Homeostase: o que é, importância e regulação com o CBD

Homeostase

Descubra o que é a homeostase, para que ela serve, quando ocorre a regulação com o CBD. Preparamos um artigo completo para você, continue lendo.

Vamos começar com um exemplo prático.

Imagine que você está no Rio de Janeiro com um calor de 40ºC à sombra. Certamente, pensaria que seria melhor se essa temperatura caísse, não?

A homeostase segue, de certa maneira, um conceito parecido em termos biológicos.

Essa analogia serve para uma infinidade de processos corpóreos, afinal, mais ou menos como diz a lei da gravidade, tudo o que sobe tem que descer.

Significa que, para os organismos vivos, tudo o que promove uma modificação em seu estado natural deve ser, de alguma forma, compensado.

Um exemplo simples disso é quando ingerimos bastante líquido.

Nesse caso, é apenas uma questão de tempo para irmos ao banheiro para eliminar o excesso.

No entanto, a homeostase é muito mais que um mecanismo de compensação.

Como veremos ao longo deste conteúdo, ela é uma condição indispensável para a vida e o bem-estar dos seres.

Avance na leitura e descubra como ela afeta a sua saúde.

O que é homeostase?

Também chamada de homeostasia, a homeostase é o conjunto de reações físico-químico-biológicas pelas quais um organismo volta à sua condição de equilíbrio.

Como veremos mais à frente, isso se aplica não só aos seres vivos, mas também ao ecossistema que os abriga.

É como se ela fosse uma “configuração” padrão de toda e qualquer forma de vida, que só se perpetua quando encontra as condições internas e externas ideais.

A homeostase, portanto, é a permanente gestão do equilíbrio corpóreo que cada indivíduo e espécie exerce, tendo em vista os efeitos provocados por variações que vêm de fora.

Qual é a importância da homeostase?

A homeostase foi descrita pela primeira vez pelo fisiologista Claude Bernard em 1859, que usou as seguintes palavras para definir o fenômeno recém-descoberto:

“Todos os mecanismos vitais, apesar de sua diversidade, têm apenas uma finalidade, a de manter constantes as condições de vida no ambiente interno.”

O termo tem origem nas expressões gregas “homeo” (igual) e “stasis” (estático).

Logo, a homeostase é a capacidade que todo ser tem de preservar as condições mais adequadas para a sua sobrevivência e o seu bem-estar.

Dessa forma, um organismo que não consegue se manter homeostático é, necessariamente, um organismo enfermo.

Ao falhar em regular os seus processos corporais, seja por alguma deficiência interna, seja por ação do meio externo, corre-se o risco de perder funções vitais e, em último caso, a vida.

Para que serve a homeostase?

A função principal da homeostase é regular os incontáveis processos que acontecem no corpo de maneira a mantê-lo dentro de uma condição normal.

Se não tivéssemos essa capacidade, certamente, já teríamos sido extintos ou, no mínimo, estaríamos em uma posição bastante inferiorizada na cadeia alimentar.

Foi a busca pelo equilíbrio, afinal, que levou o ser humano a evoluir por meio não só de adaptações morfológicas em seu corpo, como também ao utilizar ferramentas.

Nesse processo evolutivo, a homeostase tem um papel central, já que ela faz com que o organismo reaja mediante certas condições mais extremas.

Ou seja: é como se fôssemos equipados com um sofisticado sistema de alarme que indica que é hora de nos alimentar, nos aquecer ou nos proteger do calor. 

Quando ocorre a homeostase?

Na contabilidade, chama-se fluxo de caixa o componente de gestão pelo qual uma empresa gerencia as entradas e saídas de recursos das suas reservas financeiras.

De certa forma, a homeostase não deixa de ser uma espécie de “fluxo de caixa” do corpo humano, já que os processos a ela relacionados visam controlar entradas e saídas.

Quando bebemos água, por exemplo, criamos um excedente dessa substância que precisa ser eliminado tão logo ela seja absorvida e cumpra as suas funções vitais.

Assim sendo, a homeostasia acontece sempre que o corpo recebe uma “entrada”, seja de um alimento, de água ou de outro composto qualquer.

Também ocorre quando há mudanças climáticas, atmosféricas e outras mais subjetivas, como nossos diferentes estados de humor, além das reações do sistema imunológico.

Quais são os tipos de homeostase?

Já deu para perceber que não existe somente um tipo de homeostase, certo?

De fato, se considerarmos por uma perspectiva mais ampla, veremos que há categorias diferentes de processos homeostáticos, que variam conforme a espécie de reação.

Isso quer dizer que os mecanismos responsáveis por regular a ingestão de alimentos são diferentes dos que controlam a temperatura, por exemplo.

Cada um deles têm nomenclaturas próprias, devendo, por isso, ser compreendidos em contextos específicos.

Ou seja: a homeostase não se manifesta sempre da mesma forma de um organismo para outro e até em processos de natureza similar.

Vamos ver, então, quais são os diferentes tipos de homeostasia e quais reações elas são responsáveis por controlar.

Química

Toda vez que nossos pulmões absorvem oxigênio (O2) e eliminam dióxido de carbono (CO2), temos uma reação homeostática do tipo química.

É o que acontece, ainda, quando os rins eliminam uréia, regulando as concentrações iônicas e de água no organismo.

Isto é, todo procedimento que envolva a troca de substâncias no corpo pode ser classificado como uma espécie de homeostase química.

Outro exemplo comum desse tipo de processo é a regulação da glicose no sangue, feita pelo pâncreas na produção de glucagon e insulina. 

Se a glicose aumenta, o hormônio da insulina age para retirar o excesso por meio da facilitação da passagem de glicose no sangue para alguns tecidos.

Já a falta de açúcar faz com que se aumente a produção de glucagon que opera subindo o grau de açúcar no sangue através da conversão do glicogênio em glicose.

É assim que a nossa concentração de açúcar no organismo se mantém em limites toleráveis.

Trata-se de um complexo emaranhado de reações de homeostase da glicose que, em pacientes diabéticos, deixa de acontecer nos padrões normais.

Térmica

A hipotermia é uma condição na qual o corpo tem as suas funções vitais paralisadas por causa da exposição a baixas temperaturas.

No entanto, cada ser vivo tem mecanismos próprios para preservar a temperatura corporal em níveis aceitáveis, em um conjunto de processos chamado de endotermia.

Ou seja, mesmo que o clima apresente suas oscilações, todos somos capazes de manter minimamente a temperatura interna por meio de respostas induzidas pelo sistema endotérmico.

Quando sentimos frio, se o corpo não está aquecido, passa a tremer para gerar calor.

E se o calor for demais, suamos como forma de resfriar a pele e reduzir a temperatura interna.

Hídrica

Não é novidade que o corpo humano é composto em sua maior parte por água, cuja concentração é de 70% quando nascemos.

Como todo elemento químico, a água se transforma e, por isso, precisamos repô-la em estado líquido para restabelecer o equilíbrio das funções corporais.

Nesse aspecto, os rins são os órgãos mais importantes, já que eles são responsáveis por regular as concentrações de água e vários tipos iônicos, além de excretar a ureia.

Eles também são os encarregados por responder ao hormônio antidiurético (ADH) produzido pelo hipotálamo.

A função dessa substância é evitar a perda de água, o que levaria o organismo a desidratar.

Portanto, em momentos nos quais a concentração de sais é maior, o ADH é produzido para barrar a saída de água do corpo.

O que é a quebra da homeostase?

Organismos que conseguem manter a homeostase em condições extremas são mais fortes.

Essa é a essência do processo adaptativo, aquele descoberto por Charles Darwin e que ainda norteia diversos estudos científicos até hoje.

Coincidentemente, Darwin publicou suas ideias pela primeira vez em 1859, ano em que, como vimos, Claude Bernard foi pioneiro em descrever a homeostase.

Pois a quebra da homeostase, de certo modo, é o que diferencia “meninos de homens” na natureza. 

Quem se mantém vivo, a despeito das circunstâncias externas, tende a sobreviver, enquanto aqueles que não conseguem ajustar sua homeostase sucumbem.

Por outro lado, a quebra desse processo também pode ser induzida, como acontece com atletas que buscam adaptar seus corpos a condições competitivas.

Outra forma de haver essa ruptura é quando somos acometidos por doenças, sejam elas congênitas, autoimunes ou causadas por vírus e outros vetores.

Qual é a diferença entre homeostase e estado estável?

Todos nós, em algum momento, ouvimos ou lemos no noticiário que uma pessoa está hospitalizada em estado estável.

Embora essa expressão remeta a uma ideia de homeostase, na prática, existem diferenças consideráveis entre os termos.

Isso porque homeostase é a condição na qual um organismo encontra-se em um ponto de normalidade constante.

Já o estado estável indica que um quadro clínico é considerado estático, embora o indivíduo ainda não esteja nas circunstâncias ideais de saúde.

O que é sistema endocanabinoide e qual é sua relação com a homeostase?

De onde vem a homeostase, afinal? Que tipo de órgãos, substâncias ou fluidos estão envolvidos em seus mecanismos?

Foi somente na década de 1960 que viemos a descobrir que temos um sistema exclusivamente dedicado a regular os processos homeostáticos.

Ele se chama sistema endocanabinoide e o seu descobridor foi o químico Raphael Mechoulam.

Portanto, homeostase tem tudo a ver com esse sistema, no qual os canabinoides são os grandes protagonistas.

Ao se ligarem aos receptores endocanabinoides, eles promovem uma série de efeitos que, por sua vez, levam o organismo a restabelecer sua condição de equilíbrio. 

Quais são os benefícios do canabidiol (CBD) na regulação da homeostase?

A descoberta do sistema endocanabinoide fez com que a comunidade médica e científica redescobrisse o enorme valor das plantas do gênero Cannabis.

Isso porque não é de hoje que os principais compostos extraídos delas, os canabinoides, são usados com fins medicinais.

A diferença é que, somente nos últimos 60 anos, a ciência parece, enfim, ter levado mais a sério os canabinoides, embora a espécie mais comum, a Cannabis sativa, tenha sido catalogada no distante ano de 1753 por Carolus Linnaeus.

Nas últimas décadas, a ciência vem se debruçando sobre as propriedades dos fitocanabinoides extraídos da sativa e de outras subespécies.

Veja a seguir quais são.

Ação anti-inflamatória

Processos inflamatórios são, de certa forma, um dos muitos “inimigos” da homeostase.

Eles se caracterizam pelo aumento da circulação sanguínea na região do corpo afetada como uma resposta a eventuais ataques de agentes externos ou ferimentos.

Esse crescimento na circulação é a maneira que o organismo encontra para enviar ao local enfermo os mecanismos de defesa presentes em nosso sistema imunológico.

Pois o sistema endocanabinoide também pode interferir nesses processos, por meio de substâncias como o canabidiol (CBD), que tem propriedades anti-inflamatórias.

Esses atributos foram documentados em uma pesquisa conduzida pela Universidade de Białystok, Polônia.

No estudo, concluiu-se que:

“O CBD parece ser o preferido entre os compostos do grupo fitocanabinoide. Independentemente dos efeitos farmacológicos benéficos do próprio CBD, se esse composto estiver presente no ambiente do THC, os efeitos indesejáveis são reduzidos, o que melhora seu perfil de segurança.”

Efeito analgésico

Embora a dor seja, de certo modo, uma forma de se restabelecer a homeostase, nem sempre ela é tolerável e, em alguns casos, o melhor a se fazer é suprimi-la.

O CBD pode ajudar nesse aspecto, trazendo alívio para pessoas que sofrem com dores agudas, algumas inclusive causadas por tratamentos agressivos, como do câncer.

Sobre isso, vale destacar um estudo de caso feito pelos pesquisadores Zack Cernovsky e Larry Craig Litman, da Universidade de Ontário, Canadá.

Eles investigaram os efeitos da medicação à base de CBD em pessoas com dores crônicas causadas por traumas em acidentes de carro, chegando à seguinte conclusão:

“Os casos apresentados neste artigo sugerem que pelo menos alguns pacientes com dor intensa e sintomas neurológicos graves podem se beneficiar dos óleos de Cannabis, mais do que dos analgésicos opioides e não opioides amplamente prescritos.”

Atuação neuroprotetora

Desequilíbrios no sistema nervoso central (SNC) podem levar a doenças graves, como a epilepsia e a psicose.

Para restabelecer a normalidade, o canabidiol vem se mostrando um poderoso aliado, até mesmo para tratar de condições neurodegenerativas.

Sobre isso, destacamos um estudo conduzido pelos cientistas Walter Milano e Anna Capasso, em que o foco foi o uso do CBD como agente neuroprotetor em processos de degeneração no SNC.

Veja o que eles concluíram:

“As atividades neuroprotetoras dos endocanabinoides parecem ser mediadas principalmente por CB1, portanto, há caminhos promissores para o uso terapêutico em diferentes aspectos das doenças neurodegenerativas, por estimular o sistema endógeno autoprotetor do cérebro e neutralizar o estresse oxidativo.”

Equilíbrio do humor

Os transtornos de humor são um sinal claro de que algo não está em equilíbrio no corpo, especialmente nas funções cerebrais.

Por sua vez, em doenças como a de Alzheimer, a neurodegeneração pode levar não só à demência como ao aumento na agressividade.

Nesses casos, o CBD promove recuperações que parecem milagre de tão incríveis, como foi com o seu Ivo Suzin. 

Diagnosticado com Alzheimer, sua família já não sabia mais o que fazer para conter seus constantes ataques e agressões, quando decidiu tentar o canabidiol.

Veja o resultado e o desfecho dessa emocionante história .

No entanto, a ciência também está atenta às propriedades do CBD como regulador do humor em outros casos, como o de pessoas que sofrem de transtorno bipolar.

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Newcastle, Inglaterra, traz evidências de que, além do CBD, o tetrahidrocanabinol (THC) também pode ajudar a restaurar o equilíbrio em pacientes com esse tipo de distúrbio de humor:

“(…) ambos, THC e CBD, têm propriedades farmacológicas que podem ser terapêuticas em pacientes com Transtorno Bipolar. Além disso, a evidência farmacocinética disponível já indica métodos ideais de administração e controle de dosagem.”

Alternativa 100% natural

Não se pode ignorar, ainda, que o CBD é, desde sempre, uma alternativa natural aos medicamentos controlados, alguns dos quais causam efeitos adversos importantes.

Além disso, os canabinoides são substâncias em geral muito bem toleradas pelo organismo, onde são prontamente recrutados pelo sistema endocanabinoide.

É por isso que cada vez mais tratamentos com medicamentos convencionais vêm sendo substituídos pelo uso da Cannabis medicinal.

Além de naturalmente absorvidos, os canabinoides também produzem efeitos mais rápidos e duradouros, ajudando na recuperação até mesmo de doentes em estado avançado.

Poucos efeitos adversos

A interação dos fitocanabinoides com outras células do organismo é sempre mediada pelo sistema endocanabinoide.

Talvez por isso sejam relatados muito poucas reações adversas em pessoas submetidas a tratamentos com o CBD.

A propósito, há pesquisas dedicadas exclusivamente a analisar a prevalência dos efeitos colaterais do CBD, como esta, realizada pela Nova Institut, na Alemanha. 

Nesse estudo de caso, foram feitos testes em camundongos, que receberam doses de 60mg de CBD por 12 semanas, três vezes a cada sete dias.

Os resultados não poderiam ser mais satisfatórios, já que, segundo os pesquisadores, o perfil de segurança do CBD já está estabelecido de uma infinidade de maneiras, embora enfatizem a necessidade de mais pesquisas.

Conclusão

Por tudo que vimos ao longo deste conteúdo, não é exagero indicar a Cannabis medicinal como uma alternativa das mais seguras para restabelecer a homeostase em todos os níveis.

Casos de pacientes que se recuperaram até mesmo de quadros avançados (alguns desenganados pelos médicos) e as pesquisas parecem de fato apontar para um futuro promissor.

Por isso, não deixe de acompanhar os últimos avanços, lendo os conteúdos publicados aqui, no blog da Tegra Pharma, a farmacêutica do grupo OnixCann.

Dr. Ricardo Ferreira é o novo convidado para a Masterclass exclusiva para médicos.

Ricardo Ferreira Masterclass

O médico Ricardo Ferreira passou boa parte da carreira buscando uma forma de aliviar a dor de seus pacientes. Foi de cirurgião de coluna a especialista em dor, quando percebeu que as as alternativas terapêuticas tradicionais não funcionavam. Nessa busca, acabou por se tornar uma figura fundamental na história da Cannabis no Brasil.

Nesta masterclass online e gratuita o médico irá abordar o tratamento das dores crônicas com a Cannabis Medicinal que ocorrerá na quinta-feira, dia 27 de maio às 20h00.

Tópicos da Masterclass

  • Como classificar as dores crônicas;
  • Os principais mecanismos e vias de transmissão da dor;
  • Apresentação clínica das principais patologias que causam dor crônica;
  • Bases científicas do uso da Cannabis para controle da dor;
  • A Cannabis aplicada ao tratamento de dores crônicas;
  • Posologia aplicável, vias de administração, interações e contraindicações;
  • Análise de casos clínicos;
  • Respostas as perguntas dos médicos participantes.

Dr. Ricardo Ferreira

Médico especialista em cirurgia de coluna e manejo de dores crônicas – CRM: 52706937

Dr. Ricardo Ferreira formou-se em medicina nos anos 90. Fez residência médica em ortopedia e traumatologia na UFRJ, e acumula em sua carreira mais de dez títulos em sua área, entre eles: Especialista em Ortopedia e Traumatologia pelo MEC, pela SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia) e AMB (Associação Médica Brasileira); Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, e Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna; Membro da Sociedade Norte Americana de Coluna (North American Spine Society – NASS), e Especialista em Coluna e Membro da AO Spine International, Especialista em DOR (SBED), e MBA em Gestão de Saúde na COPPEAD. Parte de sua formação foi feita em um renomado centro de coluna na Europa, de onde ele trouxe algumas de suas técnicas, que ainda são consideradas pioneiras no Brasil.

Inscrições na Masterclass

A masterclass ocorre no dia 27 de maio de 2021 às 20h00. As inscrições podem ser realizadas pelo link http://bit.ly/MasterClass_DrRicardoFerreira

Anandamida, o neurotransmissor da felicidade produzido pelo nosso corpo.

Anandamida

Você sabe o que é Anandamida e como ela age no corpo humano? Leia o artigo que preparamos para você!

A Anandamida é a substância mais conhecida no sistema endocanabinoide, apesar de ter sido descoberta apenas em 1992. O ácido graxo é um neurotransmissor fundamental para o bom funcionamento do sistema endocanabinoide e para a manutenção da homeostase no corpo humano.

Presente nos sistemas nervosos central e periférico, a anandamida age e regula diversas funções fisiológicas e psicológicas. Apetite, sono, estresse, ansiedade, depressão, atividade cardíaca e memória são alguns exemplos. Sua insuficiência causa igualmente diversos problemas de saúde

Na Cannabis, o canabinoide análogo à anandamida é o THC, e abaixo explicaremos em detalhe, porque o THC e o CBD são aliados da anandamida para manter o equilíbrio do corpo humano. 

O que é anandamida e como ela atua no sistema nervoso?

Anandamida (ANA) ou N-araquidonoyletanolamina (AEA) é um neurotransmissor endógeno (produzido pelo corpo), assim como a serotonina, endorfina e dopamina. Conhecida como a substância da felicidade, seu nome deriva da palavra sânscrita “ananda” que significa alegria, êxtase, felicidade suprema.

Ela atua junto aos receptores CB1 e CB2 (receptores canabinoides). Ou seja, é um endocanabinoide. 

O CB1 predomina no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e os CB2 no sistema nervoso periférico (fibras, gânglios nervosos e órgãos terminais), que faz a comunicação entre os órgãos do corpo e sistema nervoso central (SNC). 

A descoberta da anandamida aconteceu durante pesquisas sobre os receptores CB1 e CB2, enquanto esta substância endógena atuava nestes receptores. É, portanto, a primeira substância descoberta relacionada a eles.

Como o corpo produz Anandamida?

A anandamida é produzida nas áreas do cérebro que são importantes para a memória, no processamento do pensamento e controle do movimento.

A produção desta substância ocorre do metabolismo não oxidativo do ácido araquidônico, um ácido graxo ômega-6.

Qual o papel da Anandamida?

É uma molécula mensageira, que tem sua participação em diversas atividades do corpo, como o apetite, memória, dor, depressão e fertilidade.

Pesquisas sugerem que ela possa agir na produção e quebra de conexões de curto prazo entre as células nervosas, que está relacionada à memória e à aprendizagem.

Estudos em animais mostram que o excesso de anandamida induz ao esquecimento. Isso pode significar que, se substâncias capazes de inibir a ligação da anandamida ao seu receptor pudessem ser empregadas no tratamento da perda de memória, seria possível pensar na melhoria da memória já existente. 

A FAAH é uma enzima que degrada a anandamida. Pesquisas indicam que a inibição desta enzima melhora o mecanismo analgésico endógeno mediado pela anandamida, que regula a transmissão dos sinais de dor do sistema nervoso periférico ao central.

Quando a anandamida se conecta aos receptores CB1 e CB2, ela os ativa e aciona várias reações. Além destes dois receptores, ela também atua junto a receptores vaniloides tipo 1 (VR1), que ajudam na destruição de células cancerígenas. 

Por ser um ácido graxo, a anandamida é lipossolúvel e atravessa a barreira entre cérebro e sangue. Assim, atua como um neurotransmissor no sistema nervoso, facilitando a comunicação entre as células nervosas.

Desta forma, ajuda a regular a dopamina e o transporte de moléculas de cálcio, desempenhando papel importante na condução nervosa.

No cérebro, influencia funções motoras, percepção de dor e memória. Em pequenas quantidades pode melhorar a memória, mas com quantidades excessivas pode causar a perda dela. 

No sistema cardiovascular, anandamida age como um vasodilatador, relaxando veias e artérias e permitindo sua expansão.

Esse fenômeno ocorre naturalmente quando aumentamos a temperatura do corpo, o que permite que o sangue circule próximo da superfície da pele para ser resfriado. Este mecanismo também serve para manter a pressão arterial.

Durante a gestação, a anandamida está envolvida na formação do blastocisto (uma das primeiras estruturas na formação de um embrião) no útero materno, estabelecendo as primeiras conexões entre mãe e bebê. 

A anandamida também está relacionada a um grupo de moléculas essenciais para a manutenção de uma gravidez saudável e que também provocam as contrações do parto, as prostaglandinas.

Estas estão envolvidas na resposta inflamatória, o que pode ser a causa dos efeitos anti-inflamatórios da anandamida.

Ela também parece afetar o sistema imune, uma vez que os receptores CB2 estão presentes nos glóbulos brancos.

Tanto a anandamida quanto o 2AG (outro endocanabinoide e neurotransmissor) influenciam o sistema imune a diminuir a Portanto, a anandamida tem funções anti-inflamatórias, age como neurotransmissor afetando humor (antidepressivo, daí o nome de substância da felicidade), memória e apetite, influencia a percepção da dor, dilata vasos sanguíneos e ainda atua na fertilidade e gravidez.

Semelhanças entre a Anandamida e os canabinoides

Foi Raphael Mechoulam, em 1992, quem revelou que o THC é o canabinoide análogo à anandamida. Nos anos 60 ele já tinha isolado o THC e o CBD.

A anandamida é para o THC e o sistema endocanabinoide o que um opioide alcaloide como a morfina é para o sistema opioide.

Tanto a anandamida quanto o THC se ligam aos receptores CB1 e seus efeitos no corpo humano são bastante similares, apesar de o THC ser mais potente e ficar mais tempo ativo no corpo.

Assim como a anandamida, o THC pode aliviar dor, náusea, relaxar a musculatura e estimular o apetite.

Os fitocanabinoides (canabinoides originários da Cannabis) partilham frequentemente uma estrutura molecular similar com os nossos próprios endocanabinoides. Como o THC apresenta uma forma similar à da anandamida, ele também se liga e estimula tanto os receptores CB1 como os CB2.

Ambos THC e anandamida só ativam parcialmente o receptor CB1 e se ligam parcialmente ao receptor CB2, onde atuam como um agonistas (causador de uma ação) parciais.

O que é um canabinoide?

Canabinoide é um termo genérico para designar substâncias quem atua junto aos receptores canabinoides CB1 e CB2. 

Os endocanabinoides produzidos naturalmente no nosso corpo, e fazem parte do sistema endocanabinoide. 

Os fitocanabinoides são os compostos naturais da Cannabis. São mais de 110 conhecidos, entre eles o CBD e o TCH. Outros canabinoides são o canabinol (CBN), o canabigerol (CBG), o canabicromeno (CBC) e outros. 

Depois da descoberta do sistema endocanabinoide, muito se aprendeu sobre como a Cannabis e seus canabinoides impactam o funcionamento do organismo e da mente. O receptor GPR55 é possivelmente um terceiro receptor canabinoide, e ainda há muitos outros para serem descobertos. 

Quais os benefícios do uso do canabidiol?

O canabidiol (CBD) potencializa os benefícios do THC e da anandamida. O médico Vinícius Barbosa explica: “o mais interessante é que o canabidiol também modula a ação da Anandamida e do THC no receptor CB1 via modulação alostérica, diminuindo os efeitos psicoativos do THC e conferindo ao CBD uma ação bidirecional neste sistema, como pode se observar pela curva em U invertido de efeitos do CBD”.

Ainda segundo Barbosa, “o CBD aumenta o nível circulante de anandamida ao bloquear a enzima que degrada essa substância, a FAAH.

Com isso, há um aumento da atuação dos receptores CB1 que estão envolvidos em diversos processos que controlam a ansiedade, o humor, o apetite, a dor, memória, entre outros, assim como o THC.” Além de ser mais potente que a anandamida, o THC permanece ativo por mais tempo, e o CBD também atua melhorando as concentrações da 2AG.

Um paciente com depressão pode estar com baixos níveis de anandamida. Ao tomar CBD, este equilíbrio pode ser retomado.

Em casos de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os sintomas são associados ao aumento nos níveis de anandamida, e o CBD pode ser efetivo para devolver o equilíbrio da substância. Pessoas com pouco apetite também podem se beneficiar do CBD, que aumenta os níveis de anandamida.

O efeito anti-inflamatório do CBD é possível graças aos endocanabinóides anandamida e 2-AG, que atuam nos receptores CB2. Estes controlam inflamações e influenciam os glóbulos brancos. 

Inflamações de pele como espinhas, causadas pela irritação e hiperatividade de glândulas sebáceas, podem ser resolvidas com aplicações tópicas.

As dores localizadas na superfície da pele podem ser aliviadas com CBD porque a anandamida atua no receptor TRPV-1, o receptor vanilóide que não faz parte do sistema endocanabinóide mas responde à anandamida. Esta proteína controla o calor e a sensação de dor na pele.

Ao contrário do THC, o CBD tem uma baixa afinidade de ligação tanto com os receptores CB1 como com os receptores CB2. Na realidade, as descobertas demonstram que o CBD bloqueia os recetores CB1 perante a presença de doses baixas de THC, reduzindo possivelmente os seus efeitos psicoativos.

O CBD também se liga ao receptor TRPV1, um local mais ou menos incluído no sistema endocanabinoide. A ativação deste receptor por uma série de moléculas influencia vários processos fisiológicos.

O CBD também pode estimular indiretamente os receptores CB1 e CB2 aumentando os níveis séricos da anandamida. Isto deve-se ao facto de o canabinoide aparentar inibir a enzima FAAH, que decompõe normalmente a anandamida, tornando o CBD um inibidor da recaptação de anandamida.

Como funciona o sistema endocanabinoide?

Após a descoberta de canabinoides como o THC e o CBD, os investigadores começaram a interrogar-se como é que estas moléculas exerciam as suas funções únicas no corpo humano.

Decorrido algum tempo, eles descobriram uma vasta rede de receptores celulares: o sistema endocanabinoide.

Esta descoberta não só identificou como funcionam os canabinoides como também revelou um sistema fisiológico sofisticado que ajuda o corpo a manter a homeostase, ou seja, a capacidade do organismo de manter seu equilíbrio interno.

O sistema endocanabinoide recebeu este nome porque foi a Cannabis que levou à sua descoberta. É um dos mais importantes sistemas e está envolvido em estabelecer e manter a saúde humana.

Os receptores endocanabinoides estão distribuídos por todo o corpo: membranas celulares no cérebro, órgãos, tecidos conjuntivos, glândulas e células imunes. Em cada parte do corpo executa funções diferentes, sempre com o objetivo de estabilizar o equilíbrio interno independente das variações externas (homeostase). 

O sistema endocanabinoide também está presente nas interseções dos sistemas, permitindo a comunicação e coordenação entre as células. 

Para que serve o sistema endocanabinoide?

Os recetores canabinoides desempenham um papel fundamental nas operações do sistema endocanabinoide. Estes ajudam a transmitir mensagens dos endocanabinoides de célula para célula, e das células externas para as internas. 

O sistema endocanabinoide é responsável por regular inúmeros processos: dor, inflamação, termorregulação, pressão intraocular, sensações, controle muscular, manutenção de energia, metabolismo, qualidade do sono, resposta a estresse, motivação e recompensa, humor e memória, cognitivos, fertilidade, gravidez, desenvolvimento pré e pós natal, apetite, além de mediar os efeitos farmacológicos dos fitocanabinoides.

O sistema endocanabinoide interage com quase todos os demais sistemas conhecidos do corpo humano, como os sistemas nervosos (central e periférico) através dos receptores conhecidos CB1 e CB2, sistema cardiovascular, sistema digestivo, imunológico.

Quem descobriu o sistema endocanabinoide?

Durante muitos anos, os cientistas se perguntaram por que substâncias como a morfina, que é derivada das plantas, têm um efeito biológico nos humanos.

Eles concluíram que deveria existir um receptor no cérebro ao qual a morfina se ligava e, além disso, deveria também existir uma substância produzida pelo próprio cérebro, semelhante à morfina, capaz de agir nesse receptor.

As moléculas semelhantes à morfina foram descobertas e chamadas de encefalinas, os analgésicos naturais do corpo.

O sistema endocanabinoide foi identificado pela primeira vez apenas em 1964.

O responsável pelo feito é o pesquisador radicado em Israel Raphael Mechoulam, que naquele ano viria a documentar de forma até então inédita o THC.

Foi essa descoberta que levou o químico Mechoulam a descobrir em seguida o sistema endocanabinóide, formado por uma série de enzimas presentes em diversos tecidos do corpo.

Raphael Mechoulam é um químico orgânico, de origem búlgara, radicado em Israel, conhecido mundialmente pelo isolamento, definição estrutural e síntese do THC. 

A descoberta data de 1964, quando o professor Mechoulam começou a fazer testes com haxixe e, a partir dele, descobriu o componente psicoativo da Cannabis: o THC.

Vinte anos depois, o cientista verificou que o THC, interage com o maior sistema de receptores do corpo humano, o sistema endocanabinoide.

Na década de 1980, foram descobertos receptores específicos para o THC no cérebro, chamados de receptores canabinóides. Em 1992, a busca por substâncias endógenas capazes de agir nesses receptores resultou na descoberta da anandamida. 

A anandamida foi isolada e sua estrutura foi descrita pela primeira vez no laboratório do professor Raphael Mechoulam, na Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, pelo químico tcheco Lumír Ondřej Hanuš e pelo farmacologista americano William Anthony Devane. 

Elementos do sistema endocanabinoide

Endocanabinoides

São os canabinoides produzidos naturalmente pelo próprio corpo. Moléculas sinalizadoras que atuam diretamente com os receptores do sistema endocanabinoide, as principais são a anandamida e a menos conhecida 2-AG. Esta última se liga tanto aos receptores CB1 e CB2 e parece aliviar pressão ocular.

Receptores canabinoides: O que é cb1 e cb2?

Os receptores canabinoides desempenham um papel fundamental nas operações do sistema endocanabinoide. Estes ajudam a transmitir mensagens dos endocanabinoides de célula para célula, e das células externas para as internas. 

Atualmente são conhecidos dois tipos principais de receptores: o CB1 e CB2, presentes em diferentes partes do corpo. Os canabinoides (fito ou endo) se ligam, bloqueiam, ou moldam a atividade destes receptores. Pesquisadores também consideram que o TRPV1 (receptor de potencial transitório do tipo vaniloide 1) faz parte da rede, dado que este serve como um local de ligação para o CBD, THC e anandamida.

Os receptores CB1 encontram-se majoritariamente ao longo do sistema nervoso, embora também apareçam em muitas outras áreas. São elas: cérebro, medula espinhal, células adiposas, fígado, pâncreas, músculos esqueléticos, trato intestinal, sistema reprodutor.

Os receptores CB2 são menos estudados e até o momento aparecem em quantidades muito menores do que os CB1. Sua maior presença é no sistema imune, e em menores quantidades em outras áreas do corpo, tais como: células imunes, trato gastrointestinal, fígado, células adiposas, ossos e sistema reprodutor.

Os receptores canabinoides existem na membrana de inúmeros tipos de células em todo o corpo. A membrana atua como uma barreira protetora onde os receptores respondem aos químicos no exterior da célula.

Quando um canabinoide se fixa em um receptor canabinoide, este envia um sinal para o interior da célula que provoca uma alteração temporária no funcionamento desta. A localização do receptor indica frequentemente quais processos este influencia.

Os receptores canabinoides atuam como o intermediário entre o espaço extracelular e o interior da célula. Uma vez ativados, os receptores canabinoides desencadeiam uma cascata, levando a que as células alterem a sua atividade e ativem uma mudança coletiva visando um estado de equilíbrio.

Enzimas

As enzimas são proteínas que catalisam as reações químicas. O sistema endocanabinoide apresenta enzimas que produzem e decompõem os endocanabinoides. As principais enzimas no sistema são a amida hidrolase de ácido graxo (FAAH) que decompõe a anandamida e a monoacilglicerol lipase (MAG).

Como aumentar os níveis de Anandamida no corpo?

O sistema endocanabinoide desempenha um papel fundamental na manutenção do equilíbrio da fisiologia humana. Mas o que acontece se o sistema endocanabinoide se desregular?

A investigação sugere que todos têm um “tom endocanabinoide” ideal, um termo que descreve o volume de canabinoides produzidos e que circulam pelo corpo.

Uma escassez de endocanabinoides pode desencadear um estado conhecido como deficiência endocanabinoide clínica (DEC). Para manter o sistema endocanabinóide sob controle, há algumas formas naturais:

  • Fitocanabinoides: o THC e CBD podem influenciar os receptores canabinoides. 

A ação do CBD como inibidor da enzima FAAH, que é responsável pela quebra da anandamida, permite que a substância tenha uma vida útil maior no organismo. Analogamente, este parece ser o efeito também junto à enzima 2-AG;

  • Exercício aeróbico: a anandamida é produzida durante e após atividades físicas, causando bem-estar. Resulta em efeitos antidepressivos, instigados pelo sistema endocanabinoide e turbinados pelos canabinoides da Cannabis; 
  • Chocolate: os mais escuros e com altos teores de cacau – e menos leite e açúcar na fórmula – possuem altos níveis de anandamida;
  • Trufas negras – este fungo contém anandamida e outros canabinóides;
  • Ácidos graxos ômega 3 – o corpo precisa deles para sintetizar os endocanabinoides. Os alimentos ricos em ómega-3 incluem o peixe, sementes de cânhamo, nozes, sementes de linhaça, sementes de chia e caviar;
  • Cariofileno: um terpeno encontrado em muitas ervas culinárias (e na Cannabis), o cariofileno também atua como um canabinóide dietético, ligando-se diretamente com o receptor CB2, melhorando o humor e a disposição. Alecrim, pimenta preta, lúpulo, cravo-da-índia e orégano são alimentos ricos em cariofileno;
  • Outras plantas ricas em canabinóides e os receptores aos quais se ligam:
  • Equinácea: alcamida (CB2);
  • Maca: macamida (CB1);
  • Kava: yangonina (CB1);
  • Malagueta: capsaicina (TRPV1);
  • Pimenta preta: piperina (TRPV1)
  • Gengibre: gingerol e zingerona (TRPV1);
  • Cacau: N-oleoletanolamina e N-linoleoiletanolamina (inibe a FAAH).

Os usos da Anandamida em tratamentos de doenças

Ao se conectar aos receptores CB1 e CB2, a anandamida ativa e gera várias reações. Ela também se conecta ao receptor VR1, indicando atuação na destruição de células cancerígenas.

Por ser um ácido graxo e ter passagem da corrente sanguínea para o cérebro, a anandamida age como neurotransmissor, facilitando a comunicação entre as células nervosas, sendo parte fundamental na condução nervosa, atuando no humor, memória e apetite.

No cérebro, a anandamida influencia função motora, percepção de dor e memória. 

No sistema cardiovascular, é um vasodilatador. 

Envolvida no desenvolvimento do feto, mantém uma gravidez saudável e ajuda nas contrações do parto.

Derivada do ácido araquidônico, como as prostaglandinas (responsáveis pela resposta inflamatória), a anandamida possui efeitos anti-inflamatórios.

Conclusão

Com atuação nos sistemas nervoso central, periférico, imune, cardiovascular, digestivo e reprodutivo, a anandamida tem a função básica de garantir o equilíbrio do funcionamento desses sistemas. Sendo assim, este neurotransmissor influencia funções das mais diversas: sono, humor, dor, movimento, memória, apetite, inflamação, imunidade.

Descoberta há menos de trinta anos, ainda há muito a ser pesquisado a respeito da anandamida e de todo o sistema endocanabinoide do qual ela faz parte.

Em paralelo, as descobertas acerca do fitocanabinóide análogo da anandamida, o THC, e dos demais canabinóides presentes na Cannabis, vêm acrescentando importância e interesse acerca desta substância complexa e fundamental à saúde.

Dr. Vinicius Barbosa realiza masterclass exclusiva para médicos sobre autismo

Masterclass Autismo

Psiquiatra e prescritor de Cannabis medicinal, o médico irá abordar o tratamento do autismo com a planta.

Vinicius Barbosa, renomado psiquiatra e prescritor de Cannabis medicinal, tem até lista de espera de pacientes. Ainda assim, encontra tempo para outra importante missão: repassar seus conhecimentos sobre os usos terapêuticos da Cannabis.

Na quinta-feira, dia 06 de maio às 20h00, o médico irá ministrar uma masterclass online gratuita sobre o tema.

Tópicos da Masterclass

Confira os tópicos que serão abordados pelo médico:

-O transtorno do espectro do autismo (TEA)

-Principais causas

-A Cannabis aplicada ao tratamento do autismo

-Bases científicas do uso da Cannabis

-Posologia aplicável

-Casos clínicos

-Respostas as perguntas dos médicos participantes

Dr. Vinicius Barbosa

O médico é graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a residência em psiquiatria, Dr. Vinícius realizou um trabalho temporário em Ji-Paraná, em Rondônia. Atendia principalmente pacientes com autismo.

Em um desses casos, conheceu uma menina de sete anos, com quadro grave de autismo e crises de epilepsia, que não tolerava o uso dos remédios tradicionais. Ela apresentava uma série de problemas motores e cognitivos. Foi aí que uma colega pediatra, Camila Milagres, falou sobre o uso da Cannabis.

A partir desse dia, Barbosa passou a estudar o uso terapêutico da planta. Sentiu-se seguro e receitou os óleos à garota. O resultado surpreendeu: ela apresentou melhores motoras, cognitivas, de interação, redução de crises convulsivas.

E, assim, o psiquiatra mergulhou no mundo da Cannabis medicinal, com participação em cursos e palestras. Hoje, quase 90% dos pacientes chegam ao seu consultório atrás do tratamento com Cannabis.

No currículo do médico ainda consta Residência em Psiquiatria pelo Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira (Campinas). Diretor da Clínica-Escola para Autistas Espaço Avançar. Professor do Curso Superior Universitário Internacional sobre Cannabis Medicinal – Universidade de Buenos Aires – UBA. Membro do Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (LEIPSI) da UNICAMP. Colaborador do Observatório do Uso de Medicamentos e Outras Drogas – UNIFESP e pesquisador do Sistema Endocanabinoide.

Inscrições na Masterclass

A masterclass ocorre no dia 06 de maio de 2021 às 20h00. As inscrições podem ser realizadas pelo link http://bit.ly/masterclassviniciusbarbosa

Como prescrever Cannabis Medicinal no Brasil

Receita Médica

Confira neste artigo todas as informações que você precisa saber para prescrever produtos importados de Cannabis.

Há anos no Brasil, o médico pode prescrever legalmente a Cannabis Medicinal para seus pacientes.

Em janeiro de 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, retirou o canabidiol (CBD) da lista de substâncias proibidas no país, com essa medida, o CBD passou a ser controlado e enquadrado na lista C1 da Portaria 344/98, que reúne as substâncias sujeitas a controle especial.

No dia 24 de janeiro de 2020 a resolução – RDC Nº 335 da ANVISA,  facilitou e redefiniu os critérios e os procedimentos para a importação de Produto derivado de Cannabis, por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado, para tratamento de saúde.

Com esta nova RDC, a Anvisa eliminou a necessidade de anexar o laudo médico, prevista na resolução anterior, além de ter modernizado o preenchimento do formulário de solicitação e do termo de responsabilidade, não exigindo a informação da quantidade de produtos a ser importada, aumentado o prazo de validade da autorização para 2 anos e simplificando a documentação exigida passando apenas a prescrição médica e o preenchimento de formulário único no Portal de Serviços do Governo Federal.

O que fez com que a importação de produtos de Cannabis segundo dados da própria Anvisa quase dobrasse em 2020, foram 43 pedidos diários.

Chama atenção o número de solicitações por indicação médica. São mais de 300 doenças ou condições. Os maiores números foram epilepsia, autismo e ansiedade.

Em todo o ano passado, foram 15.862 pedidos de pacientes ou familiares sendo que em 2019, a Anvisa recebeu 8.522 pedidos.

Os pedidos sobem rapidamente a cada ano, desde 2015, quando as importações individuais foram autorizadas pela Anvisa. No primeiro ano, foram apenas 850 pedidos. O número se manteve estável no ano seguinte (872) até começarem a disparar a cada ano: foram 2,1 mil em 2017 e 3,5 mil em 2018.

O Processo de importação de Cannabis Medicinal

Para que o paciente tenha acesso legal aos produtos de Cannabis Medicinal no Brasil, é necessário que o paciente percorra algumas etapas necessárias:

  1. Realizar uma consulta médica e obter a prescrição do produto de Cannabis por meio da receita médica;
  2. Preencher o cadastro no formulário de solicitação de importação;
  3. A ANVISA irá analisar o pedido de solicitação de importação do paciente e emitir a autorização para o paciente importar o produto;
  4. Paciente realiza a aquisição e importação do produto;
  5. ANVISA libera a importação na alfândega e o produto chega na casa do paciente, mesmo endereço cadastrado no formulário de solicitação de importação.

Quais dados devem conter no cadastro de formulário de solicitação de importação da ANVISA?

  1. Prescrição Médica (RECEITA);
  2. Documento de Identidade RG ou CNH do paciente e/ou responsável legal;
  3. Comprovante de residência atual;
  4. Conta de telefone atual;
  5. E-mail principal do paciente ou responsável legal. Será por este e-mail que a ANVISA irá informar a autorização para importação do produto.

Quais dados devem conter na receita médica conforme RDC 335 para importação de produtos?

Tanto para produtos importados com teor maior ou menor teor de 0,2% de THC a receita a ser preenchida para os pacientes é sempre o FORMULÁRIO DE RECEITA BRANCA.

Segundo orientação do site da ANVISA a receita deve ser legível e conter OBRIGATORIAMENTE:

  • Dados do médico:
    • Logo da clínica ou dados do médico
    • Endereço do consultório
    • E-mail
    • Telefone fixo
    • Nome do médico
    • CPF do médico
    • Número do registro no conselho de classe do médico (CRM).
    • Assinatura do médico
    • Carimbo do médico com número do CRM
  • Dados do paciente:
    • nome completo do paciente;
  • Dados do produto:
    • nome COMERCIAL do produto (NÃO são nomes comerciais: Canabidiol, CBD, Hemp Oil, Extrato de Cannabis, óleo de CBD, Blue, Gold etc);
    • posologia (dose diária especificando a unidade como: gramas, miligramas, mililitros, gotas, cápsulas, centímetros);
    • quantitativo necessário (número de frascos necessários para o tratamento),
    • Escrever Uso contínuo
  • Outros Dados:
    • Cidade e estado
    • Data da emissão da receita.

Confira abaixo a imagem do exemplo de receita médica:

Precisa de ajuda durante o processo de prescrição ou importação dos produtos de Cannabis Medicinal?

A Tegra Pharma oferece gratuitamente o serviço especializado de concierge para auxiliar médicos e pacientes durante todo o processo de autorização e importação de produtos de Cannabis Medicinal, desde esclarecimentos técnicos até a entrega do produto.

Abaixo nossos canais de Atendimento:

Telefone: +55 11 2615-2600 / Whatsapp: +55 11 94263-8787 / E-mail: contato@tegrapharma.com