos clozapina e haloperidol, medicamentos usados amplamente como antipsicóticos.

Ainda segundo a publicação, os compostos cancelaram os efeitos da administração da cuprizona, substância que danifica a bainha de mielina, o revestimento das extensões dos neurônios e, desse modo, prejudica a transmissão dos impulsos nervosos, uma das prováveis causas da esquizofrenia.

No experimento, os três compostos usados para evitar a chamada desmielinização ativaram a produção de 1.890 proteínas.

Desse total, 93 eram produzidas unicamente após a administração do canabidiol, 97 do haloperidol e 278 da clozapina.

Em relação ao canabidiol, 92 proteínas eram comuns com o haloperidol e 75 com a clozapina.

Coordenador do estudo, o biólogo Daniel Martins-de-Souza, também da Unicamp, revelou que os resultados foram animadores por duas razões.

A primeira é que indicam novas perspectivas de tratamento para um distúrbio mental que atinge cerca de 20 milhões de pessoas no mundo, das quais por volta de 2 milhões no Brasil.

Segundo o cientista, se os estudos avançarem, talvez o canabidiol possa evitar os efeitos indesejáveis das drogas que agem no sistema nervoso central – a clozapina pode causar ganho de peso, o haloperidol tremores e, ambos, sonolência.

A segunda razão dá pistas sobre os próprios mecanismos que causam a esquizofrenia, doença ainda de difícil diagnóstico.

A razão é que o número de proteínas em comum entre os fármacos fortalece uma nova interpretação sobre a esquizofrenia ao valorizar os oligodendrócitos, que produzem as bainhas de mielina, sem as quais aparecem os sintomas característicos desse transtorno psiquiátrico, como os delírios e as alucinações.

Os oligodendrócitos são um dos três tipos das chamadas células da glia, que, com os neurônios, formam o cérebro e as outras partes do sistema nervoso central. Os outros dois são os astrócitos e as células da microglia, que também participam da comunicação celular.

“A esquizofrenia é uma doença resultante de disfunções dos três tipos de células da glia, não apenas dos neurônios”, afirma Martins-de-Souza. “Elas não são apenas células de suporte e preenchimento, como se pensou durante décadas.”

A ação do canabidiol está associada, há décadas, a dois receptores, o CB2 e o CB1, mas pode ir muito além. Em testes com camundongos, detalhados em junho de 2020 na Pharmacological Research, o grupo da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto mostrou que esse composto, ao ativar o receptor de serotonina 5-HT1A, pode ter um efeito antipsicótico e atenuar alterações de comportamento como o fármaco clozapina.

A possibilidade de ativar vários receptores explica a diversidade de efeitos do canabidiol em modelos animais – contra ansiedade, inflamação, diabetes, bactérias e tumores, entre outros. 

Em 2009, em um artigo publicado na Trends in Pharmacological Sciences, uma equipe da Universidade de Nápoles Federico II, na Itália, descreveu 22 mecanismos de ação desse composto.

São, portanto, mais estudos e evidências concretas de que os compostos da Cannabis podem ser aliados importantíssimos no tratamento de doenças mentais e alívio dos sintomas nos portadores, principalmente, de distúrbios mentais.

As pesquisas são animadoras e o trabalho incansável e fundamental dos cientistas envolvidos deverá abrir ainda mais caminhos nesse campo.

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Setembro Amarelo: como a Cannabis medicinal pode ajudar na prevenção ao suicídio

suicídio

O suicídio é uma das principais causas de óbito. Segundo a OMS, em 2019, 700 mil pessoas morreram por esse motivo, 1 em cada 100, número superior ao de óbitos por ​​HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios.

A OMS se esforça para reduzir esses números em pelo menos um terço até 2030. No cenário atual, apenas 38 países têm uma estratégia nacional de prevenção para esta área.

A Organização reitera que é necessária uma aceleração significativa para cumprir a meta presente nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Pela importância do tema desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo®.

O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano.

Segundo a campanha, são mais de 13 mil suicídios no Brasil todos os anos. Abaixo veremos as principais patologias que levam a essa medida extrema.

Principais patologias que levam as pessoas ao suicídio

De acordo com o Manual MSD comportamentos suicidas geralmente resultam da interação de diversos fatores.

Porém, o principal deles é a Depressão. O Manual Para Profissionais de Saúde é categórico: “A quantidade de tempo gasto em um episódio de depressão é o preditor mais forte de suicídio. Além disso, suicídios parecem ser mais comuns quando ansiedade grave é parte de depressão maior ou depressão bipolar. O risco de pensamentos e tentativas suicidas pode aumentar em faixas etárias mais jovens depois que se inicia terapia com antidepressivos”.

Depressão

Na definição do DSM-V, manual elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais, a depressão provoca disfunções cognitivas, psicomotoras e de outros tipos (p. ex., dificuldade de concentração, fadiga, perda do desejo sexual, perda de interesse ou prazer em praticamente todas as atividades que anteriormente eram apreciadas, distúrbios do sono), bem como humor depressivo.

Pessoas com transtorno depressivo frequentemente têm pensamentos suicidas e podem tentar o suicídio. Outros sintomas ou transtornos mentais (p. ex., ansiedade e ataques de pânico) comumente coexistem, algumas vezes complicando diagnóstico e tratamento.

A depressão pode reduzir as respostas imunitárias protetoras. A depressão eleva o risco de doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico, talvez porque na depressão citocinas e fatores que aumentam a coagulação sanguínea estão elevados e a variabilidade da frequência cardíaca está reduzida — todos fatores de risco de doenças cardiovasculares.

Ansiedade

De acordo com o médico John W. Barnhill, psiquiatra e professor no Weill Cornell Medical College e que atua no New York Presbyterian Hospital, a ansiedade é um estado emocional perturbador e desconfortável de nervosismo e preocupação; suas causas são menos claras.

Ela está menos ligada com o momento exato da ameaça; ela pode ser antecipatória, antes da ameaça, persistir depois que a ameaça cessou, ou ocorrer sem ameaça identificável. A ansiedade é muitas vezes acompanhada por alterações físicas e comportamentos similares àqueles causados pelo medo.

Algum grau de ansiedade é adaptativo; pode ajudar as pessoas a preparar, praticar e executar algo, de maneira que seu funcionamento seja melhorado, e ajudá-las a ser apropriadamente cautelosas em situações potencialmente perigosas. Entretanto, além de certo limite, a ansiedade causa disfunção e perturbação inadequada. Nesse ponto, ela é desadaptativa, sendo considerada um transtorno.

A ansiedade ocorre em uma grande variedade de transtornos mentais e físicos, mas é o sintoma predominante em alguns deles. Transtornos de ansiedade são mais comuns que qualquer outra classe de transtornos psiquiátricos. Todavia, muitas vezes, não são reconhecidos e, por conseguinte, não são tratados. Deixada sem tratamento, a ansiedade crônica e desadaptativa pode contribuir para alguns distúrbios médicos gerais ou interferir no tratamento deles.

Estresse

Já na definição do Guia de Doenças e Sintomas do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta que o termo é amplamente usado, mas sua definição exata é pouco conhecida.

“As pessoas usam essa palavra para dizer que o dia foi corrido, com um monte de coisas para fazer, mas isso não necessariamente gera sinais de estresse, um mecanismo fisiológico sem o qual nem o ser humano nem os animais teriam sobrevivido até os dias de hoje”, diz Selma Bordin, psicóloga do Einstein.

Quando nossos ancestrais se deparavam com situações de perigo, como o encontro inesperado com um animal, precisavam defender-se – seja atacando ou fugindo. As duas reações possíveis demandam uma série de ajustes do corpo. “O batimento cardíaco acelera porque tem que bombear mais sangue, os músculos precisam receber mais energia, há um aumento da respiração e da pressão arterial, entre outras coisas”, explica a dra. Selma.

Atualmente, vivendo em cidades e enfrentando problemas bem diversos dos da selva – como pressões para atingir metas –, o corpo continua preparando-nos para lutar ou fugir quando nos sentimos ameaçados. Mas, em geral, não partimos para a briga física, nem saímos em disparada. E toda a adrenalina, por exemplo, liberada em nosso sangue, fica sem função.

O estresse pode desencadear crises de depressão e ansiedade e, portanto, também é um fator de risco para o suicídio.

Como a Cannabis Medicinal pode auxiliar na prevenção ao Suicídio

Em um estudo de 2010, intitulado Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria” e publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, resultados indicaram que o canabidiol demonstrou “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Segundo a publicação, o sistema canabinoide demonstra um potencial promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria.

O método da pesquisa partiu de uma busca e revisão profunda da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides. Principalmente o CBD e o THC.

Já o pesquisador da USP Eduardo Junji Fusse, em estudo publicado em 2019, afirma que o “sistema endocanabinóide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

Em outro estudo, um teste clínico da Universidade de São Paulo (USP) mostrou resultados relevantes do uso do canabidiol para tratar a síndrome de “burnout”, condição causada pelo esgotamento físico e mental. O objeto do estudo foi um grupo de médicos e profissionais de saúde na linha de frente da resposta à Covid-19.

Como resultado, a substância reduziu sintomas de fadiga emocional em 25% dos voluntários, depressão em 50% e ansiedade em 60% entre profissionais do Hospital Universitário da USP de Ribeirão Preto.

Descoberto pelo professor Dr. radicado em Israel Raphael Mechoulam em 1964, o sistema endocanabinoide levou ao aumento das pesquisas e uso do canabidiol (CDB) como uma substância de elevado valor terapêutico.

Segundo os estudos da equipe do professor, em linhas gerais, o canabidiol (CDB) age no tratamento de um amplo espectro de doenças graças à sua capacidade de  interação com dois receptores do nosso sistema nervoso chamados CB1 e CB2, responsáveis pelo funcionamento do sistema endocanabinoide, presente em todos os seres humanos e na maioria dos animais.

O professor Dr. descobriu que o papel fundamental desse sistema acontece na regulação da homeostase. Os endocanabinoides e os canabinoides exógenos, como o CBD, atuam com função reguladora, ora suprimindo, ora estimulando reações.

No caso da ansiedade, ele age intervindo na bioquímica envolvida nos padrões de comportamento desse transtorno, aliviando os seus sintomas ou neutralizando-os completamente.

Conclusão

Uma série de estudos mostram o grande potencial que o CBD possui para inibir ou tratar as principais causas que levam a transtornos depressivos, de ansiedade e estresse, podendo, dessa forma, evitar muitos casos de suicídio e salvar milhões de vidas.

Entretanto, a legislação e o estigma social ainda afetam negativamente o número de pesquisas medicinais usando os compostos da Cannabis. Aos poucos, essas barreiras vêm diminuindo, mas há muito trabalho pela frente.

Os resultados até agora, porém, são animadores.

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Todos os nossos produtos à base de Cannabis são aprovados pela Anvisa. Nos enquadramos na RDC nº 335/2020.

Referências:

Tratamento da epilepsia com Cannabis medicinal: como funciona, vantagens e benefícios.

Epilepsia Cannabis

O tratamento de epilepsia com Cannabis vem assumindo protagonismo no enfrentamento de casos da doença – o que não acontece por acaso.

De acordo com o Critical Review Report, da Organização Mundial de Saúde (OMS), essa poderosa substância tem efeitos benéficos para quem sofre do distúrbio que afeta o sistema nervoso e as sinapses no cérebro.

O reconhecimento se deve aos numerosos estudos que apontam para a eficácia dos canabinoides, que atuam como anticonvulsivantes e neuroprotetores.

Mas há muito mais a ser desvendado e, por isso, você está convidado a prosseguir na leitura deste artigo e conhecer mais sobre os tratamentos à base de canabidiol.

Tratamento da epilepsia com Cannabis: afinal, o que é epilepsia?

A epilepsia (CID-10 G40) é uma doença que afeta o sistema nervoso central (SNC) e o cérebro.

Entre os seus sintomas mais pronunciados, estão as crises convulsivas, que podem ser clônicas ou tônico-clônicas e que, em alguns casos, causam perda de consciência.

No Brasil, estima-se que de 1% a 2% da população sofra de epilepsia, doença que pode atingir pessoas de todas as idades. Trata-se de uma das enfermidades do SNC mais prevalentes.

O CFM – Conselho Federal de Medicina, desde o ano de 2014 regulamenta o uso compassivo do canabidiol para crianças e adolescentes com epilepsias refratárias aos tratamentos convencionais.

O uso compassivo do canabidiol (CBD), um dos 80 derivados canabinoides da Cannabis sativa, foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para crianças e adolescentes portadores de epilepsias refratárias aos tratamentos convencionais. A decisão faz parte da Resolução CFM no 2.113/2014, publicação no Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com um estudo de alcance mundial sobre epilepsia, em 2015, cerca de 39 milhões de indivíduos em todo o mundo sofriam de alguma das suas modalidades.

E, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epilepsia é a doença neurológica de maior prevalência no mundo.

Em 2019, a OMS ainda estimou que cerca de 50 milhões de pessoas sejam afetadas por esse distúrbio, que atinge crianças, adultos e idosos.

Ou seja, os casos de epilepsia acabam crescendo em taxas altas. Por isso, a importância de falarmos mais sobre a patologia.

Quais são as causas da epilepsia?

Entre as possíveis causas externas para desenvolvimento da epilepsia, destacam-se:

  • Abuso de álcool e drogas
  • Neurocisticercose
  • Infecções (como a meningite)
  • Problemas no parto.

De qualquer modo, nem sempre as causas primárias da doença podem ser prontamente identificadas.

Isso porque a epilepsia também pode ser genética ou estar ligada a fatores emocionais e até ao estresse.

Em outros casos, a medicina simplesmente não consegue identificar sua origem.

Dessa forma, o tratamento deve se limitar aos sintomas mais recorrentes, em virtude da impossibilidade de se atacar a causa primária.

Quais são os fatores de risco para crises epiléticas?

Como toda doença neurológica, a epilepsia apresenta certos fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa vir a desenvolvê-la.

Quem sofreu pancadas fortes na cabeça ou traumatismo craniano, nesse aspecto, tem mais chances de se tornar um epiléptico.

Ainda estão no grupo de risco para a doença indivíduos com histórico familiar e pessoas que tenham nascido com malformações congênitas no cérebro.

Portadores de arritmias cardíacas também devem ficar atentos, já que a possibilidade de eles desenvolverem o distúrbio é maior do que a média.

Quais são os principais sintomas de epilepsia?

Epilepsia Cannabis

Os sintomas da epilepsia são decorrentes de uma atividade elétrica anormal do cérebro, que passa a funcionar em uma frequência muito mais alta do que o normal.

Com isso, uma série de reações físicas e psíquicas são desencadeadas, algumas delas potencialmente perigosas, porque podem levar o paciente a sofrer lesões.

Uma crise epiléptica é um evento bastante delicado e que demanda cuidados específicos.

Entre eles, é importante controlar a sua duração, já que geralmente um ataque não se estende por mais de cinco minutos.

Se isso acontecer, o socorro médico deve ser acionado.

Para impedir traumas na cabeça (que pode sofrer pancadas em uma convulsão), recomenda-se manter a pessoa deitada com uma toalha ou algo que possa amortecer os impactos logo embaixo.

Veja, a seguir, quais são os sintomas mais recorrentes da epilepsia e como eles se manifestam.

Espasmos e contrações musculares

Também conhecidos como mioclonias, os espasmos e as contrações musculares em epilépticos podem afetar um músculo apenas ou um grupo muscular inteiro.

Existe toda uma gradação desse tipo de crise, que pode se manifestar tanto em microtremores insignificantes quanto por longas e perigosas contrações.

Vale prestar atenção também à frequência.

Se os espasmos são recorrentes e de amplitude moderada à alta, é recomendado procurar ajuda médica para o diagnóstico e posterior tratamento.

Movimentos involuntários

Junto aos espasmos, podem acontecer também movimentos involuntários de membros, músculos da face, pálpebras ou da cabeça.

A recomendação válida para os espasmos se aplica igualmente para esse sintoma.

Se eles se apresentam periodicamente e de maneira mais aguda, é sinal de que a pessoa pode sofrer de algum tipo de epilepsia.

Lapsos de atenção

Nem sempre a epilepsia se manifesta por crises tônicas, ou seja, com espasmos musculares ou convulsões violentas.

Na verdade, em alguns casos, ela se apresenta de forma oposta, isto é, a pessoa parece se “desligar” do mundo ou ter dificuldades para prestar atenção ou se concentrar em uma tarefa.

É preciso ter muito cuidado com esse sintoma, presente em modalidades como epilepsia do lobo frontal, que pode levar a perdas nas funções cognitivas.

Entorpecimento

Uma vez que as sinapses no cérebro são afetadas, pode ser que uma crise epiléptica seja acompanhada de entorpecimento.

O paciente age como se estivesse dopado e, em alguns casos, pode apresentar perda de memória recente.

Perda de consciência

Por sua vez, os desmaios ocorridos durante um ataque epiléptico podem sinalizar para uma forma de epilepsia mais grave.

Se eles acontecem com frequência, o paciente deve ser levado o mais rápido possível para uma unidade de saúde a fim de realizar exames para um eventual diagnóstico.

Quais são os tipos de crises epiléticas?

Agora, vamos conhecer detalhes sobre os diferentes tipos de crises epiléticas e suas consequências.

Crise generalizada

As crises generalizadas se caracterizam por afetar todo o cérebro.

Segundo as autoras do livro Crises Epiléticas (Leitura Médica Ltda., 2014), Silvia Kochen e Elza Márcia Targas Yacubian, esse tipo de crise pode “incluir estruturas corticais e subcorticais, mas não necessariamente todo o córtex […] e podem ser assimétricas”.

Como comprometem áreas maiores do cérebro, a modalidade generalizada acaba por apresentar um conjunto de variações mais amplo, com destaque para as crises:

  • Clônicas
  • Mioclônicas
  • De ausência
  • Atônicas
  • Tônicas
  • Tônico-clônicas.

Crise focal ou parcial

Nos casos em que uma parte de um hemisfério cerebral é atingida, fica configurada a epilepsia parcial que, normalmente, se manifesta em crianças.

Essa modalidade da doença pode ser classificada conforme a região do cérebro comprometida:

  • Lobo frontal: causada por malformações do cérebro, displasias ou lesões perinatais
  • Lobo temporal: suas causas mais frequentes são tumores embrionários, displasias ou esclerose hipocampal, caracterizando-se por crises de ausência
  • Lobo parietal: de ocorrência rara na infância, apresenta manifestações que podem ser confundidas com outros tipos de epilepsia parcial
  • Crises centrais: também chamada de epilepsia rolândica, é a forma mais comum da doença na infância, correspondendo a ¼ de todas elas. Seus acessos afetam, basicamente, os músculos da face e da garganta
  • Lobo occipital: caracteriza-se por problemas visuais como alucinações, desvios oculares e até cegueira.

Outra maneira de se classificar as crises parciais é como complexa, em que o paciente sofre desmaios, ou simples, quando ele não tem perda de consciência.

Como é feito o diagnóstico da epilepsia?

Em crianças e adolescentes, o diagnóstico de epilepsia pode ser feito caso tenha ocorrido mais de uma convulsão em um curto período de tempo.

Nesse cenário, os pais devem comparecer ao médico e relatar como foram as crises, contando o que aconteceu antes, durante e depois.

Se possível, vale gravar a ocorrência em vídeo para que o especialista possa identificar com ainda mais precisão o tipo de epilepsia em questão.

Também podem ser prescritos os seguintes exames:

  • Imagem de ressonância magnética
  • Tomografia axial computorizada
  • Electroencefalograma
  • Análise de sangue.

Quais são os tratamentos tradicionais para crises epiléticas?

Normalmente, os tratamentos contra a epilepsia se baseiam na prescrição de medicamentos como anticonvulsivantes.

Também podem ser indicadas terapias como a dieta cetogênica, estimulação do nervo vago (VNS) ou estimulação cerebral profunda (DBS).

Só em casos mais extremos é recomendada a cirurgia, como acontece quando é diagnosticada a epilepsia focal, que atinge apenas uma parte do cérebro.

Tratamento da epilepsia com Cannabis: como funciona?

Epilepsia Cannabis

Um dos principais desafios para médicos e pacientes é quando se manifesta a chamada epilepsia refratária.

Nesse caso, ele não responde às soluções convencionais, o que exige uma abordagem alternativa.

É quando pode ser prescrito o tratamento à base de canabinoides, cujas propriedades ajudam no controle das crises.

Para fins de recursos terapêuticos, o médico deverá indicar a dosagem adequada, que pode ser aumentada com o passar do tempo.

O que os especialistas dizem sobre o uso de Cannabis no tratamento de epilepsia?

Você viu logo no início deste conteúdo que a própria OMS já reconheceu a eficácia da Cannabis no tratamento da epilepsia.

Embora sejam necessários cada vez mais estudos, os relatos de pessoas que conseguiram controlar a doença (e até de animais) e as pesquisas acadêmicas apontam para um futuro promissor.

Uma delas é o artigo Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome, publicado em 2018.

No estudo, foram testados 226 pacientes portadores da síndrome de Lennox-Gastaut (SLG), uma condição epiléptica pediátrica grave.

Os pesquisadores verificaram que a adição de canabidiol ao tratamento farmacológico convencional diminuiu consideravelmente a frequência das convulsões.

Quais propriedades terapêuticas da Cannabis auxiliam no tratamento da epilepsia?

Entre as várias propriedades terapêuticas da Cannabis medicinal, duas são especialmente importantes para quem sofre de epilepsia: a anticonvulsivante e a neuroprotetora.

A primeira foi estudada na pesquisa Cannabinoids in the Treatment of Epilepsy: Hard Evidence at Last?, em que o autor Emilio Perucca conclui:

“Após quase quatro milênios de uso médico documentado no tratamento de distúrbios convulsivos, estamos muito perto de obter evidências conclusivas da eficácia dos canabinoides em algumas síndromes epilépticas graves.”

Já no Review of the neurological benefits of phytocannabinoids, os autores Joseph Maroon e Jeff Bost concluem que:

“A pesquisa atual indica que os fitocanabinoides têm um poderoso potencial terapêutico em uma variedade de doenças, principalmente por meio da sua interação com o sistema endocanabinoide. O CBD é de particular interesse devido à sua ampla capacidade e à falta de efeitos colaterais em uma variedade de doenças e condições neurológicas.”

Tratamento de epilepsia com Cannabis: quais são as vantagens?

O tratamento de epilepsia com CBD, embora ainda não seja 100% chancelado pela ciência, já é considerado seguro e eficaz.

Isso porque o óleo de canabidiol, um dos medicamentos mais prescritos, apresenta vantagens bastante relevantes, se comparado com os fármacos convencionais.

Conheça alguns deles nos tópicos abaixo.

Melhora o humor

Embora seja um benefício que é mais recorrente em tratamentos contra distúrbios de comportamento, a melhora do humor também acontece em portadores de epilepsia.

Afinal, em doenças que afetam o sistema nervoso central e a cognição, como o Alzheimer, o canabidiol pode promover grandes transformações.

Também é eficaz nos casos de pacientes agressivos por conta do transtorno do espectro autista (TEA).

Desse modo, o CBD vem a ser um poderoso aliado para aprimorar a qualidade de vida, inclusive nos portadores de epilepsia, porque ajuda a recuperar a homeostase e, assim, leva a uma melhora no bem-estar geral.

Efeito entourage

efeito entourage, que sempre abordamos em nossos conteúdos, é uma vantagem adicional do canabidiol no tratamento contra a epilepsia.

Por meio dele, os benefícios à saúde proporcionados pelos canabinoides são potencializados em função do princípio da sinergia botânica.

Isso acontece porque, em geral, o CBD é administrado em forma de óleo de espectro amplo ou completo, no qual ele se mistura aos outros canabinoides extraídos da Cannabis.

Fora isso, a Cannabis contém flavonoides e terpenos, que também potencializam os efeitos terapêuticos.

Sendo assim, elas fazem com que o canabidiol promova muito mais benefícios à saúde do que quando administrado de maneira isolada.

Poucos efeitos adversos

Talvez uma das principais descobertas sobre o CBD feitas pela ciência é a de que ele provoca menos efeitos colaterais do que os medicamentos convencionais.

Para certos pesquisadores, isso se deve ao fato de ele interagir com o sistema endocanabinoide, o que faz com que o organismo tolere melhor o canabidiol.

Uma evidência dessa tolerância está na utilização do extrato de CBD em cuidados paliativos de pacientes com câncer.

Eles são submetidos a sessões de quimioterapia e uma medicação pesada que os levam a sentir náuseas e a vomitar.

Desse modo, o canabidiol é uma alternativa para eliminar ou atenuar essas reações, colaborando para melhorar a qualidade de vida e promovendo alívio dos efeitos adversos.

Produto 100% natural

Os avanços da indústria farmacêutica devem ser celebrados, afinal, muitos deles vêm salvando vidas em todo o mundo.

Ainda assim, os benefícios dos medicamentos fabricados, em alguns casos, são superestimados, o que pode ser uma das causas da automedicação.

É cada vez mais consenso que a prioridade em tratamentos para epilepsia (e outras doenças) deveria ser as soluções naturais, entre as quais está a Cannabis.

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Como você viu, uma vantagem particularmente interessante no tratamento da epilepsia com Cannabis diz respeito aos raros efeitos colaterais.

Credita-se isso à sua interação com o organismo via sistema endocanabinoide, razão pela qual ele é, em geral, bem tolerado em praticamente todos os tipos de tratamento.

Embora a ciência ainda não tenha todas as respostas, até agora, os estudos já publicados trazem evidências sobre o uso seguro dos medicamentos com canabinoides.

Um deles é a revisão An Update on Safety and Side Effects of Cannabidiol: A Review of Clinical Data and Relevant Animal Studies, de autoria de Franjo Grotenhermen e Kerstin Iffland, do Instituto Nova, na Alemanha.

Na conclusão, eles enfatizam que o perfil de segurança do CBD já está estabelecido de muitas formas, o que o torna seguro como recurso terapêutico.

Onde encontrar produtos à base de Cannabis para tratar a epilepsia?

Considerando a oferta ainda restrita de Cannabis medicinal no Brasil, é comum recorrer à importação de medicamentos em tratamentos contra a epilepsia.

Veja a seguir como acontece o processo, todo ele controlado pela Anvisa.

Consulta médica

A compra de medicamentos que contêm CBD começa na consulta médica, na qual o especialista prescreve o remédio conforme as necessidades do paciente.

Pedido junto à Anvisa

De posse da receita, identidade e comprovante de residência, o comprador/paciente deve acessar o site da Anvisa para envio da documentação e preenchimento do devido formulário.

Resposta da Anvisa

Feito o pedido, é preciso aguardar pela resposta do órgão de controle, que pode chegar dentro de dez dias, aproximadamente.

Se o retorno for positivo, é emitida a autorização de importação.

Compra e entrega

Sempre respeitando os limites da Anvisa, que proíbe a compra de medicamentos de CBD que não sejam administrados via oral ou nasal, pode ser feita a aquisição do produto do exterior.

Para maior comodidade, utilize o serviço de concierge da Tegra Pharma, que realiza todo esse trabalho para o paciente, cumprindo todas as etapas legais exigidas.

Conclusão

Em virtude das muitas vantagens da opção pelo CBD, o tratamento de epilepsia com Cannabis pode ser até priorizado, sobrepondo-se às alternativas conservadoras.

Isso porque as pesquisas indicam que ele apresenta poucos efeitos adversos e pode ser eficaz até para tratar das versões mais resistentes da doença.

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Interação medicamentosa: o cuidado que todo médico deve ter ao prescrever Cannabis Medicinal com outros medicamentos

interação medicamentosa

Estudo indica medicamentos que podem interagir com a Cannabis e reforça o cuidado com a interação medicamentosa.

Os pesquisadores alertam para os efeitos mais graves, com destaque para 57 medicamentos que exigem dosagem mais rigorosa e podem ter efeito ampliado pela Cannabis. Confira aqui a lista.

Com epilepsia, o paciente usa valproato, que pode gerar problemas no fígado. Ou tem um problema cardíaco que o faz usar varfarina – o que pode levar a sangramentos ou até mesmo uma trombose.

Estes são somente dois dos medicamentos que podem trazer efeitos inesperados, se utilizados em conjunto com a Cannabis medicinal. 

Ambos fazem parte de uma lista de 57 substâncias (ver abaixo), publicada por pesquisadores da Faculdade de Medicina Penn State. 

O que diz a pesquisa sobre interação medicamentosa

Os autores do estudo foram: o professor e diretor de farmacologia Kent Vrana e o farmacêutico Paul Kocis, ambos da Faculdade de Medicina Penn State.

Eles explicam o foco dado em medicamentos com margem terapêutica estreita. Ou seja, aqueles prescritos em doses muito específicas, suficiente para serem efetivos; caso contrário, qualquer excesso pode causar danos.

É a chamada “margem terapêutica estreita”, muito importante ser observado quando da interação medicamentosa.

Lista de medicamentos para interação medicamentosa

Publicada no jornal científico Medical Cannabis and Cannabinoids, a lista visa auxiliar médicos a considerar os medicamentos prescritos e suas interações.

Para desenvolver o estudo, os pesquisadores avaliaram quatro medicamentos canabinoides. Suas bulas incluíam uma lista de enzimas que processam os ingredientes ativos dos medicamentos, como THC e CBD.

Eles compararam estas informações com as bulas de remédios comuns disponíveis em agências regulatórias como a U.S. Food and Drug Administration para identificar onde poderia haver sobreposição.

Os canabinoides são usados em diversos tratamentos como estimulação de apetite, epilepsia, controle de dor, náuseas e vômitos em pacientes tratando câncer, ansiedade, entre outros.

Em geral, os canabinoides são bem tolerados e seguros, mas é necessário cuidado ao administrar certas drogas ao mesmo tempo da Cannabis, principalmente para idosos e pessoas com doenças de rins e fígado.

Margem terapêutica estreita

Drogas variadas fazem parte da lista: remédios para o coração, antibióticos, antifúngicos, anticoagulantes. No caso da varfarina, é um medicamento que previne a formação de coágulos e é prescrita para pacientes com fibrilação atrial ou depois de substituição de válvula cardíaca e tem grande potencial de interação com canabinoides.

Por fazer parte da lista dos medicamentos com margem terapêutica estreita, qualquer alteração em seus efeitos pode causar sangramentos ou trombose. Como o CBD e o THC inibem a atividade das enzimas CYP, podem acarretar a diminuição dos efeitos da droga. O cuidado, portanto, deve ser tomado tanto por médicos prescritores de Cannabis, quanto por prescritores da varfarina. 

Os pesquisadores avisam que a atenção não deve se restringir apenas ao uso medicinal da Cannabis. Também o uso adulto ou recreacional precisa ser levado em consideração.

Segundo Vrana, produtos não regulamentados frequentemente contém os mesmos ingredientes que os canabinoides medicinais, mas em diferentes concentrações. Por isso, o paciente deve ser honesto com a equipe médica que o atende, informando desde o uso adulto da maconha até medicamentos OTC (vendidos nas prateleiras sem necessidade de receita). 

Como funciona a interação medicamentosa

Quando tomamos uma substância, o corpo a metaboliza, ou seja, faz a quebra dessa substância. O metabolismo dos remédios acontece por todo o corpo, mas mais comumente no trato digestivo e no fígado.

A família de enzimas P450 (CYP450) faz o trabalho de processar substâncias estranhas de forma que elas sejam eliminadas, mas alguns medicamentos afetam estas enzimas, acelerando ou desacelerando o metabolismo. Este processo pode alterar a absorção de medicamentos, daí a interação medicamentosa.

A família CYP450 é a responsável por metabolizar diversos canabinoides, inclusive o CBD. Mas, durante este processo, o canabidiol também interage com ela, que é responsável por metabolizar pelo menos 50% dos remédios prescritos.

Como o CBD pode estimular ou inibir a ação dessas enzimas, o remédio pode permanecer por mais tempo ou menos no corpo, trazendo efeitos indesejados. Por isso a importância em regular as doses dos outros remédios ao prescrever Cannabis medicinal.

Outros medicamentos 

Além dos 57 medicamentos com margem terapêutica estreita,  Vrana e Kocis também listaram outros 139 medicamentos que podem ter interações medicamentosas com a Cannabis. Eles planejam atualizar com frequência, sempre incluindo medicamentos recentemente aprovados e conforme novas evidências científicas forem surgindo.

Alguns dos medicamentos com interações mais conhecidas:

Clobazam

O CBD aumenta a ação e também os efeitos colaterais deste benzodiazepínico usado para tratar convulsões associadas à síndrome de Lennox-Gastaut em crianças e adultos. Mesmo assim, o CBD é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana para tratar ataques epilépticos tanto de Lennox-Gastaut como para Dravet. 

Quando as duas drogas são usadas juntas, o CBD aumenta a concentração do clobazam, chegando a triplicar sua concentração no metabolismo, aumentando não só seus efeitos, como a indesejada sedação. Por isso, médicos devem ser orientados a diminuir as doses do clobazam quando usado em conjunto com o CBD.

Valproato

Outra droga prescrita para tratar epilepsia e também transtorno bipolar e prevenir dores de cabeça. Tomar CBD com valproato pode aumentar os níveis enzimáticos no fígado e causar dano no órgão.

Em estudos clínicos descritos na bula do isolado fármaco Epidiolex, 21% dos pacientes com epilepsia que tomaram ambos tiveram níveis elevados de transaminase (enzimas intracelulares, que, em altas quantidades indicam destruição celular), chegando a três vezes o limite saudável.

Este número chega a 30% de casos quando havia também a prescrição do clobazam. Por isso, o próprio fabricante do Epidiolex recomenda a descontinuação ou ajuste de dose caso exames acusem alta de transaminase. 

Lista de medicamentos do estudo

  • acenocumarol (VKA)
  • alfentanil
  • aminofilina
  • amiodarona
  • amitriptilina
  • anfotericina B
  • argatroban
  • busulfan
  • carbamazepina
  • clindamicina
  • clomipramina
  • clonidina
  • clorindiona (VKA)
  • ciclobenzaprina
  • ciclosporina
  • etexilato de dabigatrana
  • desipramina
  • dicumarol (VKA)
  • digitoxina
  • dihidroergotamina
  • difenadiona (VKA)
  • dofetilide
  • dosulepina
  • doxepina
  • ergotamina
  • esketamina
  • etinilestradiol (contraceptivos orais)
  • etossuximida
  • biscoumacetato de etila (VKA)
  • everolimus
  • fentanil
  • fluindiona (VKA)
  • fosfenitoína
  • imipramina
  • levotiroxina
  • lofepramina
  • melitraceno
  • meperidina
  • mefenitoína
  • ácido micofenólico
  • nortriptilina
  • paclitaxel
  • fenobarbital
  • fenprocumon (VKA)
  • fenitoína
  • pimozida
  • propofol
  • quinidina
  • sirolimus
  • tacrolimus
  • temsirolimus
  • teofilina
  • tiopental
  • tianeptina
  • trimipramina
  • ácido valpróico
  • varfarina (VKA)

Estudos citados da interação medicamentosa nesta matéria

https://www.mdlinx.com/article/rx-drugs-that-don-t-mix-with-cbd-thc-and-marijuana/lfc-4695)
https://www.karger.com/Article/Pdf/507998
https://www.sciencedaily.com/releases/2020/08/200803120158.htm

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