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Medicina canabinoide no tratamento da Doença de Parkinson: o que diz a ciência?

O que você sabe sobre o uso da Cannabis medicinal no tratamento de distúrbios neurodegenerativos? Celebrado anualmente em 11 de abril, o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson (DP) foi estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, em 1998, e tem como objetivo disseminar informações sobre a doença e sobre as possibilidades de tratamento com o intuito de proporcionar melhor qualidade de vida para os pacientes e suas famílias.

Nos últimos anos, o potencial terapêutico da Cannabis medicinal para o tratamento da Doença de Parkinson tem sido alvo de estudos e pesquisas científicas em todo o mundo. Entre os resultados relatados por pacientes, estão a melhora da função motora e da qualidade do sono, alívio da dor e das câimbras musculares, diminuição em episódios de acinesia, rigidez, congelamento e tremor. 

É o que mostra os dados do estudo Cannabis use in Parkinson’s disease—A nationwide online survey study, que teve como objetivo explorar a frequência de uso, atitudes e experiências com Cannabis e produtos relacionados à Cannabis entre pessoas com doença de Parkinson. Nele, pacientes e seus cuidadores foram convidados a participar de uma pesquisa online anônima sobre o uso de cannabis. Ao todo, 530 pacientes completaram a pesquisa de 24 itens indicando o histórico de uso de Cannabis, benefícios percebidos, efeitos adversos e expectativas em relação aos profissionais de saúde. 

De acordo com os resultados, 69,5% dos pacientes apontaram melhoria na função motora, 53,5% melhora no sono e 37% relataram alívio da dor. 


O potencial da Cannabis no tratamento da DP também foi avaliado no estudo “Cannabis for dyskinesia in Parkinson disease- A randomized double-blind crossover study”. Os pesquisadores afirmam que o tratamento a longo prazo da doença de Parkinson (DP) pode ser complicado pelo desenvolvimento de discinesia induzida por levodopa e que dados de modelos clínicos e animais suportam a visão de que a modulação da função canabinoide pode exercer um efeito antidiscinético. 


O potencial terapêutico da Cannabis medicinal na DP também foi alvo do estudo Higher Risk, Higher Reward? Self-Reported Effects of Real-World Cannabis Use in Parkinson’s Disease, publicado pelo Movement Disorders Clinical Practice. Realizado com 1.881 pessoas com Doença de Parkinson (DP), o estudo avaliou os resultados de pacientes que consumiram diferentes concentrações de canabinoides:

  • 54,6% que consumiram produtos com mais CBD
  • 30,2% com mais THC 
  • 15,2% consumiram quantidades semelhantes de produtos THC e CBD

Destes, cerca de 50% relataram melhorias frequentes em sintomas de dor, ansiedade, agitação e sono, já os usuários de produtos com maior teor de THC relataram melhorias mais frequentes na depressão, ansiedade e tremor.


Os pesquisadores ainda afirmam que apesar das evidências ainda serem limitadas, dadas as barreiras para a realização de ensaios randomizados, é valioso explorar experiências do mundo real com a Cannabis na Doença de Parkinson.  

Medicina canabinoide no tratamento da DP
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa que afeta o sistema nervoso central e é caracterizada pela perda progressiva de células nervosas produtoras de dopamina, levando a sintomas como tremores, rigidez muscular e dificuldade de movimento.

Os canabinoides, compostos presentes na Cannabis, agem sobre o sistema endocanabinoide, que é responsável pela regulação de diversas funções fisiológicas no organismo, incluindo o controle motor. Existem dois principais tipos de receptores canabinoides, CB1 e CB2, que estão presentes em diferentes áreas do cérebro e do corpo.

Estudos indicam que os canabinoides podem atuar de diversas formas no tratamento da doença de Parkinson. Uma das principais ações é a redução da inflamação e do estresse oxidativo, que estão associados à morte das células nervosas produtoras de dopamina.

Além disso, os canabinoides podem atuar na regulação da atividade neuronal, melhorando a comunicação entre as células nervosas e reduzindo a excitabilidade excessiva que pode levar aos sintomas da doença de Parkinson. Também há evidências de que os canabinoides podem ter efeitos neuroprotetores, ajudando a prevenir a morte de células nervosas.

O uso de canabinoides no tratamento da doença de Parkinson é o tema da masterclass ministrada pela  médica neurologista Dra. Denise Lutfi Pedra. O conteúdo faz parte da Trilha de Aprendizagem Contínua desenvolvida pela Tegra Pharma para médicos e profissionais habilitados à prescrição de Cannabis medicinal. 

Além de falar sobre alguns dos estudos citados acima, Dra. Denise ainda traz informações sobre:

  • os aspectos gerais sobre a doença de parkinson
  • causas e efeitos cognitivos,
  • o uso de canabinoides para tratamento da doença de Parkinson,
  • Indicações e contra indicações, 
  • estratégias terapêuticas e posologia indicada,
  • casos clínicos  e muito mais.

Médica neurologista com pós-graduação em geriatria e gerontologia, Dra. Denise é membro fundadora da Associação de Neurologia do Estado do Rio de Janeiro e da International Society to Advance Alzheimer ‘s Research and Treatment. Também é coordenadora da comissão temática de Neurologia da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis – SBEC.

Trilha de Aprendizagem Contínua
Quer saber mais sobre os benefícios da medicina canabinoide para o tratamento da DP? CLIQUE AQUI e inscreva-se agora em na Trilha de Aprendizagem Contínua sobre Medicina Canabinoide, exclusiva para médicos e dentistas, e tenha acesso imediato à masterclass “Medicina canabinoide no tratamento da doença de Parkinson”.

Educação contínua e gratuita sobre medicina canabinoide para médicos e profissionais habilitados a prescrição de Cannabis

A Trilha de Aprendizagem Contínua da Tegra Pharma, desenvolvida para médicos e profissionais habilitados à prescrição de Cannabis medicinal, traz conteúdos exclusivos sobre medicina canabinoide.

Confira os benefícios oferecidos aos profissionais inscritos:

– Participação em discussões de casos clínicos e avaliação das abordagens utilizadas;

– Acesso a pesquisas e a materiais complementares sobre o tema;

– Participação em uma jornada de desenvolvimento e aprendizagem contínua sobre a prática clínica do uso terapêutico de canabinoides;

– Suporte contínuo de especialistas, técnicos e consultores para aprendizado contínuo e revisão de casos;

– Acesso ilimitado e contínuo a recursos gratuitos de aprendizado como palestras em vídeo e fóruns de discussão, bem como, eventos somente para convidados e oportunidades especiais para médicos e dentistas credenciados. 

 

Referências
Holden, S. K., Domen, C. H., Sillau, S., Liu, Y., & Leehey, M. A. (2022). Higher Risk, Higher Reward? Self‐Reported Effects of Real‐World Cannabis Use in Parkinson’s Disease. Movement Disorders Clinical Practice, 9(3), 340-350.

Erga, A. H., Maple‐Grødem, J., & Alves, G. (2022). Cannabis use in Parkinson’s disease—A nationwide online survey study. Acta Neurologica Scandinavica, 145(6), 692-697.

Carroll, C. B., Bain, P. G., Teare, L., Liu, X., Joint, C., Wroath, C., … & Zajicek, J. P. (2004). Cannabis for dyskinesia in Parkinson disease: a randomized double-blind crossover study. Neurology, 63(7), 1245-1250.

 

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