Alzheimer: o que é e como funciona o tratamento

Alzheimer

O tratamento do Alzheimer muito se favorece de um um diagnóstico precoce.

Afinal, por ser uma enfermidade neurodegenerativa incurável, quanto antes for detectada, maiores são as chances de retardar o processo e aumentar a qualidade de vida do paciente.

Trata-se de um mal que aflige não só a pessoa enferma como os familiares, que se veem obrigados a dedicar-se integralmente ao cuidado do ente incapacitado.

Mas existe uma esperança no tratamento e alívio dos sintomas do Alzheimer: a Cannabis medicinal.

Continue lendo e descubra como ela pode ajudar a tratar dessa doença.

O que é o Alzheimer?

Caracterizada como um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal, a doença de Alzheimer (CID 10 G30) causa perdas severas da capacidade cognitiva e da memória.

Com o tempo, ela passa a comprometer também funções motoras básicas, impedindo a pessoa doente de levar uma vida normal.

Embora suas causas exatas ainda não possam ser apontadas, sabe-se que o avanço do Alzheimer tem relação com a proliferação de uma proteína chamada beta-amilóide no cérebro.

A doença foi descoberta em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, que investigou, após a morte, o cérebro de uma paciente, Auguste Deter, a primeira pessoa a ser diagnosticada com a condição.

Quais são as causas do Alzheimer?

Não são conhecidas as causas primárias do Alzheimer, no entanto, a medicina acredita que ela tem um forte componente genético.

De qualquer forma, existem fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolvê-lo, especialmente em pessoas acima de 65 anos.

Consumo de álcool, sedentarismo, tabagismo e falta de estímulos ao raciocínio e à cognição são os aspectos mais conhecidos.

Os 5 sintomas mais comuns do Alzheimer

Sintomas Alzheimer

Como destacado logo no início deste conteúdo, o tratamento do Alzheimer será mais eficaz quanto antes a doença for identificada.

Embora não tenha cura, a qualidade de vida do portador dessa condição pode ser prolongada quando ela é detectada a tempo e se a medicação for corretamente prescrita.

Por isso, é fundamental aprender a reconhecer os sintomas mais comuns em pessoas que sofrem de Alzheimer, uma doença silenciosa e que pode ser confundida inicialmente com sinais comuns do envelhecimento.

1. Falta de memória recente

Conforme envelhecemos, é normal que haja alguma perda de memória, especialmente a de curto prazo.

No entanto, esse também é o sintoma inicial do Alzheimer, que caracteriza-se por situações em que a pessoa se esquece de coisas que acabou de fazer ou de fatos recentes.

Esse déficit de memória também pode vir acompanhado de mudanças no humor.

Por isso, caso você perceba que um familiar acima de 40 anos tem se mostrado esquecido ou irritado demais, procure um médico para que os exames de detecção da doença sejam prescritos.

2. Perguntas que se repetem

Com a perda acelerada da memória, é comum que o indivíduo com Alzheimer se veja confuso e passe a fazer perguntas aparentemente sem sentido ou mesmo repetidas.

Nos estágios mais avançados, ele passa a esquecer até mesmo de pessoas próximas e se vê perdido em locais antes conhecidos.

3. Dificuldade em raciocinar

O Alzheimer é uma doença que afeta as sinapses, ou seja, o fluxo de informação que circula entre os neurônios no cérebro.

Por isso, o portador dela também apresenta, cedo ou tarde, dificuldades em elaborar raciocínios mais complexos.

Nos estágios mais avançados, ele se vê incapaz de formular ideias ou mesmo de responder a questões triviais do dia a dia.

Em virtude desse prejuízo neurológico, a dependência de outras pessoas para realizar tarefas simples aumenta com o tempo.

4. Incapacidade em solucionar problemas

Por causa dos prejuízos neurológicos, o indivíduo com Alzheimer se torna incapaz também de solucionar problemas muito simples.

Esse é mais um motivo que aumenta a necessidade de vigilância sobre o doente, que não pode sair desacompanhado ou realizar tarefas sem supervisão.

5. Comportamento agressivo e anormal

Junto a todos os distúrbios comportamentais que já vimos, há ainda a manifestação de uma agressividade incomum, até mesmo em situações corriqueiras em que tal atitude não faz sentido.

Essa agressividade, por sua vez, tem ligação com outros problemas associados à doença e que geram irritabilidade.

Privação de sono, cansaço e efeitos adversos da medicação são algumas das possíveis causas.

Assim sendo, é preciso muito cuidado e paciência por parte dos familiares que se dedicam a assistir o portador dessa enfermidade.

As 4 fases do Alzheimer

Por ser uma doença neurodegenerativa e que só avança com o tempo, o Alzheimer se manifesta por etapas.

A medicina já identificou quatro fases distintas para o processo evolutivo desse tipo de demência.

A cada avanço, a pessoa doente sofre perdas irreversíveis. Por isso, vale reforçar, mais uma vez, a importância do diagnóstico precoce.

Considere que os sintomas descritos a seguir não são necessariamente ligados a um estágio específico, podendo se apresentar antes ou depois.

Conheça, então, a forma mais comum de como o Alzheimer evolui.

Estágio 1

Também conhecido como estágio de pré-demência, nesta fase inicial, os sintomas de Alzheimer aparecem de maneira ainda sutil.

Normalmente, o indício mais comum é a perda da memória de curto prazo, o que faz com que a pessoa não dê importância ao problema ou o relacione ao envelhecimento.

Contudo, é extremamente relevante detectar o Alzheimer logo nessa fase, que é quando é possível minimizar os danos ao cérebro.

Para isso, existem testes neuropsicológicos capazes de detectar a enfermidade com grande antecedência, auxiliando no seu controle.

Estágio 2

A partir do estágio 1, se nada for feito, o Alzheimer começa a se instalar.

É então que os sintomas se agravam e o paciente passa a ter dificuldade para se expressar, além de apresentar desorientação temporal e espacial, bem como complicações para tomar decisões.

Também é nessa etapa que o doente já começa a ter problemas para realizar tarefas simples, como trocar de roupa, por exemplo.

É comum, ainda, que ele passe a descuidar da própria higiene, além de apresentar confusão mental, como ao não saber se lembra algo ou ao relatar ter lembranças que não existem.

Estágio 3

No estágio 3, o Alzheimer já avançou a ponto de comprometer as funções musculoesqueléticas.

Por isso, o paciente apresenta fraqueza e falta de tônus muscular.

Nessa fase, o enfermo passa a ter incontinência, tanto fecal quanto urinária, o que o leva a depender totalmente de outras pessoas para realizá-las adequadamente.

Outro sintoma dessa etapa é a incomunicabilidade.

O paciente se torna apático, deixa de falar e fica cada vez mais isolado em um cômodo da casa.

Estágio 4

Quando chega ao quarto estágio, o terminal, em geral, o doente já não consegue mais se lembrar nem mesmo de acontecimentos do passado.

Ele passa a ser vítima de infecções cada vez mais frequentes e não consegue mais se alimentar por sentir dor ao engolir alimentos.

Além disso, o enfermo nesse estágio prefere permanecer deitado em posição fetal, ficando ainda impossibilitado de se locomover sem auxílio de cadeira de rodas.

Qual é o tempo de vida de uma pessoa com Alzheimer?

Se o diagnóstico for feito precocemente e a medicação correta for administrada, estima-se que uma pessoa com Alzheimer possa viver com qualidade por, pelo menos, 20 anos.

No entanto, nos casos em que a doença é detectada tardiamente, essa expectativa de vida pode ficar entre quatro e oito anos.

Vale sempre lembrar que essas são estimativas e que o tempo de vida médio varia de um paciente para o outro.

Qual é o tratamento para a doença de Alzheimer?

Remédios Alzheimer

A doença de Alzheimer requer não apenas tratamento farmacológico, como toda uma abordagem sócio-comportamental.

Isso porque o doente precisa de uma rede de cuidados e proteção, tendo em vista principalmente as fases mais avançadas da enfermidade.

Veja, na sequência, quais tipos de tratamentos são aplicados considerando os quatro estágios da doença.

Psicoterapia

Uma das formas de se reduzir o estresse provocado pela perda de conexão com a realidade do portador do Alzheimer é a abordagem com base na psicoterapia.

Uma das possibilidades nesse sentido, é a chamada terapia de estimulação, na qual as pessoas que convivem ou cuidam do enfermo passam a “entrar” na sua realidade.

Desse modo, os conflitos podem ser minimizados, ao mesmo tempo em que o portador da doença se sente mais seguro e confortável.

Fármacos convencionais

No entanto, a maior parte do tratamento para Alzheimer é baseado na administração de medicamentos tradicionais específicos para essa doença.

Entre esses fármacos, um dos mais prescritos é a Memantina, que atua diretamente no neurotransmissor glutamato.

Outro remédio comumente indicado é o Haldol, um antipsicótico usado para controlar a agressividade e a agitação.

Há, ainda, medicamentos usados como inibidores de colinesterase, cuja função é diminuir a taxa de destruição da acetilcolina, substância responsável por facilitar a comunicação entre as células nervosas.

Tratamento com óleo de CBD

Embora o tratamento com remédios convencionais possa ser bem-sucedido, em boa parte dos casos, eles trazem consigo uma série de efeitos colaterais.

Nesse sentido, os fármacos à base de canabidiol (CBD) vêm mostrando uma gama de benefícios, se comparados com os medicamentos comuns.

Estudos como Evidência in vivo para propriedades terapêuticas do canabidiol (CBD) para a doença de Alzheimer, publicado na revista NCBI, trazem importantes conclusões sobre a eficácia do CBD no tratamento de doença.

Em uma outra linha, a pesquisa Canabinoides para o tratamento da agitação e agressão na doença de Alzheimer, também publicada na revista da NCBI, foca nas propriedades dos canabinoides para minimizar os distúrbios comportamentais.

Sendo assim, já existem evidências científicas de que o CBD é uma alternativa a ser seriamente considerada para tratar do Alzheimer desde já.

Quais são os benefícios da Cannabis no tratamento do Alzheimer?

Benefícios Cannabis Alzheimer

O uso medicinal do canabidiol ainda é visto com ceticismo por uma parcela da comunidade médica brasileira.

Parte disso é por causa da associação que se faz com os efeitos psicoativos do THC, outro canabinoide encontrado nas plantas da espécie Cannabis.

No entanto, o seu “irmão” CBD não apresenta esse tipo de reação, muito pelo contrário.

Pesquisas e casos reais de recuperação incríveis só confirmam as propriedades terapêuticas dos fármacos produzidos com extrato de canabidiol.

Um deles é o do seu Ivo Suzin que, aos 51 anos, foi diagnosticado com Alzheimer.

Durante muito tempo, a família sofreu com a sua agressividade e o seu comportamento arredio.

Foi então que eles começaram uma jornada para conseguir cultivar Cannabis em casa, a fim de extrair o óleo que mudaria o rumo do tratamento.

Conheça essa emocionante história de sucesso do uso do canabidiol medicinal, que, inclusive, deve ser transformada em documentário.

O que a ciência sabe sobre a Cannabis no tratamento do Alzheimer?

Com o progressivo aumento da expectativa de vida no Brasil, cresceu também a ocorrência de doenças típicas da velhice. A Doença de Alzheimer, responsável por cerca de 80% dos casos de demência.

A ciência ainda tenta desvendar os caminhos que leva o cérebro ao Alzheimer. Pesquisas recentes, porém, demonstraram que, em pessoas doentes, uma proteína chamada beta-amilóide, responsável pela formação do citoesqueleto dos neurônios e presente em quantidades baixíssimas em cérebros saudáveis, adere à membrana das células do cérebro que contém colesterol, e formam espécies de placas neurais.

Essas placas então interagem com outras substâncias presentes no cérebro, desencadeando processos inflamatórios e de oxidação dos neurônios. E assim, sua morte. O tratamento convencional atua principalmente no alívio dos sintomas. Isso não impede a progressão da doença e oferece benefícios limitados na função cognitiva.

O Donepezil, vendido no Brasil como Eranz, é um dos mais comuns. Apesar de possuir função neuroprotetora, ele apresenta eficácia em apenas 20% dos pacientes. Porém, possui efeitos adversos, como náusea, diarreia, vômito, perda de peso, insônia e infecção no trato urinário.

Esse remédio geralmente vem acompanhado com um coquetel que incluem antipsicóticos, antidepressivos e anticonvulsivantes. Juntos, ampliam ainda mais as reações adversas. é neste vácuo de tratamento adequado que os componentes da Cannabis ganham espaço.

Canabidiol e THC

As propriedades do canabidiol tem amparado a ciência com resultados que demonstram o amplo espectro de ação da substância em diferentes sistemas, além de seu efeito protetor em doenças neurodegenerativas, tais como o Alzheimer e o Parkinson. Pesquisas indicaram sua eficácia como agente neuroprotetor, anti-inflamatório e antioxidante.

Em laboratório, a substância também apresentou capacidade de neurogênese, ou seja, de formar novos neurônios no hipocampo (onde acredita-se que são armazenadas as memórias) do cérebro de ratos.

Em uma pesquisa realizada com humanos, pesquisadores deram 1,5 gramas de THC, duas vezes ao dia, por quatro dias seguidos, para pacientes com Alzheimer. Um grupo de controle recebeu apenas placebo.

Quem recebeu tratamento com THC apresentou crescente melhora na mobilidade, além de não apresentar efeitos adversos. Uma revisão de estudos publicado em 2019 na Revista Brasileira de Neurologia também demonstrou que o uso de THC e CBD pode proporcionar aumento na diferenciação celular, na expressão de proteínas axonais e sinápticas, além de apresentar efeito neurorestaurador.

Em animais, houve relato de restituição de déficits social e do reconhecimento de objetos e modificação na composição das placas beta-amiloides. Já em humanos, observou melhora no bem-estar emocional, mobilidade, sintomas psicóticos e no sono, sem haver relato de mais efeitos adversos no uso dessas substâncias, comparado ao placebo.

outra revisão, feita por pesquisadores sul-coreanos, demonstra que a combinação entre CBD e THC é mais eficaz do que a administração do CBD ou do THC sozinhos.

Prevenção do Alzheimer: 5 hábitos para aderir

Prevenção do Alzheimer

Por mais que saibamos da relação do Alzheimer com a proliferação anormal de proteínas no cérebro, suas causas ainda não são exatamente conhecidas, como mencionado.

De qualquer forma, existem alguns fatores de risco associados à doença que, em geral, se manifesta após os 65 anos.

Veja, então, cinco  hábitos que podem ajudar a evitar o Alzheimer.

1. Faça exercícios

Há pesquisas que relacionam a prática regular de exercícios físicos a um risco menor de desenvolver Alzheimer na melhor idade.

Um deles, publicado no na revista Nature’s Medicine, comprovou a ligação entre atividade física e a melhora na capacidade de memorização.

2. Estimule a mente

Acredita-se que as chances de desenvolver Alzheimer seja maior entre as pessoas com poucos anos de estudo ou que não têm o hábito de estimular a mente.

leitura, segundo o pesquisador André Matta, da UFF, é um dos hábitos de estimulação mental que podem ajudar a evitar a doença.

De acordo com Matta, “uma vida mentalmente ativa adia a chegada da doença”, por isso, o hábito de ler é uma das melhores formas de prevenção.

3. Não consuma bebidas alcoólicas

Já é também conhecida a conexão entre o consumo de álcool como fator de risco para desenvolver Alzheimer.

Uma das provas dessa relação está no estudo Alcohol consumption and risk of dementia, publicado na revista The Lancet Public Health.

Portanto, quem não quiser aumentar as chances de ter Alzheimer no futuro deve evitar bebidas alcoólicas.

4. Não fume (ativa ou passivamente)

Assim como o álcool, outra substância tóxica também apontada como fator de risco para a doença é o tabaco.

É o que ficou comprovado pelo estudo Effect of smoking cessation on the risk of dementia: a longitudinal study, em que um grupo de pesquisadores sul-coreanos estabeleceu conexão entre o hábito de fumar e o desenvolvimento de demência.

5. Adote uma alimentação saudável

As pesquisas também comprovam que o Alzheimer tem relação com uma alimentação desregrada.

Em Portugal, um dos países europeus com mais casos registrados para essa doença, o estudo Nutrição e Doença de Alzheimer aponta para os tipos de alimentos ideais para prevenir e retardar o avanço da enfermidade.

Conclusão

A doença de Alzheimer não tem cura, mas, como vimos neste conteúdo, é perfeitamente controlável.

Em casos mais avançados, como o do seu Ivo, a medicação certa torna possível até mesmo resgatar o bem-estar e reintegrar o enfermo à vida em família.

Nesse aspecto, a Cannabis vem se mostrando um poderoso aliado para as pessoas que precisam lidar com a doença.

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19 de setembro – Dia do Ortopedista

Ortopedista

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), foi fundada em 19 de setembro de 1935. É por isso que nessa data comemora-se também em solo brasileiro o Dia do Ortopedista.

Pela sua expressão e relevância na área da ortopedia, a SBOT tornou-se uma das maiores instituições de Ortopedia e Traumatologia da América Latina, e uma das maiores do mundo.

A ortopedia é especialidade tão importante que de acordo com a antropóloga americana Margaret Mead (1901 – 1978) o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga foi a descoberta de um fêmur quebrado e cicatrizado. Segundo ela, no reino animal, aquele que quebrava a perna tinha poucas chances de sobrevivência. Sem poder fugir do perigo, ou caçar, ou até mesmo ir beber água, a falta de mobilidade era fatal diante de um predador.

A explicação era simples: Nenhum animal sobrevive com uma perna quebrada por tempo suficiente para o osso sarar.

Por isso, de acordo com Mead, um fêmur quebrado que cicatrizou é evidência de que alguém teve tempo para ficar com aquele que quebrou, tratou da ferida, levou a pessoa à segurança e cuidou dele até que se recuperasse/ “Ajudar alguém durante uma dificuldade é onde a civilização começa” disse Mead.

O raciocínio de Margaret Mead  nos convida a várias reflexões, mas um fato que devemos destacar é a importância dos ossos e das articulações na vida humana desde os seus primórdios.


Tanto no início da civilização como na atualidade, esses elementos do corpo humano necessitam de cuidados e preservação.

Cuidar da saúde relacionada aos ossos, os músculos, ligamentos e articulações: essa é a importância crucial da Ortopedia. 

No Brasil, atualmente, são cerca de 18 mil ortopedistas ativos, pelos registros dos Conselhos Regionais de Medicina.

A todos esses, nosso muito obrigado e parabéns pela data!

Como a Cannabis Medicinal pode auxiliar no tratamento das patologias tratadas pelo médico ortopedista

A ativação do sistema endocanabinoide desempenha um papel na redução das reações inflamatórias e no aprimoramento do controle da dor.

Por essas razões, surgiu o interesse na comunidade ortopédica como um tratamento potencial ou auxiliar no tratamento de muitas doenças musculoesqueléticas.

Assista no vídeo abaixo a Masterclass gratuita ministrada pelo Dr. Ricardo Ferreira, maior especialista no tratamento da dor com a Cannabis Medicinal do país:

Os canabinoides são uma ferramenta na gestão do paciente com dor crônica, podendo diminuir até 30% as escalas de dor. Seus efeitos relatados são: diminuição da dor, aumento da tolerância à dor, melhora da qualidade de vida, retorno às atividades de vida diária.

Os principais estudos em dor são: dores neuropáticas crônicas de qualquer etiologia; fibromialgia; dor (e espasticidade) em esclerose múltipla; dor em lesão medular; dor oncológica e como coadjuvante para melhora do humor e sono.

A metanálise de J. Aviram, de 2017, relata que, apesar dos estudos selecionados para análise serem heterogêneos (ainda não há padronização de doses e formulações), sugere-se que os canabinoides podem ser eficazes no tratamento de dor crônica, principalmente para pacientes com dor neuropática. Isso porque o sistema endocanabinoide de cada organismo reage de uma maneira.

Mas, um estudo em especial realizado com mais de 20 especialistas em dor no mundo inteiro, definiu protocolos de recomendações de consenso sobre a dosagem e administração da Cannabis medicinal para tratar a dor crônica, resultados de um processo Delphi modificado.

Mais estudos precisam ser realizados, o potencial do uso do CDB é promissor.

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REFERÊNCIAS:

 

Setembro Amarelo: como a Cannabis medicinal pode ajudar na prevenção ao suicídio

suicídio

O suicídio é uma das principais causas de óbito. Segundo a OMS, em 2019, 700 mil pessoas morreram por esse motivo, 1 em cada 100, número superior ao de óbitos por ​​HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios.

A OMS se esforça para reduzir esses números em pelo menos um terço até 2030. No cenário atual, apenas 38 países têm uma estratégia nacional de prevenção para esta área.

A Organização reitera que é necessária uma aceleração significativa para cumprir a meta presente nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Pela importância do tema desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo®.

O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano.

Segundo a campanha, são mais de 13 mil suicídios no Brasil todos os anos. Abaixo veremos as principais patologias que levam a essa medida extrema.

Principais patologias que levam as pessoas ao suicídio

De acordo com o Manual MSD comportamentos suicidas geralmente resultam da interação de diversos fatores.

Porém, o principal deles é a Depressão. O Manual Para Profissionais de Saúde é categórico: “A quantidade de tempo gasto em um episódio de depressão é o preditor mais forte de suicídio. Além disso, suicídios parecem ser mais comuns quando ansiedade grave é parte de depressão maior ou depressão bipolar. O risco de pensamentos e tentativas suicidas pode aumentar em faixas etárias mais jovens depois que se inicia terapia com antidepressivos”.

Depressão

Na definição do DSM-V, manual elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais, a depressão provoca disfunções cognitivas, psicomotoras e de outros tipos (p. ex., dificuldade de concentração, fadiga, perda do desejo sexual, perda de interesse ou prazer em praticamente todas as atividades que anteriormente eram apreciadas, distúrbios do sono), bem como humor depressivo.

Pessoas com transtorno depressivo frequentemente têm pensamentos suicidas e podem tentar o suicídio. Outros sintomas ou transtornos mentais (p. ex., ansiedade e ataques de pânico) comumente coexistem, algumas vezes complicando diagnóstico e tratamento.

A depressão pode reduzir as respostas imunitárias protetoras. A depressão eleva o risco de doenças cardiovasculares, infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico, talvez porque na depressão citocinas e fatores que aumentam a coagulação sanguínea estão elevados e a variabilidade da frequência cardíaca está reduzida — todos fatores de risco de doenças cardiovasculares.

Ansiedade

De acordo com o médico John W. Barnhill, psiquiatra e professor no Weill Cornell Medical College e que atua no New York Presbyterian Hospital, a ansiedade é um estado emocional perturbador e desconfortável de nervosismo e preocupação; suas causas são menos claras.

Ela está menos ligada com o momento exato da ameaça; ela pode ser antecipatória, antes da ameaça, persistir depois que a ameaça cessou, ou ocorrer sem ameaça identificável. A ansiedade é muitas vezes acompanhada por alterações físicas e comportamentos similares àqueles causados pelo medo.

Algum grau de ansiedade é adaptativo; pode ajudar as pessoas a preparar, praticar e executar algo, de maneira que seu funcionamento seja melhorado, e ajudá-las a ser apropriadamente cautelosas em situações potencialmente perigosas. Entretanto, além de certo limite, a ansiedade causa disfunção e perturbação inadequada. Nesse ponto, ela é desadaptativa, sendo considerada um transtorno.

A ansiedade ocorre em uma grande variedade de transtornos mentais e físicos, mas é o sintoma predominante em alguns deles. Transtornos de ansiedade são mais comuns que qualquer outra classe de transtornos psiquiátricos. Todavia, muitas vezes, não são reconhecidos e, por conseguinte, não são tratados. Deixada sem tratamento, a ansiedade crônica e desadaptativa pode contribuir para alguns distúrbios médicos gerais ou interferir no tratamento deles.

Estresse

Já na definição do Guia de Doenças e Sintomas do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta que o termo é amplamente usado, mas sua definição exata é pouco conhecida.

“As pessoas usam essa palavra para dizer que o dia foi corrido, com um monte de coisas para fazer, mas isso não necessariamente gera sinais de estresse, um mecanismo fisiológico sem o qual nem o ser humano nem os animais teriam sobrevivido até os dias de hoje”, diz Selma Bordin, psicóloga do Einstein.

Quando nossos ancestrais se deparavam com situações de perigo, como o encontro inesperado com um animal, precisavam defender-se – seja atacando ou fugindo. As duas reações possíveis demandam uma série de ajustes do corpo. “O batimento cardíaco acelera porque tem que bombear mais sangue, os músculos precisam receber mais energia, há um aumento da respiração e da pressão arterial, entre outras coisas”, explica a dra. Selma.

Atualmente, vivendo em cidades e enfrentando problemas bem diversos dos da selva – como pressões para atingir metas –, o corpo continua preparando-nos para lutar ou fugir quando nos sentimos ameaçados. Mas, em geral, não partimos para a briga física, nem saímos em disparada. E toda a adrenalina, por exemplo, liberada em nosso sangue, fica sem função.

O estresse pode desencadear crises de depressão e ansiedade e, portanto, também é um fator de risco para o suicídio.

Como a Cannabis Medicinal pode auxiliar na prevenção ao Suicídio

Em um estudo de 2010, intitulado Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria” e publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, resultados indicaram que o canabidiol demonstrou “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Segundo a publicação, o sistema canabinoide demonstra um potencial promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria.

O método da pesquisa partiu de uma busca e revisão profunda da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides. Principalmente o CBD e o THC.

Já o pesquisador da USP Eduardo Junji Fusse, em estudo publicado em 2019, afirma que o “sistema endocanabinóide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

Em outro estudo, um teste clínico da Universidade de São Paulo (USP) mostrou resultados relevantes do uso do canabidiol para tratar a síndrome de “burnout”, condição causada pelo esgotamento físico e mental. O objeto do estudo foi um grupo de médicos e profissionais de saúde na linha de frente da resposta à Covid-19.

Como resultado, a substância reduziu sintomas de fadiga emocional em 25% dos voluntários, depressão em 50% e ansiedade em 60% entre profissionais do Hospital Universitário da USP de Ribeirão Preto.

Descoberto pelo professor Dr. radicado em Israel Raphael Mechoulam em 1964, o sistema endocanabinóide levou ao aumento das pesquisas e uso do canabidiol (CDB) como uma substância de elevado valor terapêutico.

Segundo os estudos da equipe do professor, em linhas gerais, o canabidiol (CDB) age no tratamento de um amplo espectro de doenças graças à sua capacidade de  interação com dois receptores do nosso sistema nervoso chamados CB1 e CB2, responsáveis pelo funcionamento do sistema endocanabinoide, presente em todos os seres humanos e na maioria dos animais.

O professor Dr. descobriu que o papel fundamental desse sistema acontece na regulação da homeostase. Os endocanabinoides e os canabinoides exógenos, como o CBD, atuam com função reguladora, ora suprimindo, ora estimulando reações.

No caso da ansiedade, ele age intervindo na bioquímica envolvida nos padrões de comportamento desse transtorno, aliviando os seus sintomas ou neutralizando-os completamente.

Conclusão

Uma série de estudos mostram o grande potencial que o CBD possui para inibir ou tratar as principais causas que levam a transtornos depressivos, de ansiedade e estresse, podendo, dessa forma, evitar muitos casos de suicídio e salvar milhões de vidas.

Entretanto, a legislação e o estigma social ainda afetam negativamente o número de pesquisas medicinais usando os compostos da Cannabis. Aos poucos, essas barreiras vêm diminuindo, mas há muito trabalho pela frente.

Os resultados até agora, porém, são animadores.

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Todos os nossos produtos à base de Cannabis são aprovados pela Anvisa. Nos enquadramos na RDC nº 335/2020.

Referências:

O Dr. Thiago Junqueira é o convidado da próxima masterclass gratuita da Tegra Pharma

Thiago Junqueira masterclass

Hoje, quinta-feira, dia 09 de agosto, às 20h, o médico neurologista Thiago Junqueira discutirá os aspectos clínicos sobre o uso de canabinóides no tratamento de esclerose múltipla como convidado da próxima masterclass gratuita exclusiva para médicos. 

O evento gratuito faz parte de uma trilha de formação do médico prescritor que oferece ou pretende oferecer tratamento canabinoide para os seus pacientes.

Tópicos da Masterclass

O evento traçará um panorama sobre a Esclerose Múltipla e uso de canabinoides no auxílio do tratamento, incluindo:
 

  • Aspectos gerais da doença;
  • Efeitos cognitivos;
  • O uso de canabinóides para tratamento Esclerose Múltipla;
  • Posologias;
  • Indicações e contra indicações;
  • Casos clínicos;
  • Referências e Pesquisas.

Dr. Thiago Junqueira

Neurologia – CRM: 14667

Doutor em Ciências pela USP e Professor Adjunto do Curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Possui pós-graduação na área de Neuroimunologia clínica pela USP e Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia.

Desenvolve trabalho de prevenção e tratamento de doenças neurológicas incluindo esclerose múltipla, enxaqueca e demais dores de cabeça, acidente vascular cerebral (AVC), demências (Doença de Alzheimer e Demência vascular), dentre outras.

 

Inscrição na Masterclass

Para participar o médico deve se inscrever pelo link: https://onixcann.tegrapharma.com/cannabis-esclerose-multipla

Tratamento da epilepsia com Cannabis medicinal: como funciona, vantagens e benefícios.

Epilepsia Cannabis

O tratamento de epilepsia com Cannabis vem assumindo protagonismo no enfrentamento de casos da doença – o que não acontece por acaso.

De acordo com o Critical Review Report, da Organização Mundial de Saúde (OMS), essa poderosa substância tem efeitos benéficos para quem sofre do distúrbio que afeta o sistema nervoso e as sinapses no cérebro.

O reconhecimento se deve aos numerosos estudos que apontam para a eficácia dos canabinoides, que atuam como anticonvulsivantes e neuroprotetores.

Mas há muito mais a ser desvendado e, por isso, você está convidado a prosseguir na leitura deste artigo e conhecer mais sobre os tratamentos à base de canabidiol.

Tratamento da epilepsia com Cannabis: afinal, o que é epilepsia?

A epilepsia (CID-10 G40) é uma doença que afeta o sistema nervoso central (SNC) e o cérebro.

Entre os seus sintomas mais pronunciados, estão as crises convulsivas, que podem ser clônicas ou tônico-clônicas e que, em alguns casos, causam perda de consciência.

No Brasil, estima-se que de 1% a 2% da população sofra de epilepsia, doença que pode atingir pessoas de todas as idades. Trata-se de uma das enfermidades do SNC mais prevalentes.

O CFM – Conselho Federal de Medicina, desde o ano de 2014 regulamenta o uso compassivo do canabidiol para crianças e adolescentes com epilepsias refratárias aos tratamentos convencionais.

O uso compassivo do canabidiol (CBD), um dos 80 derivados canabinoides da Cannabis sativa, foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para crianças e adolescentes portadores de epilepsias refratárias aos tratamentos convencionais. A decisão faz parte da Resolução CFM no 2.113/2014, publicação no Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com um estudo de alcance mundial sobre epilepsia, em 2015, cerca de 39 milhões de indivíduos em todo o mundo sofriam de alguma das suas modalidades.

E, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epilepsia é a doença neurológica de maior prevalência no mundo.

Em 2019, a OMS ainda estimou que cerca de 50 milhões de pessoas sejam afetadas por esse distúrbio, que atinge crianças, adultos e idosos.

Ou seja, os casos de epilepsia acabam crescendo em taxas altas. Por isso, a importância de falarmos mais sobre a patologia.

Quais são as causas da epilepsia?

Entre as possíveis causas externas para desenvolvimento da epilepsia, destacam-se:

  • Abuso de álcool e drogas
  • Neurocisticercose
  • Infecções (como a meningite)
  • Problemas no parto.

De qualquer modo, nem sempre as causas primárias da doença podem ser prontamente identificadas.

Isso porque a epilepsia também pode ser genética ou estar ligada a fatores emocionais e até ao estresse.

Em outros casos, a medicina simplesmente não consegue identificar sua origem.

Dessa forma, o tratamento deve se limitar aos sintomas mais recorrentes, em virtude da impossibilidade de se atacar a causa primária.

Quais são os fatores de risco para crises epiléticas?

Como toda doença neurológica, a epilepsia apresenta certos fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa vir a desenvolvê-la.

Quem sofreu pancadas fortes na cabeça ou traumatismo craniano, nesse aspecto, tem mais chances de se tornar um epiléptico.

Ainda estão no grupo de risco para a doença indivíduos com histórico familiar e pessoas que tenham nascido com malformações congênitas no cérebro.

Portadores de arritmias cardíacas também devem ficar atentos, já que a possibilidade de eles desenvolverem o distúrbio é maior do que a média.

Quais são os principais sintomas de epilepsia?

Epilepsia Cannabis

Os sintomas da epilepsia são decorrentes de uma atividade elétrica anormal do cérebro, que passa a funcionar em uma frequência muito mais alta do que o normal.

Com isso, uma série de reações físicas e psíquicas são desencadeadas, algumas delas potencialmente perigosas, porque podem levar o paciente a sofrer lesões.

Uma crise epiléptica é um evento bastante delicado e que demanda cuidados específicos.

Entre eles, é importante controlar a sua duração, já que geralmente um ataque não se estende por mais de cinco minutos.

Se isso acontecer, o socorro médico deve ser acionado.

Para impedir traumas na cabeça (que pode sofrer pancadas em uma convulsão), recomenda-se manter a pessoa deitada com uma toalha ou algo que possa amortecer os impactos logo embaixo.

Veja, a seguir, quais são os sintomas mais recorrentes da epilepsia e como eles se manifestam.

Espasmos e contrações musculares

Também conhecidos como mioclonias, os espasmos e as contrações musculares em epilépticos podem afetar um músculo apenas ou um grupo muscular inteiro.

Existe toda uma gradação desse tipo de crise, que pode se manifestar tanto em microtremores insignificantes quanto por longas e perigosas contrações.

Vale prestar atenção também à frequência.

Se os espasmos são recorrentes e de amplitude moderada à alta, é recomendado procurar ajuda médica para o diagnóstico e posterior tratamento.

Movimentos involuntários

Junto aos espasmos, podem acontecer também movimentos involuntários de membros, músculos da face, pálpebras ou da cabeça.

A recomendação válida para os espasmos se aplica igualmente para esse sintoma.

Se eles se apresentam periodicamente e de maneira mais aguda, é sinal de que a pessoa pode sofrer de algum tipo de epilepsia.

Lapsos de atenção

Nem sempre a epilepsia se manifesta por crises tônicas, ou seja, com espasmos musculares ou convulsões violentas.

Na verdade, em alguns casos, ela se apresenta de forma oposta, isto é, a pessoa parece se “desligar” do mundo ou ter dificuldades para prestar atenção ou se concentrar em uma tarefa.

É preciso ter muito cuidado com esse sintoma, presente em modalidades como epilepsia do lobo frontal, que pode levar a perdas nas funções cognitivas.

Entorpecimento

Uma vez que as sinapses no cérebro são afetadas, pode ser que uma crise epiléptica seja acompanhada de entorpecimento.

O paciente age como se estivesse dopado e, em alguns casos, pode apresentar perda de memória recente.

Perda de consciência

Por sua vez, os desmaios ocorridos durante um ataque epiléptico podem sinalizar para uma forma de epilepsia mais grave.

Se eles acontecem com frequência, o paciente deve ser levado o mais rápido possível para uma unidade de saúde a fim de realizar exames para um eventual diagnóstico.

Quais são os tipos de crises epiléticas?

Agora, vamos conhecer detalhes sobre os diferentes tipos de crises epiléticas e suas consequências.

Crise generalizada

As crises generalizadas se caracterizam por afetar todo o cérebro.

Segundo as autoras do livro Crises Epiléticas (Leitura Médica Ltda., 2014), Silvia Kochen e Elza Márcia Targas Yacubian, esse tipo de crise pode “incluir estruturas corticais e subcorticais, mas não necessariamente todo o córtex […] e podem ser assimétricas”.

Como comprometem áreas maiores do cérebro, a modalidade generalizada acaba por apresentar um conjunto de variações mais amplo, com destaque para as crises:

  • Clônicas
  • Mioclônicas
  • De ausência
  • Atônicas
  • Tônicas
  • Tônico-clônicas.

Crise focal ou parcial

Nos casos em que uma parte de um hemisfério cerebral é atingida, fica configurada a epilepsia parcial que, normalmente, se manifesta em crianças.

Essa modalidade da doença pode ser classificada conforme a região do cérebro comprometida:

  • Lobo frontal: causada por malformações do cérebro, displasias ou lesões perinatais
  • Lobo temporal: suas causas mais frequentes são tumores embrionários, displasias ou esclerose hipocampal, caracterizando-se por crises de ausência
  • Lobo parietal: de ocorrência rara na infância, apresenta manifestações que podem ser confundidas com outros tipos de epilepsia parcial
  • Crises centrais: também chamada de epilepsia rolândica, é a forma mais comum da doença na infância, correspondendo a ¼ de todas elas. Seus acessos afetam, basicamente, os músculos da face e da garganta
  • Lobo occipital: caracteriza-se por problemas visuais como alucinações, desvios oculares e até cegueira.

Outra maneira de se classificar as crises parciais é como complexa, em que o paciente sofre desmaios, ou simples, quando ele não tem perda de consciência.

Como é feito o diagnóstico da epilepsia?

Em crianças e adolescentes, o diagnóstico de epilepsia pode ser feito caso tenha ocorrido mais de uma convulsão em um curto período de tempo.

Nesse cenário, os pais devem comparecer ao médico e relatar como foram as crises, contando o que aconteceu antes, durante e depois.

Se possível, vale gravar a ocorrência em vídeo para que o especialista possa identificar com ainda mais precisão o tipo de epilepsia em questão.

Também podem ser prescritos os seguintes exames:

  • Imagem de ressonância magnética
  • Tomografia axial computorizada
  • Electroencefalograma
  • Análise de sangue.

Quais são os tratamentos tradicionais para crises epiléticas?

Normalmente, os tratamentos contra a epilepsia se baseiam na prescrição de medicamentos como anticonvulsivantes.

Também podem ser indicadas terapias como a dieta cetogênica, estimulação do nervo vago (VNS) ou estimulação cerebral profunda (DBS).

Só em casos mais extremos é recomendada a cirurgia, como acontece quando é diagnosticada a epilepsia focal, que atinge apenas uma parte do cérebro.

Tratamento da epilepsia com Cannabis: como funciona?

Epilepsia Cannabis

Um dos principais desafios para médicos e pacientes é quando se manifesta a chamada epilepsia refratária.

Nesse caso, ele não responde às soluções convencionais, o que exige uma abordagem alternativa.

É quando pode ser prescrito o tratamento à base de canabinoides, cujas propriedades ajudam no controle das crises.

Para fins de recursos terapêuticos, o médico deverá indicar a dosagem adequada, que pode ser aumentada com o passar do tempo.

O que os especialistas dizem sobre o uso de Cannabis no tratamento de epilepsia?

Você viu logo no início deste conteúdo que a própria OMS já reconheceu a eficácia da Cannabis no tratamento da epilepsia.

Embora sejam necessários cada vez mais estudos, os relatos de pessoas que conseguiram controlar a doença (e até de animais) e as pesquisas acadêmicas apontam para um futuro promissor.

Uma delas é o artigo Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome, publicado em 2018.

No estudo, foram testados 226 pacientes portadores da síndrome de Lennox-Gastaut (SLG), uma condição epiléptica pediátrica grave.

Os pesquisadores verificaram que a adição de canabidiol ao tratamento farmacológico convencional diminuiu consideravelmente a frequência das convulsões.

Quais propriedades terapêuticas da Cannabis auxiliam no tratamento da epilepsia?

Entre as várias propriedades terapêuticas da Cannabis medicinal, duas são especialmente importantes para quem sofre de epilepsia: a anticonvulsivante e a neuroprotetora.

A primeira foi estudada na pesquisa Cannabinoids in the Treatment of Epilepsy: Hard Evidence at Last?, em que o autor Emilio Perucca conclui:

“Após quase quatro milênios de uso médico documentado no tratamento de distúrbios convulsivos, estamos muito perto de obter evidências conclusivas da eficácia dos canabinoides em algumas síndromes epilépticas graves.”

Já no Review of the neurological benefits of phytocannabinoids, os autores Joseph Maroon e Jeff Bost concluem que:

“A pesquisa atual indica que os fitocanabinoides têm um poderoso potencial terapêutico em uma variedade de doenças, principalmente por meio da sua interação com o sistema endocanabinoide. O CBD é de particular interesse devido à sua ampla capacidade e à falta de efeitos colaterais em uma variedade de doenças e condições neurológicas.”

Tratamento de epilepsia com Cannabis: quais são as vantagens?

O tratamento de epilepsia com CBD, embora ainda não seja 100% chancelado pela ciência, já é considerado seguro e eficaz.

Isso porque o óleo de canabidiol, um dos medicamentos mais prescritos, apresenta vantagens bastante relevantes, se comparado com os fármacos convencionais.

Conheça alguns deles nos tópicos abaixo.

Melhora o humor

Embora seja um benefício que é mais recorrente em tratamentos contra distúrbios de comportamento, a melhora do humor também acontece em portadores de epilepsia.

Afinal, em doenças que afetam o sistema nervoso central e a cognição, como o Alzheimer, o canabidiol pode promover grandes transformações.

Também é eficaz nos casos de pacientes agressivos por conta do transtorno do espectro autista (TEA).

Desse modo, o CBD vem a ser um poderoso aliado para aprimorar a qualidade de vida, inclusive nos portadores de epilepsia, porque ajuda a recuperar a homeostase e, assim, leva a uma melhora no bem-estar geral.

Efeito entourage

efeito entourage, que sempre abordamos em nossos conteúdos, é uma vantagem adicional do canabidiol no tratamento contra a epilepsia.

Por meio dele, os benefícios à saúde proporcionados pelos canabinoides são potencializados em função do princípio da sinergia botânica.

Isso acontece porque, em geral, o CBD é administrado em forma de óleo de espectro amplo ou completo, no qual ele se mistura aos outros canabinoides extraídos da Cannabis.

Fora isso, a Cannabis contém flavonoides e terpenos, que também potencializam os efeitos terapêuticos.

Sendo assim, elas fazem com que o canabidiol promova muito mais benefícios à saúde do que quando administrado de maneira isolada.

Poucos efeitos adversos

Talvez uma das principais descobertas sobre o CBD feitas pela ciência é a de que ele provoca menos efeitos colaterais do que os medicamentos convencionais.

Para certos pesquisadores, isso se deve ao fato de ele interagir com o sistema endocanabinoide, o que faz com que o organismo tolere melhor o canabidiol.

Uma evidência dessa tolerância está na utilização do extrato de CBD em cuidados paliativos de pacientes com câncer.

Eles são submetidos a sessões de quimioterapia e uma medicação pesada que os levam a sentir náuseas e a vomitar.

Desse modo, o canabidiol é uma alternativa para eliminar ou atenuar essas reações, colaborando para melhorar a qualidade de vida e promovendo alívio dos efeitos adversos.

Produto 100% natural

Os avanços da indústria farmacêutica devem ser celebrados, afinal, muitos deles vêm salvando vidas em todo o mundo.

Ainda assim, os benefícios dos medicamentos fabricados, em alguns casos, são superestimados, o que pode ser uma das causas da automedicação.

É cada vez mais consenso que a prioridade em tratamentos para epilepsia (e outras doenças) deveria ser as soluções naturais, entre as quais está a Cannabis.

Quais são os efeitos colaterais do tratamento?

Como você viu, uma vantagem particularmente interessante no tratamento da epilepsia com Cannabis diz respeito aos raros efeitos colaterais.

Credita-se isso à sua interação com o organismo via sistema endocanabinoide, razão pela qual ele é, em geral, bem tolerado em praticamente todos os tipos de tratamento.

Embora a ciência ainda não tenha todas as respostas, até agora, os estudos já publicados trazem evidências sobre o uso seguro dos medicamentos com canabinoides.

Um deles é a revisão An Update on Safety and Side Effects of Cannabidiol: A Review of Clinical Data and Relevant Animal Studies, de autoria de Franjo Grotenhermen e Kerstin Iffland, do Instituto Nova, na Alemanha.

Na conclusão, eles enfatizam que o perfil de segurança do CBD já está estabelecido de muitas formas, o que o torna seguro como recurso terapêutico.

Onde encontrar produtos à base de Cannabis para tratar a epilepsia?

Considerando a oferta ainda restrita de Cannabis medicinal no Brasil, é comum recorrer à importação de medicamentos em tratamentos contra a epilepsia.

Veja a seguir como acontece o processo, todo ele controlado pela Anvisa.

Consulta médica

A compra de medicamentos que contêm CBD começa na consulta médica, na qual o especialista prescreve o remédio conforme as necessidades do paciente.

Pedido junto à Anvisa

De posse da receita, identidade e comprovante de residência, o comprador/paciente deve acessar o site da Anvisa para envio da documentação e preenchimento do devido formulário.

Resposta da Anvisa

Feito o pedido, é preciso aguardar pela resposta do órgão de controle, que pode chegar dentro de dez dias, aproximadamente.

Se o retorno for positivo, é emitida a autorização de importação.

Compra e entrega

Sempre respeitando os limites da Anvisa, que proíbe a compra de medicamentos de CBD que não sejam administrados via oral ou nasal, pode ser feita a aquisição do produto do exterior.

Para maior comodidade, utilize o serviço de concierge da Tegra Pharma, que realiza todo esse trabalho para o paciente, cumprindo todas as etapas legais exigidas.

Conclusão

Em virtude das muitas vantagens da opção pelo CBD, o tratamento de epilepsia com Cannabis pode ser até priorizado, sobrepondo-se às alternativas conservadoras.

Isso porque as pesquisas indicam que ele apresenta poucos efeitos adversos e pode ser eficaz até para tratar das versões mais resistentes da doença.

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Esclerose Múltipla: Benefícios do Tratamento com Cannabis

Esclerose Múltipla Cannabis
A esclerose múltipla é um doença autoimune em que os anticorpos atacam o sistema nervoso central, causando uma serie de consequências ao portador. Conheça os benefícios do tratamento da doença com Cannabis.

Embora o Brasil esteja longe das primeiras posições entre os países com mais casos de esclerose múltipla por 100 mil habitantes, essa é uma condição médica que desperta grande preocupação por aqui.

Isso porque, na América Latina, só perdemos para a Argentina na prevalência, com 19 ocorrências por 100 mil habitantes, enquanto nossos vizinhos registram o dobro, 38.

Por outro lado, somos os líderes em números de casos entre os países latinos, com 40 mil pessoas acometidas pela doença, segundo o atlas da MS International Federation.

É praticamente o mesmo número de indivíduos que sofrem de câncer do cólon e reto, que atinge um pouco mais de 40 mil pessoas no Brasil, segundo o INCA.

Porém, diferentemente do câncer, a esclerose múltipla tem peculiaridades que pedem uma abordagem própria, afinal, ela não é passível de prevenção.

É nesse contexto que a Cannabis surge como uma esperança em termos de qualidade de vida para os que sofrem da enfermidade.

Neste conteúdo, você vai conhecer melhor como é feito o tratamento da esclerose múltipla com os compostos dessa planta, além de um panorama abrangente sobre essa doença.

Continue por aqui, informe-se e ajude a quem precisa.

Esclerose múltipla: o que é?

Esclerose múltipla (EM) é uma doença do tipo autoimune, ou seja, é uma condição em que as defesas do nosso corpo voltam-se contra o próprio organismo.

No caso da EM, os anticorpos passam a atacar o sistema nervoso central (SNC), destruindo a bainha de mielina que protege os neurônios.

Qual é a causa da esclerose múltipla?

A ciência continua avançando nas pesquisas sobre tratamentos, causas e formas de se diagnosticar a EM.

No entanto, ainda não é possível apontar com segurança o que ocasiona o seu desenvolvimento.

Entre as possibilidades mais aceitas pela comunidade científica, credita-se o surgimento da doença a fatores genéticos, vírus e até à falta de exposição ao sol.

Esse último critério de risco, a propósito, parece fazer sentido, já que nos países do Hemisfério Norte a prevalência da EM é bem maior.

A Alemanha é a recordista mundial nesse quesito, com 303 casos por 100 mil habitantes, de acordo com o já citado atlas mundial da MSIF.

Quais são os sintomas da esclerose múltipla?

Interação medicamentosa: o cuidado que todo médico deve ter ao prescrever Cannabis Medicinal com outros medicamentos

interação medicamentosa

Estudo indica medicamentos que podem interagir com a Cannabis e reforça o cuidado com a interação medicamentosa.

Os pesquisadores alertam para os efeitos mais graves, com destaque para 57 medicamentos que exigem dosagem mais rigorosa e podem ter efeito ampliado pela Cannabis. Confira aqui a lista.

Com epilepsia, o paciente usa valproato, que pode gerar problemas no fígado. Ou tem um problema cardíaco que o faz usar varfarina – o que pode levar a sangramentos ou até mesmo uma trombose.

Estes são somente dois dos medicamentos que podem trazer efeitos inesperados, se utilizados em conjunto com a Cannabis medicinal. 

Ambos fazem parte de uma lista de 57 substâncias (ver abaixo), publicada por pesquisadores da Faculdade de Medicina Penn State. 

O que diz a pesquisa sobre interação medicamentosa

Os autores do estudo foram: o professor e diretor de farmacologia Kent Vrana e o farmacêutico Paul Kocis, ambos da Faculdade de Medicina Penn State.

Eles explicam o foco dado em medicamentos com margem terapêutica estreita. Ou seja, aqueles prescritos em doses muito específicas, suficiente para serem efetivos; caso contrário, qualquer excesso pode causar danos.

É a chamada “margem terapêutica estreita”, muito importante ser observado quando da interação medicamentosa.

Lista de medicamentos para interação medicamentosa

Publicada no jornal científico Medical Cannabis and Cannabinoids, a lista visa auxiliar médicos a considerar os medicamentos prescritos e suas interações.

Para desenvolver o estudo, os pesquisadores avaliaram quatro medicamentos canabinoides. Suas bulas incluíam uma lista de enzimas que processam os ingredientes ativos dos medicamentos, como THC e CBD.

Eles compararam estas informações com as bulas de remédios comuns disponíveis em agências regulatórias como a U.S. Food and Drug Administration para identificar onde poderia haver sobreposição.

Os canabinoides são usados em diversos tratamentos como estimulação de apetite, epilepsia, controle de dor, náuseas e vômitos em pacientes tratando câncer, ansiedade, entre outros.

Em geral, os canabinoides são bem tolerados e seguros, mas é necessário cuidado ao administrar certas drogas ao mesmo tempo da Cannabis, principalmente para idosos e pessoas com doenças de rins e fígado.

Margem terapêutica estreita

Drogas variadas fazem parte da lista: remédios para o coração, antibióticos, antifúngicos, anticoagulantes. No caso da varfarina, é um medicamento que previne a formação de coágulos e é prescrita para pacientes com fibrilação atrial ou depois de substituição de válvula cardíaca e tem grande potencial de interação com canabinoides.

Por fazer parte da lista dos medicamentos com margem terapêutica estreita, qualquer alteração em seus efeitos pode causar sangramentos ou trombose. Como o CBD e o THC inibem a atividade das enzimas CYP, podem acarretar a diminuição dos efeitos da droga. O cuidado, portanto, deve ser tomado tanto por médicos prescritores de Cannabis, quanto por prescritores da varfarina. 

Os pesquisadores avisam que a atenção não deve se restringir apenas ao uso medicinal da Cannabis. Também o uso adulto ou recreacional precisa ser levado em consideração.

Segundo Vrana, produtos não regulamentados frequentemente contém os mesmos ingredientes que os canabinoides medicinais, mas em diferentes concentrações. Por isso, o paciente deve ser honesto com a equipe médica que o atende, informando desde o uso adulto da maconha até medicamentos OTC (vendidos nas prateleiras sem necessidade de receita). 

Como funciona a interação medicamentosa

Quando tomamos uma substância, o corpo a metaboliza, ou seja, faz a quebra dessa substância. O metabolismo dos remédios acontece por todo o corpo, mas mais comumente no trato digestivo e no fígado.

A família de enzimas P450 (CYP450) faz o trabalho de processar substâncias estranhas de forma que elas sejam eliminadas, mas alguns medicamentos afetam estas enzimas, acelerando ou desacelerando o metabolismo. Este processo pode alterar a absorção de medicamentos, daí a interação medicamentosa.

A família CYP450 é a responsável por metabolizar diversos canabinoides, inclusive o CBD. Mas, durante este processo, o canabidiol também interage com ela, que é responsável por metabolizar pelo menos 50% dos remédios prescritos.

Como o CBD pode estimular ou inibir a ação dessas enzimas, o remédio pode permanecer por mais tempo ou menos no corpo, trazendo efeitos indesejados. Por isso a importância em regular as doses dos outros remédios ao prescrever Cannabis medicinal.

Outros medicamentos 

Além dos 57 medicamentos com margem terapêutica estreita,  Vrana e Kocis também listaram outros 139 medicamentos que podem ter interações medicamentosas com a Cannabis. Eles planejam atualizar com frequência, sempre incluindo medicamentos recentemente aprovados e conforme novas evidências científicas forem surgindo.

Alguns dos medicamentos com interações mais conhecidas:

Clobazam

O CBD aumenta a ação e também os efeitos colaterais deste benzodiazepínico usado para tratar convulsões associadas à síndrome de Lennox-Gastaut em crianças e adultos. Mesmo assim, o CBD é aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) americana para tratar ataques epilépticos tanto de Lennox-Gastaut como para Dravet. 

Quando as duas drogas são usadas juntas, o CBD aumenta a concentração do clobazam, chegando a triplicar sua concentração no metabolismo, aumentando não só seus efeitos, como a indesejada sedação. Por isso, médicos devem ser orientados a diminuir as doses do clobazam quando usado em conjunto com o CBD.

Valproato

Outra droga prescrita para tratar epilepsia e também transtorno bipolar e prevenir dores de cabeça. Tomar CBD com valproato pode aumentar os níveis enzimáticos no fígado e causar dano no órgão.

Em estudos clínicos descritos na bula do isolado fármaco Epidiolex, 21% dos pacientes com epilepsia que tomaram ambos tiveram níveis elevados de transaminase (enzimas intracelulares, que, em altas quantidades indicam destruição celular), chegando a três vezes o limite saudável.

Este número chega a 30% de casos quando havia também a prescrição do clobazam. Por isso, o próprio fabricante do Epidiolex recomenda a descontinuação ou ajuste de dose caso exames acusem alta de transaminase. 

Lista de medicamentos do estudo

  • acenocumarol (VKA)
  • alfentanil
  • aminofilina
  • amiodarona
  • amitriptilina
  • anfotericina B
  • argatroban
  • busulfan
  • carbamazepina
  • clindamicina
  • clomipramina
  • clonidina
  • clorindiona (VKA)
  • ciclobenzaprina
  • ciclosporina
  • etexilato de dabigatrana
  • desipramina
  • dicumarol (VKA)
  • digitoxina
  • dihidroergotamina
  • difenadiona (VKA)
  • dofetilide
  • dosulepina
  • doxepina
  • ergotamina
  • esketamina
  • etinilestradiol (contraceptivos orais)
  • etossuximida
  • biscoumacetato de etila (VKA)
  • everolimus
  • fentanil
  • fluindiona (VKA)
  • fosfenitoína
  • imipramina
  • levotiroxina
  • lofepramina
  • melitraceno
  • meperidina
  • mefenitoína
  • ácido micofenólico
  • nortriptilina
  • paclitaxel
  • fenobarbital
  • fenprocumon (VKA)
  • fenitoína
  • pimozida
  • propofol
  • quinidina
  • sirolimus
  • tacrolimus
  • temsirolimus
  • teofilina
  • tiopental
  • tianeptina
  • trimipramina
  • ácido valpróico
  • varfarina (VKA)

Estudos citados da interação medicamentosa nesta matéria

https://www.mdlinx.com/article/rx-drugs-that-don-t-mix-with-cbd-thc-and-marijuana/lfc-4695)
https://www.karger.com/Article/Pdf/507998
https://www.sciencedaily.com/releases/2020/08/200803120158.htm

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Homeostase: o que é, importância e regulação com o CBD

Homeostase

Descubra o que é a homeostase, para que ela serve, quando ocorre a regulação com o CBD. Preparamos um artigo completo para você, continue lendo.

Vamos começar com um exemplo prático.

Imagine que você está no Rio de Janeiro com um calor de 40ºC à sombra. Certamente, pensaria que seria melhor se essa temperatura caísse, não?

A homeostase segue, de certa maneira, um conceito parecido em termos biológicos.

Essa analogia serve para uma infinidade de processos corpóreos, afinal, mais ou menos como diz a lei da gravidade, tudo o que sobe tem que descer.

Significa que, para os organismos vivos, tudo o que promove uma modificação em seu estado natural deve ser, de alguma forma, compensado.

Um exemplo simples disso é quando ingerimos bastante líquido.

Nesse caso, é apenas uma questão de tempo para irmos ao banheiro para eliminar o excesso.

No entanto, a homeostase é muito mais que um mecanismo de compensação.

Como veremos ao longo deste conteúdo, ela é uma condição indispensável para a vida e o bem-estar dos seres.

Avance na leitura e descubra como ela afeta a sua saúde.

O que é homeostase?

Também chamada de homeostasia, a homeostase é o conjunto de reações físico-químico-biológicas pelas quais um organismo volta à sua condição de equilíbrio.

Como veremos mais à frente, isso se aplica não só aos seres vivos, mas também ao ecossistema que os abriga.

É como se ela fosse uma “configuração” padrão de toda e qualquer forma de vida, que só se perpetua quando encontra as condições internas e externas ideais.

A homeostase, portanto, é a permanente gestão do equilíbrio corpóreo que cada indivíduo e espécie exerce, tendo em vista os efeitos provocados por variações que vêm de fora.

Qual é a importância da homeostase?

A homeostase foi descrita pela primeira vez pelo fisiologista Claude Bernard em 1859, que usou as seguintes palavras para definir o fenômeno recém-descoberto:

“Todos os mecanismos vitais, apesar de sua diversidade, têm apenas uma finalidade, a de manter constantes as condições de vida no ambiente interno.”

O termo tem origem nas expressões gregas “homeo” (igual) e “stasis” (estático).

Logo, a homeostase é a capacidade que todo ser tem de preservar as condições mais adequadas para a sua sobrevivência e o seu bem-estar.

Dessa forma, um organismo que não consegue se manter homeostático é, necessariamente, um organismo enfermo.

Ao falhar em regular os seus processos corporais, seja por alguma deficiência interna, seja por ação do meio externo, corre-se o risco de perder funções vitais e, em último caso, a vida.

Para que serve a homeostase?

A função principal da homeostase é regular os incontáveis processos que acontecem no corpo de maneira a mantê-lo dentro de uma condição normal.

Se não tivéssemos essa capacidade, certamente, já teríamos sido extintos ou, no mínimo, estaríamos em uma posição bastante inferiorizada na cadeia alimentar.

Foi a busca pelo equilíbrio, afinal, que levou o ser humano a evoluir por meio não só de adaptações morfológicas em seu corpo, como também ao utilizar ferramentas.

Nesse processo evolutivo, a homeostase tem um papel central, já que ela faz com que o organismo reaja mediante certas condições mais extremas.

Ou seja: é como se fôssemos equipados com um sofisticado sistema de alarme que indica que é hora de nos alimentar, nos aquecer ou nos proteger do calor. 

Quando ocorre a homeostase?

Na contabilidade, chama-se fluxo de caixa o componente de gestão pelo qual uma empresa gerencia as entradas e saídas de recursos das suas reservas financeiras.

De certa forma, a homeostase não deixa de ser uma espécie de “fluxo de caixa” do corpo humano, já que os processos a ela relacionados visam controlar entradas e saídas.

Quando bebemos água, por exemplo, criamos um excedente dessa substância que precisa ser eliminado tão logo ela seja absorvida e cumpra as suas funções vitais.

Assim sendo, a homeostasia acontece sempre que o corpo recebe uma “entrada”, seja de um alimento, de água ou de outro composto qualquer.

Também ocorre quando há mudanças climáticas, atmosféricas e outras mais subjetivas, como nossos diferentes estados de humor, além das reações do sistema imunológico.

Quais são os tipos de homeostase?

Já deu para perceber que não existe somente um tipo de homeostase, certo?

De fato, se considerarmos por uma perspectiva mais ampla, veremos que há categorias diferentes de processos homeostáticos, que variam conforme a espécie de reação.

Isso quer dizer que os mecanismos responsáveis por regular a ingestão de alimentos são diferentes dos que controlam a temperatura, por exemplo.

Cada um deles têm nomenclaturas próprias, devendo, por isso, ser compreendidos em contextos específicos.

Ou seja: a homeostase não se manifesta sempre da mesma forma de um organismo para outro e até em processos de natureza similar.

Vamos ver, então, quais são os diferentes tipos de homeostasia e quais reações elas são responsáveis por controlar.

Química

Toda vez que nossos pulmões absorvem oxigênio (O2) e eliminam dióxido de carbono (CO2), temos uma reação homeostática do tipo química.

É o que acontece, ainda, quando os rins eliminam uréia, regulando as concentrações iônicas e de água no organismo.

Isto é, todo procedimento que envolva a troca de substâncias no corpo pode ser classificado como uma espécie de homeostase química.

Outro exemplo comum desse tipo de processo é a regulação da glicose no sangue, feita pelo pâncreas na produção de glucagon e insulina. 

Se a glicose aumenta, o hormônio da insulina age para retirar o excesso por meio da facilitação da passagem de glicose no sangue para alguns tecidos.

Já a falta de açúcar faz com que se aumente a produção de glucagon que opera subindo o grau de açúcar no sangue através da conversão do glicogênio em glicose.

É assim que a nossa concentração de açúcar no organismo se mantém em limites toleráveis.

Trata-se de um complexo emaranhado de reações de homeostase da glicose que, em pacientes diabéticos, deixa de acontecer nos padrões normais.

Térmica

A hipotermia é uma condição na qual o corpo tem as suas funções vitais paralisadas por causa da exposição a baixas temperaturas.

No entanto, cada ser vivo tem mecanismos próprios para preservar a temperatura corporal em níveis aceitáveis, em um conjunto de processos chamado de endotermia.

Ou seja, mesmo que o clima apresente suas oscilações, todos somos capazes de manter minimamente a temperatura interna por meio de respostas induzidas pelo sistema endotérmico.

Quando sentimos frio, se o corpo não está aquecido, passa a tremer para gerar calor.

E se o calor for demais, suamos como forma de resfriar a pele e reduzir a temperatura interna.

Hídrica

Não é novidade que o corpo humano é composto em sua maior parte por água, cuja concentração é de 70% quando nascemos.

Como todo elemento químico, a água se transforma e, por isso, precisamos repô-la em estado líquido para restabelecer o equilíbrio das funções corporais.

Nesse aspecto, os rins são os órgãos mais importantes, já que eles são responsáveis por regular as concentrações de água e vários tipos iônicos, além de excretar a ureia.

Eles também são os encarregados por responder ao hormônio antidiurético (ADH) produzido pelo hipotálamo.

A função dessa substância é evitar a perda de água, o que levaria o organismo a desidratar.

Portanto, em momentos nos quais a concentração de sais é maior, o ADH é produzido para barrar a saída de água do corpo.

O que é a quebra da homeostase?

Organismos que conseguem manter a homeostase em condições extremas são mais fortes.

Essa é a essência do processo adaptativo, aquele descoberto por Charles Darwin e que ainda norteia diversos estudos científicos até hoje.

Coincidentemente, Darwin publicou suas ideias pela primeira vez em 1859, ano em que, como vimos, Claude Bernard foi pioneiro em descrever a homeostase.

Pois a quebra da homeostase, de certo modo, é o que diferencia “meninos de homens” na natureza. 

Quem se mantém vivo, a despeito das circunstâncias externas, tende a sobreviver, enquanto aqueles que não conseguem ajustar sua homeostase sucumbem.

Por outro lado, a quebra desse processo também pode ser induzida, como acontece com atletas que buscam adaptar seus corpos a condições competitivas.

Outra forma de haver essa ruptura é quando somos acometidos por doenças, sejam elas congênitas, autoimunes ou causadas por vírus e outros vetores.

Qual é a diferença entre homeostase e estado estável?

Todos nós, em algum momento, ouvimos ou lemos no noticiário que uma pessoa está hospitalizada em estado estável.

Embora essa expressão remeta a uma ideia de homeostase, na prática, existem diferenças consideráveis entre os termos.

Isso porque homeostase é a condição na qual um organismo encontra-se em um ponto de normalidade constante.

Já o estado estável indica que um quadro clínico é considerado estático, embora o indivíduo ainda não esteja nas circunstâncias ideais de saúde.

O que é sistema endocanabinoide e qual é sua relação com a homeostase?

De onde vem a homeostase, afinal? Que tipo de órgãos, substâncias ou fluidos estão envolvidos em seus mecanismos?

Foi somente na década de 1960 que viemos a descobrir que temos um sistema exclusivamente dedicado a regular os processos homeostáticos.

Ele se chama sistema endocanabinoide e o seu descobridor foi o químico Raphael Mechoulam.

Portanto, homeostase tem tudo a ver com esse sistema, no qual os canabinoides são os grandes protagonistas.

Ao se ligarem aos receptores endocanabinoides, eles promovem uma série de efeitos que, por sua vez, levam o organismo a restabelecer sua condição de equilíbrio. 

Quais são os benefícios do canabidiol (CBD) na regulação da homeostase?

A descoberta do sistema endocanabinoide fez com que a comunidade médica e científica redescobrisse o enorme valor das plantas do gênero Cannabis.

Isso porque não é de hoje que os principais compostos extraídos delas, os canabinoides, são usados com fins medicinais.

A diferença é que, somente nos últimos 60 anos, a ciência parece, enfim, ter levado mais a sério os canabinoides, embora a espécie mais comum, a Cannabis sativa, tenha sido catalogada no distante ano de 1753 por Carolus Linnaeus.

Nas últimas décadas, a ciência vem se debruçando sobre as propriedades dos fitocanabinoides extraídos da sativa e de outras subespécies.

Veja a seguir quais são.

Ação anti-inflamatória

Processos inflamatórios são, de certa forma, um dos muitos “inimigos” da homeostase.

Eles se caracterizam pelo aumento da circulação sanguínea na região do corpo afetada como uma resposta a eventuais ataques de agentes externos ou ferimentos.

Esse crescimento na circulação é a maneira que o organismo encontra para enviar ao local enfermo os mecanismos de defesa presentes em nosso sistema imunológico.

Pois o sistema endocanabinoide também pode interferir nesses processos, por meio de substâncias como o canabidiol (CBD), que tem propriedades anti-inflamatórias.

Esses atributos foram documentados em uma pesquisa conduzida pela Universidade de Białystok, Polônia.

No estudo, concluiu-se que:

“O CBD parece ser o preferido entre os compostos do grupo fitocanabinoide. Independentemente dos efeitos farmacológicos benéficos do próprio CBD, se esse composto estiver presente no ambiente do THC, os efeitos indesejáveis são reduzidos, o que melhora seu perfil de segurança.”

Efeito analgésico

Embora a dor seja, de certo modo, uma forma de se restabelecer a homeostase, nem sempre ela é tolerável e, em alguns casos, o melhor a se fazer é suprimi-la.

O CBD pode ajudar nesse aspecto, trazendo alívio para pessoas que sofrem com dores agudas, algumas inclusive causadas por tratamentos agressivos, como do câncer.

Sobre isso, vale destacar um estudo de caso feito pelos pesquisadores Zack Cernovsky e Larry Craig Litman, da Universidade de Ontário, Canadá.

Eles investigaram os efeitos da medicação à base de CBD em pessoas com dores crônicas causadas por traumas em acidentes de carro, chegando à seguinte conclusão:

“Os casos apresentados neste artigo sugerem que pelo menos alguns pacientes com dor intensa e sintomas neurológicos graves podem se beneficiar dos óleos de Cannabis, mais do que dos analgésicos opioides e não opioides amplamente prescritos.”

Atuação neuroprotetora

Desequilíbrios no sistema nervoso central (SNC) podem levar a doenças graves, como a epilepsia e a psicose.

Para restabelecer a normalidade, o canabidiol vem se mostrando um poderoso aliado, até mesmo para tratar de condições neurodegenerativas.

Sobre isso, destacamos um estudo conduzido pelos cientistas Walter Milano e Anna Capasso, em que o foco foi o uso do CBD como agente neuroprotetor em processos de degeneração no SNC.

Veja o que eles concluíram:

“As atividades neuroprotetoras dos endocanabinoides parecem ser mediadas principalmente por CB1, portanto, há caminhos promissores para o uso terapêutico em diferentes aspectos das doenças neurodegenerativas, por estimular o sistema endógeno autoprotetor do cérebro e neutralizar o estresse oxidativo.”

Equilíbrio do humor

Os transtornos de humor são um sinal claro de que algo não está em equilíbrio no corpo, especialmente nas funções cerebrais.

Por sua vez, em doenças como a de Alzheimer, a neurodegeneração pode levar não só à demência como ao aumento na agressividade.

Nesses casos, o CBD promove recuperações que parecem milagre de tão incríveis, como foi com o seu Ivo Suzin. 

Diagnosticado com Alzheimer, sua família já não sabia mais o que fazer para conter seus constantes ataques e agressões, quando decidiu tentar o canabidiol.

Veja o resultado e o desfecho dessa emocionante história .

No entanto, a ciência também está atenta às propriedades do CBD como regulador do humor em outros casos, como o de pessoas que sofrem de transtorno bipolar.

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Newcastle, Inglaterra, traz evidências de que, além do CBD, o tetrahidrocanabinol (THC) também pode ajudar a restaurar o equilíbrio em pacientes com esse tipo de distúrbio de humor:

“(…) ambos, THC e CBD, têm propriedades farmacológicas que podem ser terapêuticas em pacientes com Transtorno Bipolar. Além disso, a evidência farmacocinética disponível já indica métodos ideais de administração e controle de dosagem.”

Alternativa 100% natural

Não se pode ignorar, ainda, que o CBD é, desde sempre, uma alternativa natural aos medicamentos controlados, alguns dos quais causam efeitos adversos importantes.

Além disso, os canabinoides são substâncias em geral muito bem toleradas pelo organismo, onde são prontamente recrutados pelo sistema endocanabinoide.

É por isso que cada vez mais tratamentos com medicamentos convencionais vêm sendo substituídos pelo uso da Cannabis medicinal.

Além de naturalmente absorvidos, os canabinoides também produzem efeitos mais rápidos e duradouros, ajudando na recuperação até mesmo de doentes em estado avançado.

Poucos efeitos adversos

A interação dos fitocanabinoides com outras células do organismo é sempre mediada pelo sistema endocanabinoide.

Talvez por isso sejam relatados muito poucas reações adversas em pessoas submetidas a tratamentos com o CBD.

A propósito, há pesquisas dedicadas exclusivamente a analisar a prevalência dos efeitos colaterais do CBD, como esta, realizada pela Nova Institut, na Alemanha. 

Nesse estudo de caso, foram feitos testes em camundongos, que receberam doses de 60mg de CBD por 12 semanas, três vezes a cada sete dias.

Os resultados não poderiam ser mais satisfatórios, já que, segundo os pesquisadores, o perfil de segurança do CBD já está estabelecido de uma infinidade de maneiras, embora enfatizem a necessidade de mais pesquisas.

Conclusão

Por tudo que vimos ao longo deste conteúdo, não é exagero indicar a Cannabis medicinal como uma alternativa das mais seguras para restabelecer a homeostase em todos os níveis.

Casos de pacientes que se recuperaram até mesmo de quadros avançados (alguns desenganados pelos médicos) e as pesquisas parecem de fato apontar para um futuro promissor.

Por isso, não deixe de acompanhar os últimos avanços, lendo os conteúdos publicados aqui, no blog da Tegra Pharma, a farmacêutica do grupo OnixCann.

Dr. Ricardo Ferreira é o novo convidado para a Masterclass exclusiva para médicos.

Ricardo Ferreira Masterclass

O médico Ricardo Ferreira passou boa parte da carreira buscando uma forma de aliviar a dor de seus pacientes. Foi de cirurgião de coluna a especialista em dor, quando percebeu que as as alternativas terapêuticas tradicionais não funcionavam. Nessa busca, acabou por se tornar uma figura fundamental na história da Cannabis no Brasil.

Nesta masterclass online e gratuita o médico irá abordar o tratamento das dores crônicas com a Cannabis Medicinal que ocorrerá na quinta-feira, dia 27 de maio às 20h00.

Tópicos da Masterclass

  • Como classificar as dores crônicas;
  • Os principais mecanismos e vias de transmissão da dor;
  • Apresentação clínica das principais patologias que causam dor crônica;
  • Bases científicas do uso da Cannabis para controle da dor;
  • A Cannabis aplicada ao tratamento de dores crônicas;
  • Posologia aplicável, vias de administração, interações e contraindicações;
  • Análise de casos clínicos;
  • Respostas as perguntas dos médicos participantes.

Dr. Ricardo Ferreira

Médico especialista em cirurgia de coluna e manejo de dores crônicas – CRM: 52706937

Dr. Ricardo Ferreira formou-se em medicina nos anos 90. Fez residência médica em ortopedia e traumatologia na UFRJ, e acumula em sua carreira mais de dez títulos em sua área, entre eles: Especialista em Ortopedia e Traumatologia pelo MEC, pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) e AMB (Associação Médica Brasileira); Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, e Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna; Membro da Sociedade Norte Americana de Coluna (North American Spine Society – NASS), e Especialista em Coluna e Membro da AO Spine International, Especialista em DOR (SBED), e MBA em Gestão de Saúde na COPPEAD. Parte de sua formação foi feita em um renomado centro de coluna na Europa, de onde ele trouxe algumas de suas técnicas, que ainda são consideradas pioneiras no Brasil.

Inscrições na Masterclass

A masterclass ocorre no dia 27 de maio de 2021 às 20h00. As inscrições podem ser realizadas pelo link http://bit.ly/MasterClass_DrRicardoFerreira

Anandamida, o neurotransmissor da felicidade produzido pelo nosso corpo.

Anandamida

Você sabe o que é Anandamida e como ela age no corpo humano? Leia o artigo que preparamos para você!

A Anandamida é a substância mais conhecida no sistema endocanabinoide, apesar de ter sido descoberta apenas em 1992. O ácido graxo é um neurotransmissor fundamental para o bom funcionamento do sistema endocanabinoide e para a manutenção da homeostase no corpo humano.

Presente nos sistemas nervosos central e periférico, a anandamida age e regula diversas funções fisiológicas e psicológicas. Apetite, sono, estresse, ansiedade, depressão, atividade cardíaca e memória são alguns exemplos. Sua insuficiência causa igualmente diversos problemas de saúde

Na Cannabis, o canabinoide análogo à anandamida é o THC, e abaixo explicaremos em detalhe, porque o THC e o CBD são aliados da anandamida para manter o equilíbrio do corpo humano. 

O que é anandamida e como ela atua no sistema nervoso?

Anandamida (ANA) ou N-araquidonoyletanolamina (AEA) é um neurotransmissor endógeno (produzido pelo corpo), assim como a serotonina, endorfina e dopamina. Conhecida como a substância da felicidade, seu nome deriva da palavra sânscrita “ananda” que significa alegria, êxtase, felicidade suprema.

Ela atua junto aos receptores CB1 e CB2 (receptores canabinoides). Ou seja, é um endocanabinoide. 

O CB1 predomina no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e os CB2 no sistema nervoso periférico (fibras, gânglios nervosos e órgãos terminais), que faz a comunicação entre os órgãos do corpo e sistema nervoso central (SNC). 

A descoberta da anandamida aconteceu durante pesquisas sobre os receptores CB1 e CB2, enquanto esta substância endógena atuava nestes receptores. É, portanto, a primeira substância descoberta relacionada a eles.

Como o corpo produz Anandamida?

A anandamida é produzida nas áreas do cérebro que são importantes para a memória, no processamento do pensamento e controle do movimento.

A produção desta substância ocorre do metabolismo não oxidativo do ácido araquidônico, um ácido graxo ômega-6.

Qual o papel da Anandamida?

É uma molécula mensageira, que tem sua participação em diversas atividades do corpo, como o apetite, memória, dor, depressão e fertilidade.

Pesquisas sugerem que ela possa agir na produção e quebra de conexões de curto prazo entre as células nervosas, que está relacionada à memória e à aprendizagem.

Estudos em animais mostram que o excesso de anandamida induz ao esquecimento. Isso pode significar que, se substâncias capazes de inibir a ligação da anandamida ao seu receptor pudessem ser empregadas no tratamento da perda de memória, seria possível pensar na melhoria da memória já existente. 

A FAAH é uma enzima que degrada a anandamida. Pesquisas indicam que a inibição desta enzima melhora o mecanismo analgésico endógeno mediado pela anandamida, que regula a transmissão dos sinais de dor do sistema nervoso periférico ao central.

Quando a anandamida se conecta aos receptores CB1 e CB2, ela os ativa e aciona várias reações. Além destes dois receptores, ela também atua junto a receptores vaniloides tipo 1 (VR1), que ajudam na destruição de células cancerígenas. 

Por ser um ácido graxo, a anandamida é lipossolúvel e atravessa a barreira entre cérebro e sangue. Assim, atua como um neurotransmissor no sistema nervoso, facilitando a comunicação entre as células nervosas.

Desta forma, ajuda a regular a dopamina e o transporte de moléculas de cálcio, desempenhando papel importante na condução nervosa.

No cérebro, influencia funções motoras, percepção de dor e memória. Em pequenas quantidades pode melhorar a memória, mas com quantidades excessivas pode causar a perda dela. 

No sistema cardiovascular, anandamida age como um vasodilatador, relaxando veias e artérias e permitindo sua expansão.

Esse fenômeno ocorre naturalmente quando aumentamos a temperatura do corpo, o que permite que o sangue circule próximo da superfície da pele para ser resfriado. Este mecanismo também serve para manter a pressão arterial.

Durante a gestação, a anandamida está envolvida na formação do blastocisto (uma das primeiras estruturas na formação de um embrião) no útero materno, estabelecendo as primeiras conexões entre mãe e bebê. 

A anandamida também está relacionada a um grupo de moléculas essenciais para a manutenção de uma gravidez saudável e que também provocam as contrações do parto, as prostaglandinas.

Estas estão envolvidas na resposta inflamatória, o que pode ser a causa dos efeitos anti-inflamatórios da anandamida.

Ela também parece afetar o sistema imune, uma vez que os receptores CB2 estão presentes nos glóbulos brancos.

Tanto a anandamida quanto o 2AG (outro endocanabinoide e neurotransmissor) influenciam o sistema imune a diminuir a Portanto, a anandamida tem funções anti-inflamatórias, age como neurotransmissor afetando humor (antidepressivo, daí o nome de substância da felicidade), memória e apetite, influencia a percepção da dor, dilata vasos sanguíneos e ainda atua na fertilidade e gravidez.

Semelhanças entre a Anandamida e os canabinoides

Foi Raphael Mechoulam, em 1992, quem revelou que o THC é o canabinoide análogo à anandamida. Nos anos 60 ele já tinha isolado o THC e o CBD.

A anandamida é para o THC e o sistema endocanabinoide o que um opioide alcaloide como a morfina é para o sistema opioide.

Tanto a anandamida quanto o THC se ligam aos receptores CB1 e seus efeitos no corpo humano são bastante similares, apesar de o THC ser mais potente e ficar mais tempo ativo no corpo.

Assim como a anandamida, o THC pode aliviar dor, náusea, relaxar a musculatura e estimular o apetite.

Os fitocanabinoides (canabinoides originários da Cannabis) partilham frequentemente uma estrutura molecular similar com os nossos próprios endocanabinoides. Como o THC apresenta uma forma similar à da anandamida, ele também se liga e estimula tanto os receptores CB1 como os CB2.

Ambos THC e anandamida só ativam parcialmente o receptor CB1 e se ligam parcialmente ao receptor CB2, onde atuam como um agonistas (causador de uma ação) parciais.

O que é um canabinoide?

Canabinoide é um termo genérico para designar substâncias quem atua junto aos receptores canabinoides CB1 e CB2. 

Os endocanabinoides produzidos naturalmente no nosso corpo, e fazem parte do sistema endocanabinoide. 

Os fitocanabinoides são os compostos naturais da Cannabis. São mais de 110 conhecidos, entre eles o CBD e o TCH. Outros canabinoides são o canabinol (CBN), o canabigerol (CBG), o canabicromeno (CBC) e outros. 

Depois da descoberta do sistema endocanabinoide, muito se aprendeu sobre como a Cannabis e seus canabinoides impactam o funcionamento do organismo e da mente. O receptor GPR55 é possivelmente um terceiro receptor canabinoide, e ainda há muitos outros para serem descobertos. 

Quais os benefícios do uso do canabidiol?

O canabidiol (CBD) potencializa os benefícios do THC e da anandamida. O médico Vinícius Barbosa explica: “o mais interessante é que o canabidiol também modula a ação da Anandamida e do THC no receptor CB1 via modulação alostérica, diminuindo os efeitos psicoativos do THC e conferindo ao CBD uma ação bidirecional neste sistema, como pode se observar pela curva em U invertido de efeitos do CBD”.

Ainda segundo Barbosa, “o CBD aumenta o nível circulante de anandamida ao bloquear a enzima que degrada essa substância, a FAAH.

Com isso, há um aumento da atuação dos receptores CB1 que estão envolvidos em diversos processos que controlam a ansiedade, o humor, o apetite, a dor, memória, entre outros, assim como o THC.” Além de ser mais potente que a anandamida, o THC permanece ativo por mais tempo, e o CBD também atua melhorando as concentrações da 2AG.

Um paciente com depressão pode estar com baixos níveis de anandamida. Ao tomar CBD, este equilíbrio pode ser retomado.

Em casos de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os sintomas são associados ao aumento nos níveis de anandamida, e o CBD pode ser efetivo para devolver o equilíbrio da substância. Pessoas com pouco apetite também podem se beneficiar do CBD, que aumenta os níveis de anandamida.

O efeito anti-inflamatório do CBD é possível graças aos endocanabinóides anandamida e 2-AG, que atuam nos receptores CB2. Estes controlam inflamações e influenciam os glóbulos brancos. 

Inflamações de pele como espinhas, causadas pela irritação e hiperatividade de glândulas sebáceas, podem ser resolvidas com aplicações tópicas.

As dores localizadas na superfície da pele podem ser aliviadas com CBD porque a anandamida atua no receptor TRPV-1, o receptor vanilóide que não faz parte do sistema endocanabinóide mas responde à anandamida. Esta proteína controla o calor e a sensação de dor na pele.

Ao contrário do THC, o CBD tem uma baixa afinidade de ligação tanto com os receptores CB1 como com os receptores CB2. Na realidade, as descobertas demonstram que o CBD bloqueia os recetores CB1 perante a presença de doses baixas de THC, reduzindo possivelmente os seus efeitos psicoativos.

O CBD também se liga ao receptor TRPV1, um local mais ou menos incluído no sistema endocanabinoide. A ativação deste receptor por uma série de moléculas influencia vários processos fisiológicos.

O CBD também pode estimular indiretamente os receptores CB1 e CB2 aumentando os níveis séricos da anandamida. Isto deve-se ao facto de o canabinoide aparentar inibir a enzima FAAH, que decompõe normalmente a anandamida, tornando o CBD um inibidor da recaptação de anandamida.

Como funciona o sistema endocanabinoide?

Após a descoberta de canabinoides como o THC e o CBD, os investigadores começaram a interrogar-se como é que estas moléculas exerciam as suas funções únicas no corpo humano.

Decorrido algum tempo, eles descobriram uma vasta rede de receptores celulares: o sistema endocanabinoide.

Esta descoberta não só identificou como funcionam os canabinoides como também revelou um sistema fisiológico sofisticado que ajuda o corpo a manter a homeostase, ou seja, a capacidade do organismo de manter seu equilíbrio interno.

O sistema endocanabinoide recebeu este nome porque foi a Cannabis que levou à sua descoberta. É um dos mais importantes sistemas e está envolvido em estabelecer e manter a saúde humana.

Os receptores endocanabinoides estão distribuídos por todo o corpo: membranas celulares no cérebro, órgãos, tecidos conjuntivos, glândulas e células imunes. Em cada parte do corpo executa funções diferentes, sempre com o objetivo de estabilizar o equilíbrio interno independente das variações externas (homeostase). 

O sistema endocanabinoide também está presente nas interseções dos sistemas, permitindo a comunicação e coordenação entre as células. 

Para que serve o sistema endocanabinoide?

Os recetores canabinoides desempenham um papel fundamental nas operações do sistema endocanabinoide. Estes ajudam a transmitir mensagens dos endocanabinoides de célula para célula, e das células externas para as internas. 

O sistema endocanabinoide é responsável por regular inúmeros processos: dor, inflamação, termorregulação, pressão intraocular, sensações, controle muscular, manutenção de energia, metabolismo, qualidade do sono, resposta a estresse, motivação e recompensa, humor e memória, cognitivos, fertilidade, gravidez, desenvolvimento pré e pós natal, apetite, além de mediar os efeitos farmacológicos dos fitocanabinoides.

O sistema endocanabinoide interage com quase todos os demais sistemas conhecidos do corpo humano, como os sistemas nervosos (central e periférico) através dos receptores conhecidos CB1 e CB2, sistema cardiovascular, sistema digestivo, imunológico.

Quem descobriu o sistema endocanabinoide?

Durante muitos anos, os cientistas se perguntaram por que substâncias como a morfina, que é derivada das plantas, têm um efeito biológico nos humanos.

Eles concluíram que deveria existir um receptor no cérebro ao qual a morfina se ligava e, além disso, deveria também existir uma substância produzida pelo próprio cérebro, semelhante à morfina, capaz de agir nesse receptor.

As moléculas semelhantes à morfina foram descobertas e chamadas de encefalinas, os analgésicos naturais do corpo.

O sistema endocanabinoide foi identificado pela primeira vez apenas em 1964.

O responsável pelo feito é o pesquisador radicado em Israel Raphael Mechoulam, que naquele ano viria a documentar de forma até então inédita o THC.

Foi essa descoberta que levou o químico Mechoulam a descobrir em seguida o sistema endocanabinóide, formado por uma série de enzimas presentes em diversos tecidos do corpo.

Raphael Mechoulam é um químico orgânico, de origem búlgara, radicado em Israel, conhecido mundialmente pelo isolamento, definição estrutural e síntese do THC. 

A descoberta data de 1964, quando o professor Mechoulam começou a fazer testes com haxixe e, a partir dele, descobriu o componente psicoativo da Cannabis: o THC.

Vinte anos depois, o cientista verificou que o THC, interage com o maior sistema de receptores do corpo humano, o sistema endocanabinoide.

Na década de 1980, foram descobertos receptores específicos para o THC no cérebro, chamados de receptores canabinóides. Em 1992, a busca por substâncias endógenas capazes de agir nesses receptores resultou na descoberta da anandamida. 

A anandamida foi isolada e sua estrutura foi descrita pela primeira vez no laboratório do professor Raphael Mechoulam, na Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, pelo químico tcheco Lumír Ondřej Hanuš e pelo farmacologista americano William Anthony Devane. 

Elementos do sistema endocanabinoide

Endocanabinoides

São os canabinoides produzidos naturalmente pelo próprio corpo. Moléculas sinalizadoras que atuam diretamente com os receptores do sistema endocanabinoide, as principais são a anandamida e a menos conhecida 2-AG. Esta última se liga tanto aos receptores CB1 e CB2 e parece aliviar pressão ocular.

Receptores canabinoides: O que é cb1 e cb2?

Os receptores canabinoides desempenham um papel fundamental nas operações do sistema endocanabinoide. Estes ajudam a transmitir mensagens dos endocanabinoides de célula para célula, e das células externas para as internas. 

Atualmente são conhecidos dois tipos principais de receptores: o CB1 e CB2, presentes em diferentes partes do corpo. Os canabinoides (fito ou endo) se ligam, bloqueiam, ou moldam a atividade destes receptores. Pesquisadores também consideram que o TRPV1 (receptor de potencial transitório do tipo vaniloide 1) faz parte da rede, dado que este serve como um local de ligação para o CBD, THC e anandamida.

Os receptores CB1 encontram-se majoritariamente ao longo do sistema nervoso, embora também apareçam em muitas outras áreas. São elas: cérebro, medula espinhal, células adiposas, fígado, pâncreas, músculos esqueléticos, trato intestinal, sistema reprodutor.

Os receptores CB2 são menos estudados e até o momento aparecem em quantidades muito menores do que os CB1. Sua maior presença é no sistema imune, e em menores quantidades em outras áreas do corpo, tais como: células imunes, trato gastrointestinal, fígado, células adiposas, ossos e sistema reprodutor.

Os receptores canabinoides existem na membrana de inúmeros tipos de células em todo o corpo. A membrana atua como uma barreira protetora onde os receptores respondem aos químicos no exterior da célula.

Quando um canabinoide se fixa em um receptor canabinoide, este envia um sinal para o interior da célula que provoca uma alteração temporária no funcionamento desta. A localização do receptor indica frequentemente quais processos este influencia.

Os receptores canabinoides atuam como o intermediário entre o espaço extracelular e o interior da célula. Uma vez ativados, os receptores canabinoides desencadeiam uma cascata, levando a que as células alterem a sua atividade e ativem uma mudança coletiva visando um estado de equilíbrio.

Enzimas

As enzimas são proteínas que catalisam as reações químicas. O sistema endocanabinoide apresenta enzimas que produzem e decompõem os endocanabinoides. As principais enzimas no sistema são a amida hidrolase de ácido graxo (FAAH) que decompõe a anandamida e a monoacilglicerol lipase (MAG).

Como aumentar os níveis de Anandamida no corpo?

O sistema endocanabinoide desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio da fisiologia humana. Mas o que acontece se o sistema endocanabinoide se desregular?

A investigação sugere que todos têm um “tom endocanabinoide” ideal, um termo que descreve o volume de canabinoides produzidos e que circulam pelo corpo.

Uma escassez de endocanabinoides pode desencadear um estado conhecido como deficiência endocanabinoide clínica (DEC). Para manter o sistema endocanabinóide sob controle, há algumas formas naturais:

  • Fitocanabinoides: o THC e CBD podem influenciar os receptores canabinoides. 

A ação do CBD como inibidor da enzima FAAH, que é responsável pela quebra da anandamida, permite que a substância tenha uma vida útil maior no organismo. Analogamente, este parece ser o efeito também junto à enzima 2-AG;

  • Exercício aeróbico: a anandamida é produzida durante e após atividades físicas, causando bem-estar. Resulta em efeitos antidepressivos, instigados pelo sistema endocanabinoide e turbinados pelos canabinoides da Cannabis; 
  • Chocolate: os mais escuros e com altos teores de cacau – e menos leite e açúcar na fórmula – possuem altos níveis de anandamida;
  • Trufas negras – este fungo contém anandamida e outros canabinóides;
  • Ácidos graxos ômega 3 – o corpo precisa deles para sintetizar os endocanabinoides. Os alimentos ricos em ómega-3 incluem o peixe, sementes de cânhamo, nozes, sementes de linhaça, sementes de chia e caviar;
  • Cariofileno: um terpeno encontrado em muitas ervas culinárias (e na Cannabis), o cariofileno também atua como um canabinóide dietético, ligando-se diretamente com o receptor CB2, melhorando o humor e a disposição. Alecrim, pimenta preta, lúpulo, cravo-da-índia e orégano são alimentos ricos em cariofileno;
  • Outras plantas ricas em canabinóides e os receptores aos quais se ligam:
  • Equinácea: alcamida (CB2);
  • Maca: macamida (CB1);
  • Kava: yangonina (CB1);
  • Malagueta: capsaicina (TRPV1);
  • Pimenta preta: piperina (TRPV1)
  • Gengibre: gingerol e zingerona (TRPV1);
  • Cacau: N-oleoletanolamina e N-linoleoiletanolamina (inibe a FAAH).

Os usos da Anandamida em tratamentos de doenças

Ao se conectar aos receptores CB1 e CB2, a anandamida ativa e gera várias reações. Ela também se conecta ao receptor VR1, indicando atuação na destruição de células cancerígenas.

Por ser um ácido graxo e ter passagem da corrente sanguínea para o cérebro, a anandamida age como neurotransmissor, facilitando a comunicação entre as células nervosas, sendo parte fundamental na condução nervosa, atuando no humor, memória e apetite.

No cérebro, a anandamida influencia função motora, percepção de dor e memória. 

No sistema cardiovascular, é um vasodilatador. 

Envolvida no desenvolvimento do feto, mantém uma gravidez saudável e ajuda nas contrações do parto.

Derivada do ácido araquidônico, como as prostaglandinas (responsáveis pela resposta inflamatória), a anandamida possui efeitos anti-inflamatórios.

Conclusão

Com atuação nos sistemas nervoso central, periférico, imune, cardiovascular, digestivo e reprodutivo, a anandamida tem a função básica de garantir o equilíbrio do funcionamento desses sistemas. Sendo assim, este neurotransmissor influencia funções das mais diversas: sono, humor, dor, movimento, memória, apetite, inflamação, imunidade.

Descoberta há menos de trinta anos, ainda há muito a ser pesquisado a respeito da anandamida e de todo o sistema endocanabinoide do qual ela faz parte.

Em paralelo, as descobertas acerca do fitocanabinóide análogo da anandamida, o THC, e dos demais canabinóides presentes na Cannabis, vêm acrescentando importância e interesse acerca desta substância complexa e fundamental à saúde.